Estreias em ritmo desigual

POR GERSON NOGUEIRA

Pronto para encarar o charco do estádio Zerão, em Macapá, o PSC estreia na Copa do Brasil como favorito absoluto diante do Trem. Se os buracos do campo não atrapalharem, o time de Márcio Fernandes tem tudo para garantir classificação sem maiores dificuldades.

Não se pode deixar de observar que a Copa do Brasil é, disparadamente, o torneio mais rentável do futebol brasileiro e deveria ser encarado pelos paraenses com maior seriedade, planejamento e empenho.

Desta vez, ao que tudo indica, o PSC entra na competição com boas possibilidades de ir mais longe. Montou um time razoavelmente competitivo, embora ainda não suficientemente testado.

Mesmo sem contar com o volante/meia Ricardinho, seu principal jogador, ainda em tratamento de lesão, o Papão tem um time superior ao rival amapaense. No treino de ontem, Márcio Fernandes definiu a formação para o confronto, embora a divulgação tenha ficado para hoje.

Além de Ricardinho, ele não terá o atacante Robinho, autor do gol contra o Independente na quarta-feira passada. Devido às duas baixas, o meio-campo terá Bileu, Christian e José Aldo. O ataque deve começar com Marlon, Henan e Marcelo Toscano.

O técnico Márcio Fernandes tem como opções para o decorrer do jogo o volante Mikael para a marcação e os atacantes Dioguinho e Danrlei, o que permite variações na maneira de jogar.  

Além do desnível técnico, na condição de visitante o PSC tem a vantagem de jogar pelo empate para assegurar a classificação. Caso avance na competição, o clube fatura mais R$ 750 mil por participação na 2ª fase.

À tarde, no estádio Evandro Almeida, a Tuna faz o “jogo do ano” (ou da década) recebendo o Grêmio Novorizontino (SP) em condições desfavoráveis. O time de Emerson Almeida vive situação difícil no Campeonato Paraense, ocupando a 2ª posição no Grupo B, com 8 pontos, abaixo do Tapajós e ameaçado por Bragantino e Itupiranga, ambos com 7.

Por sorte, a situação do adversário não é lá das melhores. Após obter o acesso à Série B nacional, o Novorizontino não realiza uma boa temporada. Ainda não venceu em 2022, fez apenas três gols e ocupa a lanterna de seu grupo no Paulistão, correndo risco de rebaixamento para a série A2.

O fato é que, diante de um adversário mais credenciado, embora em mau momento, a Tuna terá que fazer sua melhor partida em 2022, evitando cometer os erros primários demonstrados até aqui no Estadual.

Fifa: valente com a Rússia, tchutchuca com os EUA

Em meio a um debate mundial quase tão acalorado quanto o conflito entre russos e ucranianos, a Fifa entrou em cena sem ser chamada e cravou uma decisão contraditória, sob todos os pontos de vista. Resolveu vetar a participação da Rússia na Copa do Mundo do Catar. Pura encenação em busca de um protagonismo estéril.

Nada mais incoerente do que o próprio Mundial no Catar, país conhecido como contumaz descumpridor dos direitos humanos, a começar pelas condições oferecidas aos imigrantes que trabalham em ritmo de quase escravidão nas obras dos estádios para a competição. Ao todo, cerca de sete mil imigrantes já morreram no emirado.

Jornais europeus denunciam há tempos o desrespeito às causas LGBTQIA+ e aos direitos das mulheres. Vale lembrar sempre que o Catar é uma monarquia absolutista, sem qualquer preocupação com ritos democráticos.

O súbito ativismo da Fifa, para fazer média com a União Europeia, lembra a CBF anunciando que conta com uma comissão de ética. É tão extravagante que provocou mais risos do que aplausos.

Além da situação do país-sede da Copa, a entidade que controla o futebol precisa firmar um acerto de contas com seu histórico de passadora de pano para as frequentes invasões norte-americanas a países árabes e africanos, principalmente. Há menos de uma semana, Tio Sam bombardeou a Somália e há anos promove ataques a alvos civis no Iêmen.

Por sinal, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, o conflito no Iêmen é “a maior crise humanitária do mundo”, com mais de 377 mil mortes. Além disso, por ocasião de conflitos de grande porte, como a invasão do Iraque, da Líbia e do Afeganistão, não se teve notícia de qualquer impedimento à participação americana em Copas do Mundo.

Cabe lembrar que, caso a moda pegue, a Fifa terá que rever sua posição quanto a Israel, que há tempos mantém arenga com a população palestina. Terá que lançar seus olhos também sobre quem usou o vírus da covid-19 como artefato de uma guerra biológica contra populações indígenas no Brasil, além da criminosa permissão ao desmatamento da Amazônia.

Das duas, uma. Ou dona Fifa toma tenência, adotando a ética e o respeito aos direitos humanos como norma inegociável, ou larga de hipocrisia midiática em relação à Rússia, cujo conflito com a Ucrânia vem cercado dos mesmos argumentos de defesa usados pelos EUA para justificar bases espalhadas por todos os continentes.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 02)

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