Por mais palcos para a base

POR GERSON NOGUEIRA

Endrick, do Palmeiras, comemora após marcar golaço em partida contra o Oeste na Copinha - FERNANDO ROBERTO/ESTADÃO CONTEÚDO

É fato que a Copa São Paulo já revelou muito mais craques do que revela hoje, problema que tem mais a ver com a indigência técnica do futebol brasileiro do que com o formato da competição. De qualquer forma, o torneio vale principalmente pelas oportunidades que oferece a jovens aspirantes a profissionais da bola.

Gente que atravessa o país para mostrar suas qualidades em campinhos de cidades do interior paulista ao longo de apenas três jogos, na maioria dos casos, pois essa é a quantidade de partidas da primeira fase da disputa.

No total, 128 clubes de todo o país se envolvem na Copinha. A segunda fase já limita os participantes a 64 times até chegar ao afunilamento decisivo, etapa vivida neste momento com a definição dos semifinalistas.

Existente desde 1969, a competição chegou a ser negligenciada por muita gente. Lá atrás, ganhou a fama pejorativa de supermercado da bola por atrair empresários de vários países. Havia clube que dava um jeito de esconder suas joias, a fim de fugir à cobiça do mercado.

Hoje, no auge da globalização, a visão mudou. Respaldados pela legislação, que permite reter os garotos por contrato, os clubes enxergam a importância da vitrine que é a Copinha e tratam de valorizar seus produtos.

A maior estrela do torneio deste ano é o atacante Endrick (foto), 15 anos, candidato a craque do Palmeiras e sob olhares do planeta futebol. Clubes da Espanha e Inglaterra já estão atentos aos golaços que ele tem feito. Não é o único. No Oeste, vítima de ontem do Verdão, o arisco Popó vinha marcando gols em quase todos os jogos.

O Santos tem Ruan, Lucas e Patati como principais revelações. O Corinthians, maior campeão da Copinha, eliminado no primeiro mata-mata, teve como destaque o meia Guilherme Biro. Figueiredo, artilheiro do Vasco e do torneio, é outro que deixou boa impressão, assim como Jefinho e Raí, do Botafogo. O Novorizontino trouxe Cauã Santos.

Nada garante que os meninos serão confirmados como craques amanhã, mas é importante observar que a movimentação entre clubes de regiões diferentes joga luz sobre o sempre rico manancial das divisões de base em todo o país. Nem sempre bem estruturadas, as categorias de formação constituem um caminho natural para o crescimento dos clubes.

Mereceriam dispor de mais espaço para apresentar suas jovens descobertas, mesmo que isso signifique reduzir a quantidade de clubes. Com isso, a tabela de jogos poderia ser mais generosa, com cinco jogos na fase inicial, ampliando a visibilidade da garotada.

Bonamigo tem nova oportunidade para avaliar elenco

O Remo joga com a seleção de Parauapebas, hoje, às 16h, no estádio Rosenão, dentro da agenda de preparação para o Campeonato Paraense. O time se movimentou domingo contra o time de Canaã, marcando 4 a 0. São oportunidades de observação para o técnico Paulo Bonamigo, que conhece boa parte do elenco, mas continua atento aos jogadores que acabam de chegar, como Bruno Alves, Luan, Paulo Henrique e Veraldo.

Como observei ontem, a pré-temporada dos clubes não permite que se faça qualquer previsão em relação ao campeonato. A situação do Remo é bem simbólica disso. Apesar de manter vários remanescentes de 20221, a equipe da estreia contra o Amazônia vai depender do condicionamento dos atletas.

No domingo, o time que entrou no 2º tempo pareceu mais próximo daquele que pode ser o titular no dia 27, no Baenão, com Vinícius; Ricardo Luz, Kevem, Marlon e Lailson (Paulo Henrique); Anderson Uchoa, Gedoz e Erick Flores; Veraldo, Bruno Alves (Whelton) e Ronald. É lógico que a movimentação de hoje pode confirmar ou desfazer essa impressão.

Direto do blog campeão

“Outro dia, num desses canais esportivos, um analista da casa afirmava que Neymar é mais talentoso que Messi e que a diferença entre os dois é apenas de comportamento, sendo este a causa do sucesso quase absoluto do argentino e do relativo fracasso do brasileiro. Concluindo, disse que Neymar é o melhor da atualidade. Se não fossem as características de humano do comentarista, diria que o mesmo podia ser um alienígena, um ser de outra galáxia onde o futebol inexiste”. Miguel Silva

Título da Série B impulsiona vendas no Botafogo

Em pleno período de transição para o modelo SAF, depois da venda de 90% das ações para o norte-americano John Textor, o Botafogo começa a colecionar números bastante positivos e novas receitas em áreas inesperadas. É o caso dos valores obtidos com o e-commerce.

Um projeto em parceria com a FutFanatics, líder no segmento, gerou faturamento de R$ 3,2 milhões, o mesmo montante alcançado pelo Botafogo entre 2017 e 2019. Em relação ao e-commerce anterior, o faturamento médio apresenta um crescimento de 450%.

A diretoria reconhece que a conquista do Campeonato Brasileiro da Série B tem ajudado, impulsionando a adesão da torcida às promoções feitas pelo clube para a venda de produtos. O nível de engajamento nas redes sociais colocou o Botafogo no Top 10 do futebol na internet.

O êxito no e-commerce nesses seis primeiros meses da parceria resulta de uma gama de fatores. Houve o aumento do número de produtos licenciados, foram lançadas duas novas camisas e foram empreendidas diversas ações de marketing dirigidas ao público das redes sociais.

Nesse sentido, o título da Série B entrou como a cereja do bolo, incendiando uma torcida já naturalmente participativa e que adere às campanhas do clube. Para 2022, com previsível investimento no futebol profissional para a disputa da Série A, o marketing botafoguense prepara pacotes que permitam atrair ainda mais torcedores. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 20)

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