Suspeito de fraude, guru da direita e consultor da família Bolsonaro é preso nos EUA

Ex-conselheiro de Donald Trump na Casa Branca e um dos maiores gurus da direita atual – inclusive tendo prestado consultoria ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e à campanha presidencial de Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018 -, Steve Bannon foi preso hoje sob suspeita de fraude.

A Procuradoria de Nova York acusa Bannon e outras três pessoas – Andrew Badolato, Brian Kolfage e Timothy Shea – de enganaram doadores no esquema de arrecadação de fundos online “We Build The Wall (“Nós Construímos o Muro”). A motivação da campanha – que juntou mais de US$ 25 milhões (cerca de R$ 140 milhões) – seria arrecadar dinheiro para construir um muro na fronteira com o México, mas os acusados teriam usado os recursos para uso pessoal.

De acordo com a acusação, Bannon prometeu que 100% do dinheiro doado seria usado para o projeto, mas os réus usaram coletivamente centenas de milhares de dólares de uma maneira inconsistente com as representações públicas da organização.

“Eles fraudaram centenas de milhares de financiadores capitalizando o interesse deles em financiar a construção do muro na fronteira e com o falso pretexto de que os recursos seriam gastos na obra”, disse a procuradora Audrey Strauss, do Distrito do Sul de Nova York.

De acordo com a acusação, Kolfage ficou com US$ 350 mil dólares para financiar seu “luxuoso estilo de vida”, e Bannon desviou US$ 1 milhão para uma organização sem fins lucrativos que pagou secretamente a Kolfage “e cobriu centenas de milhares de dólares de gastos pessoais de Bannon”.

Os quatro detidos foram acusados de dois crimes: fraude bancária e conspiração para lavagem de dinheiro. Cada delito pode resultar em uma pena máxima de 20 anos de prisão. Bannon deve comparecer nas próximas horas a uma audiência com um juiz federal de Nova York para a leitura das acusações.

Estrategista de Trump, Steve Bannon comandava o site conservador Breitbart e foi escolhido para liderar a reta final da campanha presidencial de Donald Trump em 2016. Vencida a eleição, ele passou a ocupar um cargo importante de estratégia na Casa Branca, mas lá ficou por menos de um ano.

Combativo e contundente, Bannon era a voz de um conservadorismo nacionalista e pressionou Trump a cumprir algumas de suas promessas de campanha mais controversas, incluindo a proibição de entrada para alguns turistas estrangeiros e a saída do acordo de Paris sobre o meio ambiente. Mas Bannon também entrou em conflito com outros conselheiros importantes, e seu perfil combativo às vezes irritava o presidente norte-americano. Ele foi afastado em agosto de 2017.

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Guru da direita

Bannon é considerado um dos ‘gurus’ da direita no mundo. Ao longo dos últimos anos, ele fortaleceu laços com a extrema-direita europeia, como o italiano Matteo Salvini e a francesa Marine Le Pen, e se aproximou da família Bolsonaro. Ele também tem conexões na ala ultraconservadora da Igreja Católica americana, que faz oposição ao papa Francisco. (Do UOL)

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