Entre a cruz e a espada

Paysandu precisa de sequência inédita na Série C do Brasileiro — Foto: John Wesley/Ascom Paysandu

Em função da derrota em Itu, o PSC estaria disposto a dispensar o técnico Roberto Fonseca e apostar numa solução interna, como ocorreu satisfatoriamente no Campeonato Paraense. As situações não são iguais, muito menos as competições disputadas. No Parazão, a troca de comando ocorreu no último jogo. Agora, caso se confirme nova mudança, ainda restarão três jogos, o que amplia o arco de dificuldades.

Uma decisão difícil a essa altura do pagode. A tradição mostra que a opção por técnicos “bombeiros” funciona (quando funciona…) por curto período. O trabalho de Roberto Fonseca é razoável, com aproveitamento melhor que o de seu antecessor, Vinícius Eutrópio, que também era muito contestado.

Como Eutrópio, Fonseca não conseguiu dar estabilidade técnica ao PSC. O time se classificou para o quadrangular decisivo da Série C sem convencer, apresentando um futebol raquítico na maior parte do tempo.

A súbita melhoria no último jogo da etapa classificatória, diante do Manaus, deu a ilusão de que o time caminhava para um processo evolutivo no campeonato. Os jogos contra Criciúma, Botafogo-PB e Ituano dizem justamente o contrário.

Na estreia, em Criciúma, o empate foi obtido com um rígido sistema de marcação e ausência de ambições ofensivas. Como o objetivo era não perder, o empate foi bem recebido. Em Belém, diante do Botafogo, quando a prioridade era vencer, o time reprisou a postura conservadora do primeiro jogo e quase foi derrotado.

Frente ao Ituano, sábado, o PSC foi um combo das atuações nos dois primeiros jogos, embora mais ofensivo nos primeiros minutos. Graças a isso, chegou ao gol, produto de um pênalti que Marlon converteu.

Não durou muito, porém, a postura agressiva. O time ainda festava a vantagem inicial quando sofreu o empate num apagão do centro da defesa. Acabaria permitindo a virada em outro cochilo imperdoável dos zagueiros, que marcaram os atacantes e esqueceram de acompanhar a bola. Gerson Magrão cabeceou e mandou para as redes sem sair do chão.

Mais do que a marcha do placar, é preciso ter em mente o funcionamento tático do PSC. O sistema de marcação é confuso, com Marino e Paulo Roberto atrapalhados quase sempre, o que afeta a atuação dos zagueiros e a cobertura aos laterais. A transição, desta vez com Fazendinha, não se efetivou plenamente, como ocorreu nas duas partidas anteriores.

Um outro problema sério se acentua a cada jogo. Rildo, um dos atacantes mais acionados, tem apresentado um rendimento abaixo do esperado na fase mais aguda da competição. Marlon, que era uma das esperanças do ataque, também produz pouco.

O Ituano ainda marcaria o terceiro gol, após a arbitragem assinalar impedimento e anular gol de Grampola, que aparentemente estava em posição normal no lance. Além dos problemas com o VAR, o time não se mostrou à altura da importância do jogo. Há falhas coletivas sérias, mas não se pode ignorar os muitos problemas de ordem individual.

Fonseca tem responsabilidade na atual situação do time, mas é justo dizer que o baixo rendimento de alguns jogadores também contribui para as atuações ruins. Trocar o comando agora, portanto, pode ser um tiro no pé, a três jogos do fim do campeonato. (Foto: John Wesley/Ascom PSC)

Série B do Parazão começa com artilharia em alta

O estreante Amazônia foi um dos destaques da primeira rodada do torneio de acesso ao Parazão 2021. Derrotou o Paraense por 4 a 1 e lidera seu grupo. O Caeté também disparou goleada de 4 a 1 sobre Capitão Poço e o Izabelense bateu o Santa Rosa por 4 a 0.

Dos times mais experientes, destaque para o Cametá, que estreou com vitória. Sport Belém, derrotado pela Esmac, decepcionou. No total, a rodada inaugural registrou 36 gols em 11 jogos.

Beijinhos de Pikachu e derrapada da turma do apito

De estilo crítico, às vezes ácido, o jornalista Mauro Cezar Pereira é uma das saudáveis exceções ao atual domínio de ex-boleiros e ex-árbitros na crônica esportiva da TV brasileira. Neste fim de semana, ele pegou firme com os famigerados comentaristas de arbitragem.

O motivo foi o lance que envolveu o paraense Yago Pikachu no jogo entre Fortaleza e Chapecoense, pela Séria A. Pikachu tomou um cartão amarelo após mandar beijinhos para a torcida. O ala havia aturado provocações o jogo todo e foi à forra ao marcar o gol da vitória do Tricolor do Pici.

Na internet, Mauro Cezar criticou a decisão do árbitro de campo e não perdoou a Central do Apito da Globo, integrada por ex-árbitros, alguns de trajetória bastante conturbada, como Paulo César de Oliveira e Sandro Meira Ricci.

“Torcida da Chapecoense provocou Yago Pikachu, que bateu o pênalti e fez 2-1 para o Fortaleza. Na comemoração, mandou um beijinho para a torcida rival. Levou cartão amarelo por isso. Que lixo! E qual a opinião da ‘Central do Apito’? ‘Cartão bem aplicado’. Coveiros do futebol!”, resumiu Mauro.

O comentarista observa que provocações debochadas fazem parte da história do futebol brasileiro e citou episódio envolvendo Renato Gaúcho, à época jogador do Flamengo, pedindo silêncio à torcida do Inter com o dedo indicador colado à boca, no Brasileiro de 1987.

Convenhamos, mandar beijinhos ou pedir silêncio é ato absolutamente integrado ao ambiente de jogo e não configura atitude desrespeitosa ou antiesportiva. Pikachu não fez nada além do que já se fez antes. Punição esdrúxula, que expõe a falta de critérios dos apitadores no Brasil.

Aliás, as intervenções da tal Central do Apito já merecem uma atenção maior quanto à interferência nas decisões de árbitros de campo e das cabines do VAR. É cada vez mais visível e preocupante a coincidência entre o veredito dos comentaristas e a decisão dos juízes. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 18)

2 comentários em “Entre a cruz e a espada

  1. O VAR é apenas uma forma de oficiosa de beneficiar os clubes que são do interesse da mídia.
    É ridículo ver árbitros fazerem vista grossa para jogadas faltosas, principalmente na grande área, e caçarem os mínimos detalhes para benefício de grandes times.
    O VAR e uma aVARcalhação como tudo no Brasil.

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