Em busca do nível máximo

POR GERSON NOGUEIRA

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Imagino que João Brigatti mostrou aos jogadores as imagens da vitória sobre o Ferroviário, por 3 a 0, no estádio Jornalista Edgar Proença, na 16ª rodada da Série C. Foi a melhor apresentação em toda a competição. Quase sem erros. Controlou o adversário, decidiu a partida em momentos cruciais, não correu riscos e sobrou em campo.

Como o conjunto funcionou à perfeição naquela noite, as individualidades apareceram em destaque. Marlon foi o grande homem do jogo, com gols no início dos dois tempos. O primeiro veio num cabeceio desequilibrado que acertou o alvo. O segundo, de puro oportunismo, com rapidez na chegada à área e pontaria na finalização.

A boa atuação da equipe permitiu até que Nicolas, tímido em rodadas anteriores, encontrasse um novo lugar para jogar. É preciso entender a real importância do atacante para o equilíbrio e a confiança no time. Contra o Ferroviário, Nicolas foi municiador dos companheiros de ataque. Jogou mais na armação do que no ataque. Talvez seja sua verdadeira vocação.

Brigatti deve estar avaliando que os rápidos Vítor Feijão e Marlon precisam de espaço para jogar. Atuam em alta intensidade, gostam do drible e das arrancadas. Não podem ficar longe da área inimiga.

A partida deste domingo contra o Ypiranga, pela primeira rodada da fase de grupos, precisa mostrar um Papão parecido com aquele que demoliu o Ferroviário e mais plugado que a equipe que passou com dificuldades pelo Botafogo-PB na penúltima rodada da primeira fase, vencendo por 1 a 0, com gol do zagueiro Perema.

Não me refiro ao Re-Pa porque não conta. O clássico deve ser esquecido, pois não passou de jogo de cena, mera confraternização.

Diante dos gaúchos, que terminaram na liderança do grupo B, o Papão terá que ser resoluto, organizado e disciplinado na busca pela vitória. A competição não permite tropeços dentro de casa. Quem deixar de pontuar como mandante estará sabotando o caminho para o acesso.

Os oito jogos de invencibilidade, que garantiram a presença na etapa decisiva do campeonato, são credenciais para o embate com Londrina, Ypiranga e Remo no grupo D. O respeito dos adversários é a prova de que o time fez bem o seu papel até aqui. Precisará, porém, fazer mais, atingir o nível máximo de competitividade para conquistar o acesso. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Um ás das provas abertas que virou herói da guitarra

Carlos Duarte Reimão tinha 15 anos quando foi disputar a prova de travessia Almirante Tamandaré, em Manaus, num domingo como este, 13 de dezembro de 1970. Era nadador do Remo, tinha vencido inúmeros desafios em Belém, incluindo a prova da baía do Guajará.

Foi a Manaus acompanhado por três amigos e colegas de nado em Belém – Ivanildo Guerra, Raimundo Ampuero e Adolfo Fischer, todos na faixa de 15 anos. Ficaram com quatro dos cinco primeiros lugares da prova.

As fotos da época mostram Reimão com aquele jeitão de menino recém-saído dos cueiros. Os jornais de Manaus celebraram o feito dos moleques paraenses. Reimão era especialista em águas abertas. Participou, em fevereiro daquele ano, da travessia da Baía de Todos os Santos, de Itaparica até o Porto da Barra, em Salvador.

Um erro do guia impediu que ele vencesse a prova baiana, mas três meses depois conseguiu um triunfo consagrador na Guajará, percorrendo cinco quilômetros. Ouvi a prova narrada, de ponta a ponta, pela equipe da Rádio Clube do Pará, capitaneada pelo mestre Edyr Proença.

Reimão guarda lembranças da viagem até Manaus num Búfalo da FAB, com escalas em aldeias indígenas. A boa recepção na capital baré virou consagração na manhã da prova, com 24 competidores. Após duas horas de luta contra a força das águas, Reimão se distanciou dos demais.

Não sem enfrentar problemas com o guia, outra vez. Quase foi encaminhado para o local errado. O erro foi corrigido a tempo e ele, com a folga na prova, atingiu a linha de chegada sem problemas.

Ao pisar na areia, Reimão abriu os olhos e foi fuzilado por flashes dos fotógrafos. “Nunca esqueci aquela surpresa. Até hoje permanece em meus ouvidos o ruído que as máquinas fotográficas faziam”, ele relembra, com o troféu e o agasalho remista que conserva até hoje.

A premiação foi entregue pelo capitão dos Portos e pelo governador amazonense Duarte Areosa. Para provar que mantém o talento, Reimão venceu há três anos as seis provas da Olimpíada da Magistratura em Belém.

Os rumos profissionais mudaram. Reimão largou a natação e é hoje o mais aclamado guitarrista da noite paraense, executor dos maiores clássicos do rock mundial, com particular ênfase no repertório dos Beatles. Craque nas águas e na música.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, com participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Em destaque, a Segundinha do Parazão e a primeira rodada da fase de grupos da Série C. A direção é de Toninho Costa.

VAR e tabelas amigas explicam alguns êxitos na Série A

A conta é simples. O Flamengo fará quatro jogos em casa entre a 25ª e a 29ª rodadas. Parece pouco? São 12 pontos em disputa num momento de definição do campeonato. Mas, no caso rubro-negro, a ocorrência é rotineira. Aconteceu assim em 2017 e 2018. Curioso é que ninguém protesta. Ou, se protesta, ninguém liga. O Fla, além disso, também desfruta de íntima relação com o VAR.

O clube da Gávea não está sozinho no favorecimento das tabelas. O São Paulo fará quatro partidas no Morumbi entre a 31ª e a 35ª rodadas. Há quem cisme em chamar isso de erros, mas os campeonatos europeus provam que é possível fazer tabelas sem favorecer ninguém. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 13)

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