Re-Pa pode apontar caminhos

POR GERSON NOGUEIRA

O clássico inicial do Campeonato Estadual funciona como um divisor de águas na preparação dos times para a temporada. O jogo deste domingo repete essa lógica, colocando frente a frente times invictos, mas ainda em construção, embora o PSC desponte com uma campanha repleta de números positivos.  

Como reza a tradição, não há favoritismo explícito, mas pode-se dizer que há uma óbvia diferença de expectativas. O PSC, embalado pelo bom desempenho, é puro entusiasmo e otimismo. O Remo, em busca do melhor ajuste, chega ao jogo açoitado por cobranças e críticas.

Paulo Bonamigo, que dirigiu o Leão no Parazão 2021, sofre os efeitos dessa pressão. Experiente, sabe que o clássico mede o potencial dos rivais não apenas em relação à competição regional, mas também representa uma projeção para o Campeonato Brasileiro da Série C.

Bonamigo certamente não ignora os riscos que um revés pode representar para a continuidade do trabalho. São inúmeros os casos de profissionais despachados após o primeiro Re-Pa do ano, um embate que não decide nada, mas que pode provocar grandes abalos.

No front bicolor, surfando no momento auspicioso da equipe, Márcio Fernandes vive uma realidade diferente. Os números do time – melhor ataque, melhor defesa e com classificação antecipada – fazem com que o trabalho seja avaliado de forma bastante positiva.

Sob esse aspecto, Márcio desfruta de mais tranquilidade. Conta, ainda, com peças individuais que respondem bem quando o coletivo deixa a desejar. O único ponto de interrogação diz respeito à qualidade técnica dos adversários que o time enfrentou até agora.

O fato é que, assim como o rival, o PSC ainda não foi suficientemente testado e escapou, por enquanto, das batalhas incruentas nos campos enlameados do interior – fará seu primeiro jogo fora de Belém na próxima quinta-feira, 24, contra o Independente, em Parauapebas.

Por tudo isso, o Re-Pa deste domingo tem um importante caráter de teste. Vai permitir fazer uma avaliação do real poderio de cada equipe e saber se o planejamento para o Brasileiro está no rumo certo. Não é pouca coisa.

Números que espelham a pujança do clássico

Apontamentos do pesquisador Jorginho Neves confirmam que o Re-Pa é o clássico mais disputado do futebol mundial: 801 jogos, com 278 vitórias do Remo, 249 do PSC e 273 empates. Vantagem azulina de 29 vitórias, com 10 gols a mais (1.016 contra 1.006). Há um jogo sem registro de placar.

No estádio da Curuzu, foram disputados 237 clássicos, com 85 vitórias bicolores, 77 empates e 75 vitórias remistas.

Os técnicos têm números diferentes. Paulo Bonamigo participou de 12 clássicos – ganhou seis, perdeu dois e empatou quatro. Márcio Fernandes esteve em três clássicos, dirigindo o Remo, com dois empates e uma derrota. Como jogador do PSC, em 1981, venceu duas: 3 a 1 e 1 a 0.

Na Curuzu, a última vitória do Papão sobre o Leão está completando 21 anos. Foi na Série B 2001, por 3 a 1.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a sétima rodada do Parazão, com destaque para o clássico Re-Pa. A edição é de Lourdes Cézar.

Ideia tortuosa quase deixou o Remo sem estádio

Sobre a coluna de sexta-feira (18), que tratou do aluguel do Carrossel, o grande benemérito azulino Ronaldo Passarinho revisita o episódio da tentativa de venda do Baenão pelo então presidente Amaro Klautau, em 2010. Ronaldo, diga-se, teve papel exponencial no combate à desastrosa proposta, que quase deixou o Remo sem estádio.

“A análise da coluna sobre o Carrossel demonstra quão árdua foi a luta para impedir a venda do Baenão, que começaria com a cessão da área para uma firma de Belém. Foram dois frontes de batalha: o primeiro na Justiça do Trabalho com o Carrossel já com data marcada para o leilão; o segundo, na imensa maioria do Condel, à época. Jones Tavares e Arthur Carepa foram os primeiros que votaram contra.

Outros, como Domingos Sávio, Ubirajara Salgado, Benedito Wilson, Licínio Carvalho e eu, dentre outros, depois de uma intensa negociação com a JT, passamos a combater a ‘venda’, no Condel.

Ressalto a decisiva, justa e impecável atuação da magistrada Ida Selene Braga, juíza da 13ª Vara, hoje brilhante desembargadora, que aplicou um sistema de pagamentos do nosso monstruoso débito, sem correção monetária, sem qualquer espécie de bloqueio de rendas, inclusive, de patrocínios. O Remo, em três anos, liquidou quase 100 processos. A dívida remanescente, toda equacionada. Tenho todos os documentos.

É necessário salientar que quem desistiu da ‘transação’ foi a firma ao não comparecer a um encontro na JT. Tem muita coisa ainda não revelada.

Depois, já, creio, em 2016, com o Remo em situação de penúria, com novos débitos estratosféricos, uma comissão formada por Domingos Sávio, Milton Campos, Ângelo Carrascosa e Manoel Ribeiro, em reuniões com a JT, conseguiu evitar a venda dos nossos patrimônios. Pelo descrédito do Remo na JT, o único acordo possível foi o bloqueio das rendas oriundas do Estado, Banpará e das quotas da Copa do Brasil.

Na imprensa, você, Gerson Nogueira, foi o único na minha época que ‘comprou’ a briga, convencido que a nossa solução era a melhor. Abração”.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 20)

3 comentários em “Re-Pa pode apontar caminhos

  1. Os números encontrados por Jorginho Neves destoam dos publicados por F. da Costa, em seus livros. Da mesma forma que os de F. da Costa não coincidem com os de J. Lynch, antigo editor do caderno “A Zebra” num dos jornais da cidade. Alguns dados também não batem com os postados por Chico Nepomuceno.
    Vê-se então que eu sou um curioso do tema, tendo pesquisado superficialmente aqui e acolá. Mas vejam: os meus números não conferem com nenhum dos pesquisadores acima. Eu não levo em conta alguns WO, uma vez que não houve efetivamente bola rolando, apenas resultados no tapetão, nesses casos. Tampouco considero alguns jogos de torneio início ou que podem ter ocorrido com equipes de segundo quadro.

    Para esclarecer aficionados pelo tema como eu, seria bom que o pesquisador J. Neves editasse um livro com a história desse fabuloso e apaixonante clássico, muito provável o mais competido do mundo. Mas não apenas um catálogo em que há expostos dados estatísticos, mas indo além. Quem sabe com as polêmicas e intrigas que antecipam e sucedem os jogos. Eu, se estivesse aí em Belém, me proporia a uma empreita dessas.

    E quanto ao clássico-rei, que vença o melhor. Mas que o melhor seja o Clube do Remo!

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