Escândalo no MEC: PGR pede apuração da influência de pastores no ministério

Os pastores evangélicos Gilmar Santos e Arilton Moura se encontraram pelo menos quatro vezes com o presidente Jair Bolsonaro (PL) em Brasília, segundo informações do jornal O Globo. Mesmo sem cargos no governo, eles atuavam na negociação de verbas federais do MEC (Ministério da Educação) e indicavam quais prefeituras deveriam ter prioridade.

Foram três encontros com Bolsonaro no Palácio do Planalto e um evento no MEC, junto ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, diz o jornal.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, teria decidido a pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito para investigar a conduta do ministro da Educação, Milton Ribeiro. A decisão de Aras acontece após diversas representações chegarem à PGR pedindo apuração de suspeitas de tráfico de influência e favorecimento a pastores evangélicos na liberação de dinheiro para prefeituras — só ontem a Procuradoria recebeu pelo menos meia dúzia de representações solicitando investigação.

O caso veio à tona a partir da denúncia de que o ministro Milton Ribeiro prioriza pedidos de pastores evangélicos. A Folha de S. Paulo publicou matéria com a reprodução de áudio do ministro, dizendo que segue orientação do presidente Jair Bolsonaro. Na segunda-feira, um prefeito do interior de Minas Gerais revelou que um pastor pediu propina em ouro liberar verbas do MEC.

O colunista Leonardo Sakamoto afirma que o “áudio em que Milton Ribeiro afirma priorizar a liberação de recursos a amigos de pastores evangélicos a pedido de Jair Bolsonaro só não choca mais porque o presidente nos preparou desde o início de seu governo para este momento, transformando o Ministério da Educação em mina de ouro de pastores evangélicos e em parquinho de diversão de radical de direita”.

“Milton Ribeiro assumiu o ministério do lugar de Carlos Decotelli, que substituiu Abraham Weintraub, que substituiu Ricardo Vélez Rodríguez, cada um deles degradando um pouco a imagem e a atuação daquele que deveria ser a pasta mais importante de um governo preocupado com seu futuro. Com isso, Jair rebatizou o absurdo. Hoje se chama ‘cotidiano'”, opina Sakamoto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s