Flertando com o drama

POR GERSON NOGUEIRA

Edu Brusque

Os sinais de alerta estavam postos há pelo menos sete rodadas. O time parou de evoluir. Pior: regrediu no aspecto coletivo, com visível queda de rendimento individual de jogadores importantes. Na sexta-feira à tarde, em Brusque, a situação desandou em 45 minutos. Depois de um bom 1º tempo, com vitória parcial de 1 a 0, o Remo sucumbiu à pressão adversária e permitiu a virada na etapa final.

As cenas de relaxamento e falta de apetite competitivo apareceram na segunda metade da partida, permitindo que o time sofresse a virada. Com o resultado, o Remo cai para a 13ª colocação e se prepara para passar por sofrimento, risco e dramaticidade para garantir permanência.

O que se viu no 2º tempo foi seguramente a pior atuação remista sob o comando de Felipe Conceição. Em determinados momentos, após ter sofrido dois gols em três minutos, o Remo parecia tão perdido em campo que se expôs ao risco de sofrer uma goleada.

O Brusque, mesmo sem exibir brilho especial, redobrou presença no meio-campo, botou bola na trave, perdeu um pênalti e armou seguidos contra-ataques, sempre levando muito perigo. Pode-se dizer que o Remo foi um time enquanto Pingo esteve em campo, e outro sem ele.

Com a lesão sofrida pelo volante, Uchoa, afastado há quase dois meses, foi lançado para cuidar do primeiro combate. Não funcionou pelo simples fato de que Uchoa está visivelmente fora de ritmo.

Para piorar, Artur, escolha insistente de Felipe Conceição, não acertava nenhum passe; Marcos Junior, idem, e os laterais pareciam fincados no chão, sem avançar por força da presença de atacantes rápidos (Garcez, Edu e Tiago Alagoano) na intermediária do Remo.

Brusque-SC 3×1 Remo (Lucas Tocantins)

Expostos aos contragolpes do Brusque, os zagueiros Kevem e Marlon tinham que partir para o embate direto. Lucas Siqueira permaneceu no banco. Seria a escolha mais lógica para o lugar de Pingo. O Brusque ainda fez o terceiro gol em lance de completa bagunça defensiva do Remo.

As poucas faltas conseguidas foram cobradas com desleixo por Gedoz, algo já corriqueiro na atual campanha. Gedoz também desperdiçou o pênalti mesmo diante do atacante Edu improvisado como goleiro.

Jefferson, Neto Pessoa e Ronald substituíram Marcos Jr., Victor Andrade e Artur, mas pouco puderam fazer diante da inoperância do meio-campo. Enquanto errava muito na frente, Tiago Coelho pontificava como grande nome do time no jogo, com quatro excelentes intervenções.

As poucas faltas conseguidas foram cobradas com desleixo por Gedoz, algo já corriqueiro na atual campanha. Gedoz também desperdiçou o pênalti sofrido por Jefferson mesmo diante de um improvisado Edu embaixo da trave. No rebote, Jansen fez o gol, mas o lance foi invalidado.

Brusque mereceu vencer, mas VAR pesou na balança

O VAR costuma mudar o que se imagina seja a ordem natural das coisas no futebol. Quase sempre interferindo para melhor, fazendo justiça e evitando erros crassos. Em alguns jogos, porém, o árbitro de vídeo acaba tendo uma participação decisiva e deixa no ar mais dúvidas que certezas.

Foi o caso da partida Brusque x Remo, sexta-feira, em Brusque-SC. Pelo menos cinco situações importantes tiveram as digitais (por ação ou omissão) do VAR. Aos 17 minutos de jogo, um lance promissor na área foi interrompido por empurrão de Claudinho em Victor Andrade.

No lance do primeiro gol do Brusque ficou a impressão de impedimento do zagueiro autor do cabeceio. Não houve revisão do lance, até porque o sistema que traça linhas não estaria funcionando àquela altura.

No segundo gol do Brusque, a bola foi tocada com o braço pelo atacante Garcez antes de sobrar para a finalização de Tiago Alagoano. O VAR novamente se omitiu ou entendeu não haver irregularidade.

O olhar eletrônico assinalaria, corretamente, o penal cometido por Tiago Ennes, mas deixou (de novo) de revisar lance que favorecia o Remo no gol marcado por Lucas Tocantins no começo da etapa final.

O VAR ainda desmarcaria o gol de Rafael Jansen após pênalti defendido por Edu. Jansen teria invadido a área ao avançar para aproveitar o rebote. A imagem que comprovaria a irregularidade não foi exibida.

Apesar da atuação pífia e errática no 2º tempo, que justificou plenamente a vitória do Brusque, os azulinos têm o direito de reclamar da confusa atuação do árbitro Vinicius Gomes Amaral e da indisfarçável má vontade da cabine do VAR (chefiada pelo gaúcho Daniel Bins).

Bola na Torre

O programa começa às 22h deste domingo, na RBATV, com apresentação de Giuseppe Tommaso e participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em pauta, a rodada das séries B e C e a fase inicial da Copa Verde. A edição é de Lourdes Cézar.

Copa Verde ainda à espera de maior valorização

De atuação inquestionável no incentivo ao futebol paraense, o governador Helder Barbalho destacou a importância do esporte dentro das prioridades de sua gestão, por ocasião do lançamento festivo da Copa Verde em Belém, sob os auspícios da CBF.

A CBF certamente iria merecer agradecimentos mais efusivos se valorizasse de verdade a competição. O principal ponto de questionamento diz respeito à premiação, que não se altera há anos e funciona como fator de desestímulo aos clubes.

Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, fez os salamaleques de praxe lembrando a abrangência do torneio (11 Estados, mais o Distrito Federal), mas nada falou quanto a investimentos mais decentes para turbinar a Copa.

(Coluna publicada no Bola, edição de domingo, 17)

2 comentários em “Flertando com o drama

  1. Quem é o dono do Brusque ÷ a Red Bull, é muita coincidência que a linha do var só ou o sistema só falhou nas jogadas a favor do Remo, muito estranho essa de dizer que a linha do impedimento não estava funcionando, ora isso é um programa, não acredito que os computadores estavam falhando nessa hora, e depois voltava a funcionar, no pênalti do brusque que o árbitro não deu e depois reverteu ao checar o var, a bola bate primeiro no jogador do brusque e na sequência na mão do jogador do Remo, que erque a perna para interceptar e a bola bate na mão dele, lance inteiramente interpretativo, é impossível um jogador pular com a perna no ar e ter os braços colados no corpo. Var prejudicou o Remo sim, mesmo tendo jogado muito mal no segundo tempo, Jansen deveria ser o titular com o Kelvin não o Marlon que estava perdido, fez a falta que originou o gol de impedimento do brusque, Felipe Conceição precisa rever seus conceitos, o Remo perdeu por suas escolhas erradas.

    Curtir

  2. A ajuda ao time do velho da Havan foi nitida mas o que revoltou a torcida foi o fato de que em virando 1×0 pro Leao o segundo tempo na lama deveria ser exclusivamente para garantir a pontuaçao se valendo de todas as artimanhas do futebol nao a fragilidade que demonstrou o Remo, sempre camarada com os adversarios.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s