Um clássico à moda antiga

Tuna comemora vitória sobre o Paysandu — Foto: Sílvio Garrido

POR GERSON NOGUEIRA

Quase ninguém lembrava mais de uma final de Parazão entre Tuna e PSC. Vai longe a época do último confronto decisivo entre ambos. Aconteceu no começo deste século. Há exatos 19 anos, o campeonato foi decidido entre tunantes e alvicelestes, com triunfo bicolor em dois confrontos (3 a 1 e 3 a 0). A retomada da rivalidade mostra ligeira vantagem em favor da Lusa.

Não é aquele favoritismo decorrente da diferença no placar agregado. A Tuna tem dois gols de frente, podendo perder até por um gol de diferença, mas chega em vantagem principalmente pela qualidade de seu time.

A marcação encaixada, a velocidade usada em todos os lances e a intensidade aplicada ao coletivo. São esses os principais conceitos exibidos e executados pela Tuna nas partidas do mata-mata do Parazão. É um time difícil de ser batido porque joga sempre no limite da determinação.

Superar equipes concentradas em vencer não é tarefa simples. A missão adquire contornos mais complicados ainda para um time que carece de entrosamento, cujas peças não rendem o esperado e que acabou de perder o treinador. Por tudo isso, o PSC vai ter que realizar hoje seu melhor jogo no campeonato, buscando a superação e evitando cometer erros.

Durante a semana, o interino Wilson Bezerra fez o possível para juntar os cacos após a goleada por 4 a 2. Além de treinos, o time teve que passar por apontamentos motivacionais. Ao que tudo indica, as escolhas para a partida seguem uma coerência que Itamar Schulle não teve.

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Um meio-campo com Jhonnatan, Elyezer e Marlon, nunca efetivado pelo ex-técnico, pode vir a funcionar melhor do que o anterior (Paulinho-Jhonnatan-Robinho), que atuou no primeiro confronto. A grande mudança, porém, pode estar na lateral esquerda, onde Diego Matos deve ser titular.

Foi justamente pelo lado esquerdo da zaga bicolor que a Tuna construiu sua vitória, domingo passado, explorando a lentidão de Bruno Collaço e a falta de cobertura no setor. Diego tem mais explosão, é rápido e mais eficiente nos cruzamentos.

O ataque – com Ari Moura, Nicolas e Igor Goularte – terá papel fundamental no jogo. De seu desempenho depende a sorte do Papão na final. Mas, para que o trio ofensivo funcione, será necessário que os meio-campistas e laterais cumpram adequadamente o seu papel.

Do lado da Águia Guerreira, o técnico Robson Melo se dedicou a reforçar as virtudes do time. Os treinos foram mais de manutenção, não há mudanças na formação. O que está claro é que a Tuna não pode mudar sua forma de atuar, mesmo com a vantagem de gols.

Precisa atacar sempre; é sua vocação. Nesse aspecto, contribui para que a final tenha ares nostálgicos. Nos idos de 60 e 70, os times jogavam basicamente para vencer, sem se importar em segurar resultado e praticar antijogo. Que o clássico seja disputado dentro desse espírito.

Curuzu sedia finais do Estadual de 20 em 20 anos

E lá vou eu, em nome das estatísticas (e com a ajuda do amigo Jorginho Neves), descumprir um compromisso da coluna, que é fugir das quase sempre tediosas sopas de números.

Desde que o estádio Jornalista Edgar Proença (Mangueirão) foi inaugurado em 1978, só em três oportunidades o Estadual não foi decidido lá. Em 1981, PSC x Izabelense, na Curuzu. Em 2001, Re-Pa, também na Curuzu. E agora, de novo.

São três decisões realizadas de 20 em 20 anos. Nas duas, por sinal, o Papão levou a melhor, sagrando-se campeão estadual. Cabe à Águia Guerreira tentar quebrar essa escrita favorável aos bicolores.

Os escaninhos revelam, porém, um feito cruzmaltino na última decisão entre ambos dentro da Curuzu. Foi em 1970, com vitória da Lusa por 1 a 0, gol assinalado pelo ponteiro Gonzaga.

Um outro aspecto curioso: no Campeonato Paraense de 2006, o Remo ficou em 3° lugar invicto e o PSC demitiu o treinador Marinho Peres após o primeiro jogo da final. Foi campeão nos pênaltis, sob o comando de Ademir Fonseca.

A última vez em que a Tuna teve vantagem de 2 gols contra o PSC acabou sofrendo a reversão no jogo de volta. Foi na disputa do extinto torneio Lúcia Penedo, em 2007. A primeira partida terminou 2 a 0 para os lusos e a segunda foi vencida por 3 a 0 pelos bicolores. Nos penais, Papão 5 a 4.

Bola na Torre

Valmir Rodrigues apresenta o programa, às 22h, na RBATV. Participações (home office) de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Em pauta, a grande final do Campeonato Paraense. A edição é de Lourdes Cézar.

Dedé não teria chances no Remo da Série B?

Ao observar o Remo importando zagueiros – Suéliton, Romércio – para a Série B, providência necessária tendo em vista os rigores da competição e as carências do time, não se pode evitar um questionamento simples. Por que não apostar também no bom Dedé, que faz um campeonato em alto nível, comandando a forte zaga tunante?

Dono de excelente impulsão e boa presença na área, poderia vir a ser útil até porque funciona bem num quesito que trouxe muitas dores de cabeça a Paulo Bonamigo na temporada: o jogo aéreo defensivo. Há dois anos, Dedé já havia mostrado qualidades defendendo o Independente.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 23)

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