Desafio contra o lanterna

POR GERSON NOGUEIRA

Felipe Conceição

O Remo faz hoje, em Pelotas (RS), um jogo de importância estratégica neste começo de returno da Série B. Tenta se recuperar emocionalmente da sofrida derrota em casa para o CRB na primeira rodada, situação que manteve o time na 12ª colocação, desperdiçando a chance de se aproximar do chamado G10. A batalha desta noite pode, combinada com outros resultados, proporcionar um salto de até duas posições na tabela e a chegada ao 10º lugar.

Como a partida é contra o lanterna do campeonato, muita gente fica logo a imaginar facilidades, o que é um tremendo equívoco. O Brasil-RS tem mostrado deficiências quando joga como visitante, mas é sempre agressivo quando atua em seus domínios.

A situação de desespero na tabela (soma 13 pontos) faz com que o Brasil se torne naturalmente um adversário mais temível. Jogará no limite para tentar quebrar a sequência ruim e tentar se afastar da lanterna. Tem problemas, porém. A defesa é boa no jogo aéreo, mas fraca na saída de bola. O meio-campo é brigador, mas pouco criativo.

Para segurar a pressão, o Remo tem como melhor antídoto fechar suas linhas, não permitir o jogo pelos lados e impor o toque de bola a partir do meio-campo. Lucas Siqueira está de volta ao time, após várias partidas. Pode contribuir, ao lado de Anderson Uchoa e Artur, para qualificar a transição. Pelas características que tem, deve ser o volante mais avançado.

A lateral esquerda ganha com o retorno de Igor Fernandes, mas o lado direito segue vulnerável com a improvisação de Warlei. O avanço dos laterais é, desde sempre, um dos trunfos ofensivos do Remo. Sem isso, o time se limita a ações pelo meio, que facilitam a marcação.

Felipe Gedoz, que não atuou bem contra o CRB, provavelmente vai continuar na função de atacante, ao lado de Victor Andrade (ou Renan Gorne) e Lucas Tocantins. Ao contrário do que fez nos últimos jogos, o camisa 10 terá que participar mais da articulação e se aproximar da área.

Acima de tudo, com Gedoz na frente ou flutuando pelo meio-campo, o time precisa ser mais proativo e arriscar mais chutes de média distância. A última vitória, contra o Confiança, nasceu de um disparo feito por Victor Andrade da intermediária. O Remo melhorou a artilharia, mas segue como um dos cinco times que menos chutam a gol na Série B.

Sem medo da variante Delta, FPF define volta de público

O assunto já vinha sendo alinhavado em fogo brando há várias semanas, desde que os números da covid-19 no Pará tiveram considerável recuo. Ontem, apesar dos temores em relação à variante Delta, sob o patrocínio da Federação Paraense de Futebol e apoio da dupla Re-Pa, representantes de órgãos públicos e entidades aprovaram a ideia de retorno do público aos estádios do Pará, com ocupação de 30% da capacidade dos estádios.

A decisão depende agora de um decreto estadual, que deve ser publicado nas próximas horas. Depois disso, a FPF enviará à Sespa, às prefeituras de Belém, Castanhal e Paragominas; aos clubes e ao Ministério Público protocolos destinados a ordenar a volta dos torcedores.

Na prática, a liberação só vai entrar em vigor a partir da reunião que a CBF programou para a próxima semana com os clubes que disputam as quatro divisões nacionais. Eles irão deliberar sobre a presença de público.

Depois da reunião na FPF, a diretoria do Remo mostrou-se pouco empolgada com a decisão, atenta aos custos para cumprir os protocolos que garantam condições de segurança aos torcedores. A receita com a venda de 30% dos ingressos talvez não cubra a despesa.

De qualquer maneira, as competições estaduais serão beneficiadas de imediato pela liberação. A Segundinha de acesso ao Campeonato Paraense, deficitária por natureza, poderá mitigar os prejuízos cobrando ingressos.

Para a dupla Re-Pa, caso todos os trâmites sejam seguidos em tempo recorde, os jogos com torcida podem começar já na primeira semana de setembro, quando o Remo recebe o Botafogo-RJ e o PSC joga contra o Santa Cruz, na Curuzu.

Sina para goleadas inexplicáveis persegue Felipão

Desde o fatídico 7 a 1, na Copa de 2014, Felipão tem se mostrado um técnico cujas decisões (ou omissões) favorecem a ocorrência de goleadas contra os times que dirige. Dado como ultrapassado por muitos, ele se mantém na ativa comandando clubes brasileiros em situação de desespero. Foi assim no Palmeiras, depois no Cruzeiro e agora no Grêmio.

Na quarta-feira, com um jogador a mais, logrou a façanha de levar uma peia de 4 a 0 para o Flamengo jogando dentro de Porto Alegre. Curiosamente, o Grêmio atuava bem até a expulsão do lateral rubro-negro Isla. Criava boas chances, tinha movimentação interessante pelos lados e parecia perto de marcar um gol.

Quando os times voltaram do intervalo, operou-se a transmutação. O Flamengo, com 10, passou a se distribuir melhor em campo e não abriu mão da vocação ofensiva, cercando a área do Grêmio incessantemente. Na beira do campo, Felipão ficava aos gritos, atordoado com a súbita queda de rendimento de sua equipe.

Não foi a primeira vez e nem será a última que um time sucumbiu quando tinha um jogador a mais. Acontece. O problema é perder de 4 dentro de seu estádio como resultado de uma atuação pífia, e em apenas 45 minutos. Pior foram as tentativas de explicação que o técnico esboçou ao final da partida.

Atordoado, ele não conseguia nem elaborar as frases. Visivelmente, o veterano treinador não havia entendido o que aconteceu. O jogo mostrou, até para observadores iniciantes, que o Flamengo lançou mão de seus jogadores mais rápidos para forçar erros na intermediária gremista. Os gols vieram naturalmente.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 27)

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