POR GERSON NOGUEIRA

Com a permanência bem encaminhada na Série B, o Remo pode se permitir fazer um jogo tático hoje à noite em Goiânia contra o Vila Nova. Há pressa em garantir a pontuação mágica para atingir a meta, mas não existe pressão. A ansiedade está do lado adversário, em função do risco de rebaixamento que ronda o time goiano, hoje em 14º lugar com 34 pontos e quatro à frente do Londrina (30 pontos), o primeiro do Z4.
Apesar da tranquilidade resultante da campanha segura, o time de Felipe Conceição precisa defender a sequência obtida nas últimas seis rodadas – três vitórias, dois empates e uma derrota –, permitindo somar 11 pontos. As projeções indicam que o Remo precisa de duas vitórias para assegurar matematicamente a permanência.
A volta de Victor Andrade, de estilo agressivo e dribles em velocidade, permite alimentar a expectativa de vitória – desde que o time construa jogadas necessárias para que o ataque funcione. Na partida contra o Sampaio, o sistema só funcionou bem nos últimos 20 minutos.
Na ocasião, o ataque só ganhou força e intensidade com a entrada de Jefferson e Lucas Tocantins, contando com a aproximação de Raimar e Mateus Oliveira. O cenário se repetiu diante do Coritiba, quando as melhores manobras surgiram depois que Jefferson e Rafinha entraram.
Felipe já deixou claro que as escolhas são de sua inteira responsabilidade e que o modelo de jogo é o que importa. Depois de sufocar o Coritiba no 2º tempo, ele declarou que as trocas cumprem uma função, sem reconhecer os problemas apresentados pelo meio-campo considerado titular.
Os resultados respaldam as decisões do técnico, embora fique a impressão de que o atalho rumo a vitórias poderia ser menos complicado. É inegável, por exemplo, que Pingo funciona melhor como primeiro volante. Marcos Jr. é esforçado, mas ainda parece desconfortável na posição.
A dúbia função atribuída a Felipe Gedoz é outro ponto em permanente discussão, pois o camisa 10 só funcionou como atacante nos jogos contra Ponte Preta e Avaí. Nas outras partidas, foi pouco incisivo e fez com que meio e ataque tivessem baixo rendimento.
Tudo isso pode ser solucionado dependendo das variáveis que o Remo possa apresentar do meio para frente. A intensidade, que não está vinculada à organização de jogo, pode gerar funcionalidade. Sempre que um time se aplica com disciplina e foco a tendência é que conquiste resultados, mesmo que o modelo não seja seguido à risca.
Dúvidas na lateral e no ataque do Papão
Leandro Silva, Marcelo ou Jonathan ou Ratinho. A lateral direita virou motivo de preocupação para o técnico Roberto Fonseca no PSC para o jogo contra o Botafogo-PB na próxima segunda-feira, 11. Definir quem será o responsável pela aba direita da defesa se tornou mais angustiante do que a escolha do centroavante.
Tudo porque os especialistas da lateral estão em fase de recuperação, mas ainda não reúnem as condições ideais para encarar os 90 minutos de um jogo difícil e decisivo, como todos da atual fase da Série C.
A improvisação é a alternativa mais viável, mas tanto Jonathan quanto Ratinho não mostram a mesma segurança atuando por ali. Fonseca deve esperar para avaliar as condições de Leandro e Marcelo até a manhã de segunda-feira para só então decidir o que fazer.
Para o ataque, a dificuldade é menor. Danrlei, titular na partida contra o Criciúma, é o mais cotado para comandar a ofensiva, provavelmente ao lado de Marlon e Rildo. A dúvida fica por conta das convicções do técnico, que já demonstrou preferir o veterano Rafael Grampola com a camisa 9.
O rendimento nos últimos jogos, porém, devem pesar em favor de Danrlei, autor de um golaço diante do Manaus na fase de classificação.
Direto do blog campeão
“Venda de camisas e outros badulaques não rendem o suficiente para pagar transferências e salários milionários de jogadores. Os clubes brasileiros ainda dependem muito da venda de ingressos, renda muito afetada nesses tempos de pandemia. A renda de sócios pagantes mensalistas é pífia. O São Paulo F. C., do rico futebol paulista, vive seu inferno astral com o caso Daniel Alves. O tricolor é o exemplo acabado da situação da maioria dos clubes do futebol brasileiro. Barcelona, Atlético de Madrid e Real tiveram que adequar seus orçamentos às regras da federação espanhola. A consequência disso é a participação discreta desses clubes na atual Champions. Então, como disse um dia o economista e prêmio Nobel Milton Friedman, não existe almoço grátis. Há algo de podre no reino da Dinamarca e o segredo não vai durar cem anos como o da vacinação (ou não) do Bolsonaro”.
Miguel Silva
Seleção vence por 3 a 1 com atuação horrorosa
Foi uma pelada infame o jogo Venezuela x Brasil, ontem, pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Os anais vão registrar a vitória da Seleção por 3 a 1, mas o desempenho foi indigno da brilhante campanha. Sem Neymar e Casemiro, o time bateu cabeça no 1º tempo, foi dominado pelos venezuelanos e tomou um gol em falha da zaga.
O 2º tempo repôs a realidade das coisas. Com a entrada de Rafinha, que usou velocidade e drible para furar a marcação, a Seleção teve lampejos de habilidade, mas o coletivo continuou muito abaixo do aceitável para uma equipe de primeira linha jogando contra o pior time das Eliminatórias. Placar enganoso em todos os aspectos.
(Coluna publicada no Bola, edição desta sexta-feira, 08)
Deixar mensagem para Miguel Silva Cancelar resposta