A volta do filho pródigo

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 6×1 Atlético-AC (Rony)

O Remo perdeu nos últimos anos dois jogadores promissores, ambos chamados Rony. Um percorreu caminho vitorioso e hoje é um dos mais valorizados atletas do futebol brasileiro. O outro, mais jovem e sem o mesmo glamour, ainda persegue o sucesso. Deu um passo arriscado ao brigar judicialmente com o clube, mas, em desfecho inusitado, está de volta ao ninho para tentar retomar o voo inicial.

Aos 21 anos, o lateral-direito Rony está voltando ao Evandro Almeida, após uma demorada perlenga na Justiça pelo direito de decidir seus próprios passos. Revelado nas divisões de base, o jogador teve pouco tempo no elenco profissional e ganhou visibilidade ao exigir o pagamento de 14 meses de salários atrasados, entre 2017 e 2018.

Sob orientação de empresários, Rony buscou a saída litigiosa e isso quase lhe custou a carreira. O Remo chegou a depositar judicialmente o valor reivindicado por Rony, mas o atleta não mudou sua decisão. Em abril de 2020, finalmente obteve sua desvinculação contratual.

Viveu um período de ostracismo e incerteza. Acertou com o São Caetano no ano passado, mas veio a pandemia e os campeonatos foram adiados. Depois, apareceu no Sampaio Corrêa jogando a Série B. Recentemente, passou pelo Castanhal chegando a disputar jogos da Copa Verde.

Segundo especulações, Rony está voltando ao Baenão para cumprir um contrato de dois anos. No acordo está inserido um gesto de desarmamento e praticidade por parte do clube. Ciente das qualidades técnicas do jogador, o Remo uniu o útil ao agradável, pois precisa de um outro jogador para a posição, ao lado de Ricardo Luz, recém-contratado.

O retorno de Rony representa uma novidade para situações de litígio no futebol paraense. Normalmente, após uma batalha judicial, o jogador fecha as portas no clube de origem. Contribuiu para a pacificação o estilo do presidente Fábio Bentes. Como não conseguiu acordo para renovar com o Castanhal, Rony demonstrou interesse em jogar pelo Remo e a diretoria azulina prontamente em acordo com o Japiim e fechou negócio.

Em entrevistas, Rony demonstra gratidão ao dirigente azulino pela oportunidade de voltar a vestir a camisa do Leão. Na verdade, terá pela primeira vez a chance de mostrar seu valor ao clube que o revelou para o futebol. A presença de Paulo Bonamigo no comando, reconhecidamente um técnico que gosta de trabalhar com jovens atletas, contribuiu muito para a decisão do jogador.

A situação deveria servir de balizamento para futuros acordos entre clube e jovens revelados na base. Quase sempre deixados de lado e mal remunerados, os atletas ficam reféns do discurso pragmático de empresários e agentes. Às vezes, saem lucrando, como ocorreu com Roni, hoje no Palmeiras. Outras, nem tanto, como o Rony lateral acabou constatando na prática.

Eleições na FPF: confusões e chutes na canela

De onde menos se espera é de lá que não vem mesmo. O chiste irônico cabe como luva neste imbróglio envolvendo a eleição para a presidência da Federação Paraense de Futebol, suspensa ontem por decisão da desembargadora Eva do Amaral Coelho, do TJPA, atendendo pedido impetrado pela Liga Atlética de Castanhal – que é aliada da chapa do candidato Paulo Romano, que foi impugnada pela comissão eleitoral.

Sim, como previsto aqui, tudo é confuso e caótico, como quase sempre ocorre com a FPF ao longo de décadas. Por ora, não há data prevista para o pleito, mas é bem possível que ocorra em janeiro de 2022 – isto se não houver nova reviravolta e recurso ao tapetão.

O exemplo público é terrível, com o tumulto gerado por supostas ilegalidades expostas no despacho da desembargadora. A atual gestão, encabeçada por Adelcio Torres, promete recorrer da decisão do TJPA, mas é provável que a chapa situacionista não esteja mais na disputa até lá.

Tudo porque Adelcio busca o terceiro mandato, pretensão que colide com o próprio regimento da FPF. Paulo Romano, aliado do ex-presidente e eterno cacique Antônio Carlos Nunes, teve sua chapa impugnada por não ultrapassar a cláusula de barreira. O terceiro candidato, Ricardo Gluck Paul, ex-presidente do PSC, luta para garantir a realização da eleição.

Todas as denúncias que culminaram na suspensão do pleito têm origem no próprio edital, que apresenta ligas e clubes que não estariam aptos a votar, excluindo outros que deveriam constar da relação de adimplentes. Um dos que se considera prejudicado é o Gavião Kyikatejê, que já reivindicou, de forma administrativa, a correção do edital.

Ao distinto público, visivelmente entediado com o arranca-rabo, é bom avisar que na maioria das vezes a luta pelo poder na FPF é inspirada na férrea vontade de mudar para continuar como está, salvo exceções. A conferir.

Novo Cruzeiro abre mão dos préstimos de Luxa

Por questões financeiras, o novo Cruzeiro demitiu ontem Vanderlei Luxemburgo. Era previsível o desfecho depois que Ronaldo Nazário se tornou o principal acionista do clube, agora funcionando como SAF (sociedade anônima de futebol).

Ronaldo nunca foi muito fã de Luxemburgo como técnico. Menos ainda do Luxemburgo manager. No Cruzeiro, desde o ano passado, o experiente treinador se sentia confortável para dar pitacos e já ensaiava interferir no processo de contratações de atletas.

Para muitos, o êxito de Luxemburgo como técnico começou a entrar em colapso quando ele misturou as tarefas de campo com as de empresário. Expôs um flanco que não tinha como especialista em treinar times.

Verdade ou não, o fato é que o técnico nunca mais foi o mesmo após se imiscuir em ações executivas, nem sempre transparentes e exitosas. Ronaldo, pelo visto, resolveu não pagar para ver. Vai em busca de cabeças mais arejadas para cuidar de seu investimento mais recente. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 29)

Um comentário em “A volta do filho pródigo

  1. O Remo sofreu muito na série B, pela falta de meias de armação para jogar ao lado do Gedoz, até agora não vejo a diretoria falar na contratação de dois meias, um pelo lado direito e outro pelo esquerdo, haja vista, que o Erick Flores já tem certa idade e junto com o Gedoz, não aguentam dois tempos, alô diretoria não vamos cometer os mesmos erros desse ano, qualidade e não quantidade é o melhor investimento, o que me preocupa é que o Fábio Bentes, disse que iria contratar mais jogadores quando fosse iniciar a série C, hora, já vimos que isso não deu certo esse ano, campeonato paraense é para treinar o time que vai jogar a série C, dando entrosamento e vendo quem tem condições e qualidade para disputar a série C.

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