Desdobramentos do clássico

POR GERSON NOGUEIRA

Eduardo Ramos está fora do clássico decisivo pelo Parazão — Foto: Talita Gouvêa/Remo

Bicolores em êxtase, remistas aborrecidos. Foi assim o dia seguinte ao Re-Pa que abriu a decisão do Campeonato Estadual, na quarta à noite, com virada do Papão nos minutos finais. Cenário típico de ressaca do clássico da Amazônia desde o tempo em que as multidões descobriram e assumiram a paixão pelas duas bandeiras. A véspera é de ansiedade e a manhã posterior ao jogo é dedicada ao esporte da encarnação nas esquinas, bares e locais de trabalho. Uma gostosa tradição do clássico.

Nas hostes azulinas, uma notícia deixou a torcida inquieta: a do desfalque representado pela ausência de Eduardo Ramos. Mesmo antes do diagnóstico confirmando a lesão, através dos médicos do clube, um áudio vazou nas redes sociais mostrando o pessimismo do jogador quanto a uma recuperação que permitisse estar na segunda partida.

Não é uma perda qualquer. ER é hoje o melhor jogador do Remo e sua principal referência. Para piorar, não há no elenco nenhum outro jogador com as mesmas características dele, que é organizador, camisa 10 clássico e também finalizador – marcou sete gols nas nove partidas que o time disputou desde a retomada das competições.

Sua saída logo aos 8 minutos do tempo final do clássico foi determinante para a acentuada queda de rendimento do time, que foi sufocado pelo Papão e não sustentou a vantagem estabelecida no primeiro tempo. Douglas Packer, substituto de ER, teve atuação apagada.

Para o confronto final, o técnico Mazola Junior terá que reformular a formação e o próprio sistema utilizado até agora, com aproveitamento satisfatório até o Re-Pa. Os erros evidenciados no meio-campo tiveram consequência direta na atuação da zaga e do ataque.

Apesar das negativas do treinador, a estratégia era a de aproveitar a tal uma bola e depois segurar o resultado. Só funcionou até os 40 minutos e não impediu a virada alviceleste, conquistada após persistente busca do gol.

Um time que joga por uma bola sempre corre riscos imensos, ainda mais quando tem pela frente um adversário tradicional, conhecedor de seus segredos e com um técnico inteirado da história do Re-Pa.

Pelos jogadores disponíveis no elenco, Mazola pode designar Carlos Alberto ou Robinho para a vaga de Eduardo Ramos, mas este não é o único problema azulino para o jogo que decidirá o campeonato. As laterais precisam de mais reforço. Por lá, o PSC encaixou todas as suas investidas no 2º tempo sem sofrer combate ou resistência.  

Everton é o titular na direita e Marlon na esquerda, mas a possibilidade de  escalação de Djalma e Dudu Mandai não está descartada, bem como a chance de o velocista Ronald finalmente entrar no ataque. A conferir.

Uilliam e Netinho surpreendem pelo espírito de decisão

Do rol de contestados do elenco do PSC, com atuações que normalmente geram críticas de torcedores e analistas esportivos (como este que vos escreve), Uilliam Barros e Netinho calaram todos os ranzinzas de plantão com gols que garantiram a vitória bicolor no Re-Pa. Uilliam aparou a bola no ar, armou a meia bicicleta cercado por três marcadores e mandou no ângulo direito, sem defesa para o goleiro Vinícius. Espetacular.  

Uilliam Barros comemora o gol de empate no clássico

Quando Uilliam fez o gol pouca gente percebeu que a jogada nasceu de uma assistência primorosa do lateral Netinho, que havia entrado minutos antes em substituição a Tony. Netinho seria também o ator principal da jogada que culminou com o gol da virada, aos 43 minutos.

Um gol importantíssimo, que confirmou a reação contra o maior rival e garantiu a vantagem para o embate de domingo. Titular do banco de reservas, como Uilliam, Netinho sempre entra na parte crepuscular dos jogos sem muito tempo para mostrar serviço.

Uilliam havia entrado aos 25 minutos do 2º tempo e fez uso de um recurso só possível para quem domina fundamentos básicos. De costas para o gol, teve que tomar uma decisão em fração de segundos e ser ágil o suficiente para arriscar uma jogada que raramente termina bem.

Aliás, quis o destino que estivesse dentro da área naquele instante, quando o time já demonstrava cansaço de tanto insistir em busca do gol. Em geral, ele atua na faixa direita, explorando os lados da área. Como diz a velha máxima, a bola procura o bom jogador. Que ninguém mais ouse dizer que Uilliam é caneleiro ou perna-de-pau.

O mesmo vale para o pouco badalado Netinho, que marcou pela primeira vez num clássico decisivo e fez logo um gol de centroavante rompedor, aos 43 do 2º tempo. Mais emocionante, impossível.

Direto do blog campeão

“Como podem esses dois times aspirar subir para uma Série B? No que tange ao time pelo qual torço, o Remo, não passa de um amontoado de jogadores bem abaixo da média. Seu treinador, retranqueiro, povoa o meio de campo com médios defensivos, que erram passes de dois metros. Qualquer time mais ou menos bem treinado, ganhando o jogo já na reta final, adota o recurso de segurar a bola, trocar passes e deixar passar o tempo. Mas, os jogadores do Remo, como tática, recuaram para garantir o placar de 1 x 0, dando campo para o adversário atacar, fazer dois gols e ganhar o jogo no finalzinho. O gol do Remo saiu de uma falha do goleiro rival. No deserto de bons jogadores, Eduardo Ramos, ainda ele, se destaca. Do outro lado, Nicolas se apresenta como bom jogador, decisivo. Mas, é só. Futuro sombrio para os dois na Série C”. Miguel Carvalho

“O VAR está para o futebol brasileiro assim como a delação premiada está para a operação lava-jato. O problema não está no instrumento, mas em quem o opera”. Luís Mariano

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 04)

4 comentários em “Desdobramentos do clássico

  1. O clássico sempre apresenta surpresas. Nem sempre vence o que joga melhor, o que possui melhores jogadores, o que domina o jogo. Aí está a graça do grande jogo. Aí está também a esperança do perdedor e de sua torcida para o próximo jogo. Sem também deixar de ficar com uma ponta de desconfiança num fracasso iminente.

    É sempre bom o participante ver seu comentário replicado neste prestigiado blog e no DP. Dois espaços que frequento diariamente. Faço apenas uma correção: quem coloca em dúvida o destino de Remo e Paysandu na Série C é Miguel Silva, por coincidência, eu.

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  2. Penso que o Remo não levará essa taça, e as desculpas já estão prontas (a ausência do Eduardo será a principal, embora o PSC não tenha um “10” clássico). Duvido que o regional Ronald entre na onzena titular, mas não duvido que o Mazola entre com o Zé Carlos e ainda mantenha o Gelson.

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  3. Uma correção amigo Gerson, eu MIGUEL Carvalho sou Paysandu de coração.
    Acredito que foi o homônimo Miguel Silva, este sim torcedor do rival.
    Kkkkk
    Mas estou com a pulga atrás da orelha.

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