Desconcentração fatal

POR GERSON NOGUEIRA

Os quase 100 minutos de bola rolando foram do mais absoluto domínio remista, sexta-feira à noite, em Goiânia. O time passou cerca de 90% da partida dentro do campo de defesa do adversário, buscando infiltração, cruzando bolas e chutando muito. O Remo chutou 23 vezes a gol contra quatro do Vila Nova. Terminou com quase 70% de posse de bola. Não há dúvida: o time de Felipe Conceição foi superior, merecia ganhar, mas o placar real é implacável: Vila 1 a 0.

Tudo por conta de alguns segundos de desconcentração. Aos 12 minutos do 1º tempo, em rápido contra-ataque do Vila Nova, Alesson foi lançado, Tiago Ennes custou a chegar e o atacante ficou livre para bater cruzado para fazer o único gol da partida. Detalhe: a bola era do Remo, mas Felipe Gedoz perdeu no ataque ao tentar girar sobre o marcador.

O que se viu depois foi um Remo dominante, em alguns momentos até avassalador. Perdeu gols ainda no 1º tempo, com Jansen e Victor Andrade. O Vila ainda ficou com um a menos. Bruno Collaço levou dois amarelos e foi expulso. Aumentaria ainda mais o predomínio azulino em campo.

Na etapa final, o Vila só chegou à frente uma vez. Marcos Jr. entregou a bola a um adversário na entrada da área e quase o segundo gol saiu. O ataque goiano só foi neutralizado por Kevem quase em cima da linha fatal.

O Remo atacou incessantemente. Buscou todas as formas de furar o bloqueio armado pelo Vila, infiltrou jogadores, trocou tabelinhas e chutou de quase de todas as distâncias. Chegou a ter cinco atacantes na reta final da partida – Tocantins, Andrade, Neto Pessoa, Jefferson e Ronald.

Além da falta de apuro de alguns chutadores, como Gedoz (que acabou substituído por Pingo), o Remo esbarrou na figura de Georgemy, que se impôs como barreira intransponível defendendo pelo menos três chutes que tinham endereço certo. Pegou o arremate de Neto Pessoa, um chute de Jefferson e um cabeceio de Victor Andrade.

Quase não se pode apontar erros na atuação do Remo, apesar da derrota. Talvez só o excessivo relaxamento nas primeiras jogadas, quando o time cometeu seis erros de passe, algo raro na atual fase. Depois, porém, a equipe se estabilizou e tomou conta da partida. Faltou apenas a bola entrar, como dizem os cartesianos de carteirinha, embora não seja exagero.

Pode-se também questionar a falta de acerto em cruzamentos e escanteios. De cada cinco cobranças em direção à área, o time erra quatro. Ou a bola vem curta ou excessivamente longa. Isso dificulta a ação de quem chega para finalizar. Ainda assim, Neto Pessoa apareceu bem em dois momentos.  

Quando Gedoz saiu, Mateus Oliveira passou a ser o articulador. Não foi ousado como o jogo pedia. A noite pedia tentativas individuais capazes de furar as duas linhas de marcação. Victor Andrade, mesmo esforçado, não repetiu atuações anteriores. O Remo saiu lamentando a derrota, mas a atuação foi superior às duas últimas. Faltou competência nas finalizações, como ocorreu contra o Coritiba.

Matemática do acesso aponta para a linha dos 10 pontos

Com um ponto ganho e mais nove por disputar em casa, ao PSC cabe a partir de agora trabalhar com a estimativa de 10 pontos para obter o acesso. No ano passado, o grupo dos clubes paraenses na segunda fase da Série C terminou com o Remo classificado em primeiro, com 10 pontos, e o Londrina em segundo, com nove.

Não é tarefa simples dentro de um grupo tão equilibrado, mas é tarefa plenamente possível. E a lei das probabilidades tende a ficar mais simpática aos bicolores caso superem o Botafogo-PB nesta segunda-feira à noite.

Para melhorar ainda mais as coisas, há indícios fortes de que o time de Roberto Fonseca evoluiu coletivamente após a fragorosa derrota para o Ferroviário-CE. O apagão deixou lições e o sistema defensivo tornou-se mais firme contra o Altos, apesar de alguns vacilos pontuais.

A classificação antecipada deu a tranquilidade necessária ao grupo. Diminuiu o peso da responsabilidade. O triunfo sobre o Manaus, categórico e indiscutível, confirmou a impressão de que o time finalmente havia alcançado o encaixe necessário para empreender voos mais altos.

Até as escolhas do técnico se tornaram mais coerentes. José Aldo assumiu a organização no meio, Danrlei virou titular (ou quase isso) no ataque e a dupla de zaga voltou a ser Perema-Denilson. Caso não surjam intercorrências, é legítimo esperar que a equipe cresça ainda mais.

Bola na Torre

O programa vai ao ar às 22h deste domingo, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. A edição é de Lourdes Cézar.

Economia balança e o gigante chinês desaba

A notícia de que o castelo de cartas do Barcelona ruiu, mergulhado em dívidas monstruosas, não veio sozinha. Nos últimos dias, o mercado chinês dá sinais fortíssimos de crise irreversível. Espécie de Shangri-La do futebol mundial nos últimos anos, em função das contratações bombásticas e dos salários astronômicos, a China entra na fase de vacas magérrimas.

As bolsas de valores foram sacudidas pelo possível calote de mais de R$ 1 trilhão que a Evergrande deve aplicar em seus credores. Clubes que estavam em destaque até há um ano, como o Guangzhou, perigam fechar as portas em dezembro.

Com a economia em queda, os investimentos generosos para o futebol simplesmente evaporaram. O que representou um oásis para grandes atletas de repente virou um mercado de dívidas e incertezas.

Oscar, Drogba, Ricardo Goulart e Elkeson foram alguns dos jogadores que conseguiram acumular fortuna no futebol chinês da fase áurea, mas hoje a maioria dos jogadores em ação no país já pensa em bater em retirada.

Prova mais do que evidente de que não existe milagre no mundo da bola. Quando a esmola é muito grande, não só os santos devem desconfiar. 

(Coluna publicada no Bola, edição de domingo, 10)

3 comentários em “Desconcentração fatal

  1. Remo leva gol facil e nao consegue fazer o mais dificil e nao aguentamos mais perder pro Vila de td que e jeito. Exigimos vitoria contra o racista Brusque.

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  2. Perder faz parte do jogo. Contra esse adversário e com outro treinador perdemos duas vezes seguidas e o título da Série C. E de forma vexaminosa. Quando treinador entrar em campo para fazer os gols perdidos, dar passes corretos e fazer a marcação correta na defesa poderemos jogar toda a culpa pelo insucesso nas costas largas dele. Definitivamente não foi o treinador a causa da derrota do Remo contra o Vila Nova.

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