Com o milionário Manchester City, Pep Guardiola volta a decidir a Champions

Guardiola sobre razões para vencer: “Bons times. Sou bom técnico, faço meu  melhor, mas eu não jogo”

Gênio. Revolucionário. Brilhante. Romântico. Vitorioso. Louco. Exagerado. Obsessivo. Arrogante. Amarelão. Vários foram os adjetivos utilizados ao longo dos últimos 14 anos para qualificar (ou desqualificar) Josep Guardiola Sala. Os seus fãs mais apaixonados e seus detratores mais vorazes costumam, entretanto, concordar em um ponto: não existe um técnico de futebol que tenha sido mais influente neste século do que o espanhol de 50 anos.

Pep foi um rolo compressor que despontou no cenário internacional no final da década de 2000, após uma carreira de respeito como jogador. Logo em seu primeiro trabalho em um time de primeira divisão, marcou época com um Barcelona que ganhou duas edições da Liga dos Campeões e consagrou Lionel Messi como um dos maiores protagonistas que o jogo já viu.

Inquieto, o ex-volante não se acomodou na sua Catalunha. No Bayern de Munique, fez o que se espera de todo treinador do clube e acumulou um título alemão atrás do outro. Não conseguiu, entretanto, atingir a sua maior meta: voltar a vencer a Champions.

Chegar ao topo da competição mais importante do futebol europeu também é o objetivo que move o projeto no Manchester City. As cinco temporadas na Inglaterra, com direito a três conquistas da Premier League, ainda não foram suficientes para saciar o afã conquistador do milionário clube – e nem o de Pep..

Dez anos depois, Pep Guardiola está de volta à final de Liga dos Campeões em busca do tri como técnico. Campeão em 2009 e 2011, Guardiola tenta o tri neste sábado, quando o seu City enfrenta o Chelsea em uma final inglesa marcada para o estádio do Dragão, no Porto, em Portugal. A partida começa às 16 horas (de Brasília).

A CELEBRAÇÃO

A obsessão de Pep Guardiola pela posse de bola mudou o futebol moderno. O treinador espanhol levou o estilo de jogo à perfeição em seu primeiro trabalho no comando do Barcelona. O histórico time de Xavi, Iniesta e Messi conquistou tudo e mostrou ao esporte uma nova forma de ganhar e encantar.

O “tiki-taka”, como ficou conhecido o estilo baseado na intensa troca de passes e posse da bola, começou a ser copiado nos quatro cantos do mundo, mas nunca com tamanho sucesso quanto nos times de Guardiola. A famosa definição, porém, desagrada ao treinador.

“Eu odeio passar a bola só por passar, todo esse tiki-taka. Você tem que passar a bola com uma intenção clara, com o objetivo de colocá-la no gol adversário. O Barça não fazia tiki-taka. Foi completamente inventado. Não acredite em uma só palavra disso”, comenta o técnico no livro “Confidencial”, escrito pelo jornalista Marti Perarnau.

O problema da ineficiência em chegar ao ataque é recorrente em quem tenta emular as ideias de Guardiola, mas não com o treinador. Os times do espanhol são sempre protagonistas dos jogos e comandam a posse de bola, mas também criam muitas chances e invariavelmente marcam muitos gols.

Guardiola afirma ser “egoísta” no futebol, pois quer sempre a bola para si. O espanhol costuma dizer aos seus jogadores que enquanto tiverem a posse, não poderão sofrer gols, e assim, vencem jogos e campeonatos, espalhando cada vez mais o “guardiolismo” pelo mundo.

DISCÍPULO DE CRUYFF

Para conseguir entender o Guardiola treinador, é preciso voltar uns 30 anos no tempo para o Guardiola jogador.Revelado nas categorias de base do Barcelona, onde chegou aos 12 anos, Pep estreou como profissional em 1990 e permaneceu no clube durante 11 temporadas. Depois, ainda jogou na Itália (Brescia e Roma) e no Qatar (Al-Ahli), antes de se aposentar no México (Dorados), em 2006.

No Barça, onde passou a maior parte da carreira, o então dono da camisa 4 ganhou seis títulos espanhóis e fez parte de uma equipe que entrou para a história, o “Dream Tem” que deu aos catalães o primeiro troféu de campeão europeu, em 1992.

Guardiola foi medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos-1992 e disputou a Copa do Mundo-1994 pela seleção espanhola. Ele jogou ao lado de Romário, Ronaldo, Hristo Stoichkov, Gheorghe Hagi, Luís Figo, mas o craque que realmente o moldou estava no banco de reservas.

Futebolisticamente falando, Pep é um herdeiro direto de Johan Cruyff, lendário ex-jogador da Holanda que entrou para a história com o “Carrossel Holandês” e que comandou o Barça entre 1988 e 1996.

Foi a obsessão tática de Cruyff e sua paixão pela manutenção a todo custo da posse de bola que fizeram a cabeça de Guardiola. “Sem ele, eu não estaria aqui. Eu não teria a confiança necessária para fazer o que faço. As pessoas dizem: ‘Pep, você é o melhor’. Esquece isso. Cruyff foi o melhor… de longe”, disse Guardiola em 2018 ao jornal britânico “The Guardian”.

LENDA INSTANTÂNEA

Depois de ser campeão em sua primeira temporada no Barcelona B, Pep Guardiola foi logo anunciado como treinador do time profissional do Barça na temporada seguinte. Ganhou tudo.

Em sua primeira temporada, em 2008/09, Guardiola venceu o Campeonato Espanhol, a Copa do Rei, as Supercopas da Espanha e da Europa, a Liga dos Campeões e o Mundial de Clubes. Mais do que vencer, o Barcelona de Pep encantou a todos com o estilo autoral do espanhol, baseado na posse de bola.

Nas três temporadas seguintes, Guardiola empilhou troféus. Conquistou o tricampeonato espanhol, mais duas supercopas da Espanha e uma da Europa, outra Copa do Rei e novamente chegou ao degrau mais alto ao conquistar a Liga dos Campeões em 2010/11 e também o Mundial de Clubes (num jogo que os santistas jamais esquecerão).

Além dos dois títulos da maior competição europeia, Pep ainda levou o Barcelona até a semifinal nas duas outras oportunidades, mas acabou sendo derrotado. Foi justamente após a última eliminação, diante do Chelsea, que Guardiola anunciou publicamente que deixaria o clube catalão. À época o técnico afirmou que estava desgastado e precisava descansar. O retiro durou menos de um ano, quando o Bayern de Munique surgiu como possibilidade. (Do UOL)

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