POR GERSON NOGUEIRA
Wembley, Bombonera, Santiago Bernabéu, Camp Nou, San Paolo, Soccer City, Anfield. Todos têm em comum uma santidade óbvia dentro da esfera de pertencimento do futebol no mundo. São templos sagrados, merecedores de respeito. Há, porém, um detalhe significativo. Antes e acima de todos, paira a imagem grandiosa do Maracanã, nome popular do estádio Mário Filho, construído no Rio de Janeiro para a Copa do Mundo de 1950.
Desde que foi inaugurado, o Maraca virou alvo de admiração mundial. Foi o maior estádio de futebol do mundo por décadas. Chegou a receber públicos superiores a 200 mil pessoas. Tinha oficialmente 155 mil lugares, capacidade que superava o Hampden Park, de Glasgow.
Eram tempos felizes de geraldinos e arquibaldos, derivativos de geral e arquibancada, as duas únicas dependências do gigantesco Maracanã dos tempos sem camarotes vips, restaurantes finos e outras iscas de comodidade hoje utilizadas para aumentar as cotas de faturamento.
Jornalista respeitadíssimo no Rio de Janeiro da primeira metade do século XX, influente pela penada fina e caprichada, Mário era irmão mais velho de ninguém menos que Nelson Rodrigues, o anjo pornográfico, dramaturgo maldito e pai do Sobrenatural de Almeida. Mário não era qualquer um.
Naqueles tempos de profunda atividade política nas redações, a influência do cronista foi determinante para o projeto que beneficiou o futebol e o desenvolvimento da própria Cidade Maravilhosa.
Com justiça, anos depois de sua morte, o estádio Municipal seria rebatizado como “Mário Filho”. Permaneceu assim por mais de meio século, até que nesta semana um estapafúrdio projeto urdido na notória Alerj resolveu conspurcar a obra que resume a própria história do futebol no Brasil.
Além da Copa de 50, o Mário Filho foi palco de competições importantes, como o torneio de futebol da Olimpíada de 2016 e a final da Copa de 2014. Presenciou firulas magistrais e gols icônicos de Garrincha, Didi, Zico, Romário e o 1000º de Pelé. E é justamente para homenagear um Rei já tão homenageado que pretendem destronar Mário Filho.
Não que o Rei tenha culpa. Provavelmente nem foi consultado a respeito. O problema é de oportunismo mesmo, a busca da treta e dos debates imbecis nas redes sociais, uma das novas pragas entronizadas no país da pandemia. Só sei que Mário Filho não merecia tal insulto.
Como diz o jornalista e escritor Luiz Antonio Simas, “Pelé merece todas as homenagens, sem dúvidas. No bairro do Maracanã mesmo, pertinho do estádio, existe uma praça chamada Presidente Emílio Garrastazu Médici. Fica a sugestão: tirem da praça o nome do ditador e coloquem o do Rei do Futebol”. Se a ideia é homenagear, que façam as trocas corretas.
Ameaça constante ao nome oficial do Mangueirão
Aqui em pleno Norte o estádio Jornalista Edgar Proença tem alguma semelhança com o histórico do Maracanã em função de também ostentar no nome tributo a um jornalista de imensa importância para o desporto e as comunicações no Estado. Fundador da PRC-5, Rádio Clube do Pará, a quarta emissora fundada no Brasil, Edgar era um apaixonado por futebol e foi simplesmente o pioneiro da radiofonia na Amazônia.
O estádio, construído ao longo de quase uma década, foi inaugurado no dia 20 de fevereiro de 1978 meio às pressas, sediando o jogo Remo x Operário-MS pelo Brasileiro de 1977. A conclusão veio em 2002, quando passou a ter oficialmente o nome de Jornalista Edgar Proença.
Nesse período de duas décadas, a homenagem dada pela Assembleia Legislativa correu riscos. Chegou a ser alvo da cobiça de personalidades estranhas ao esporte, mas ávidas por preservar lugar na posteridade.
A contínua falta de cuidados com a estrutura física do estádio denotava certa má vontade, apesar da óbvia importância que tem para o futebol paraense. A placa oficial traz até hoje uma indelicadeza em relação ao homenageado, cujo nome está grafado erradamente.
Menos mal que o governador Helder Barbalho decidiu levar a peito a reforma modernizante que o estádio Jornalista Edgar Proença fazia por merecer. Pelos próximos 18 meses, a obra dará novos ares ao Mangueirão, a começar pela capacidade ampliada (55 mil) e inovações no padrão Fifa.
Bola na Torre
O programa vai ao ar às 22h30, na RBATV, com apresentação de Valmir Rodrigues. Participações (home office) de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em debate, Campeonato Paraense e Copa do Brasil. A edição é de Lourdes Cézar.
Atuação no Rio torna Ruy atração no Papão
A vitória sobre o Madureira, quarta-feira, trouxe à tona pela primeira vez o protagonismo de Ruy no meio-campo do PSC. O meia-armador atuou em bom nível, organizou ataques e comandou todas as ações criativas. De quebra, deu o cruzamento/passe perfeito para o gol de Denilson.
Além de exibir mais desembaraço na equipe, a partir do maior entrosamento com os companheiros, deu sinais claros de que pode ser o camisa 10 há muito esperado pela torcida do PSC – a rigor, desde 2013, quando Eduardo Ramos passou pela Curuzu.
Ruy poderá ser melhor observado pela torcida neste domingo contra o Carajás, na terceira apresentação do Papão no Estadual. Boa oportunidade para ele e para o PSC, que ainda não deslanchou na competição.
(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 14)
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