Há perigo real e imediato

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo Liverpool x Atlético de Madrid, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, disputado no dia 11 de março deste ano, é apontado como um dos fatos que contribuíram para a explosão de casos de novo coronavírus na Inglaterra. A grande aglomeração de pessoas teria causado 41 mortes, segundo o estudo do “Edge Health” publicado domingo pelo jornal The Sunday Times.

Para os especialistas do Edge Health, instituição que analisa dados para o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa), a realização da partida em Liverpool causou 41 mortes por covid-19 entre 25 e 35 dias depois da data do jogo, um dos últimos grandes eventos públicos na Inglaterra antes do início da quarentena.

A partida arrastou 54 mil torcedores ao tradicional Anfield, do Liverpool, incluindo 3 mil adeptos do clube de Madri, que viajaram à Grã-Bretanha dias antes do governo espanhol fechar as fronteiras do país devido à pandemia. O time dirigido por Diego Simeone venceu o duelo de virada, por 3 a 2, na prorrogação, e avançou às quartas de final da Liga dos Campeões.

O reconhecimento do perigo que grandes concentrações de torcedores representam à saúde da população em tempos de pandemia deveria servir de reflexão no momento em que alguns clubes brasileiros, Flamengo à frente, pressionam pela volta dos jogos – e com torcida nos estádios.

Com a ideia fixa de atenuar o déficit financeiro decorrente do período de suspensão das atividades, o Flamengo já recorreu até ao presidente da República, endossando o discurso anticiência e pró-abertura de atividades não essenciais e continua a forçar barra no âmbito do futebol carioca.

Rodolfo Landim, presidente do clube, cuja postura arrogante costuma despertar críticas dentro do próprio Flamengo, passou a rebater asperamente a postura de Botafogo e Fluminense que se posicionam contra o retorno imediato do Campeonato Carioca.   

A atitude da diretoria do Flamengo, apoiada pela do rival Vasco, desafia toda a orientação das autoridades sanitárias, unânimes em recomendar que a volta de atividades não essenciais seja postergada por mais alguns meses, até que a pandemia esteja devidamente controlada no país.

Mais de 24 mil pessoas já morreram devido à covid-19. É absolutamente inaceitável que alguém defenda a volta do futebol, principalmente no Rio de Janeiro, Estado onde o índice de contaminação aumenta verticalmente.

O mais estarrecedor é o argumento de Landim quanto à necessidade de reabertura dos jogos. Ele acha que o crescimento do número de contágios por covid-19 não é motivo para manter a modalidade paralisada. Entende que os protocolos elaborados no Rio são suficientes para uma volta segura.

Em sentido oposto, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, manifestou oposição à volta das competições, criticando em carta aberta a postura de quem tenta “jogar sozinho”. Sinal de que ainda há pensamento lúcido entre os dirigentes dos maiores clubes do país.

Dor pelas perdas humanas supera o drama do confinamento

“O Flamengo, na pessoa do seu presidente, deixou muito claro que está pensando apenas nele. O que mostra, para mim, um comportamento muito individualista, quase egoísta, diante dos números que são mostrados todos os dias. O presidente do Flamengo disse ontem, por exemplo, que a pandemia está trazendo muitos problemas psicológicos para as pessoas, que estão sofrendo por ficar em casa. Acho que [estão] sofrendo muito mais as famílias das 24 mil pessoas que morreram até agora”, afirmou ontem o comentarista Flávio Gomes em programa da Fox Sports Rádio, com a contundência verbal conhecida. Cobrou também um posicionamento mais claro e corajoso por parte da CBF.

“Pensar no futebol, diante de tanta gente sofrendo e morrendo, é uma coisa menor. Acho que a resposta do Corinthians vem em bom momento. Se cada categoria profissional resolver agir por conta própria, nós estamos ferrados. Aí, realmente, abre a porteira e vamos empilhar cadáver. É mais ou menos isso que vai acontecer se cada um resolver fazer a coisa do jeito que bem entender”, completou.

A coluna assina embaixo.

Meia é maior vítima da quarentena no futebol do Pará

Carlos Alberto, meia-armador indicado ao Remo pelo técnico Márcio Fernandes no começo da temporada passada, é seguramente um dos jogadores mais ansiosos pelo retorno das competições após a quarentena pela pandemia de covid-19. Na verdade, ele foi também o mais prejudicado no elenco azulino com a interrupção forçada.

Começava a se exercitar normalmente com o elenco remista, depois de vencer grave enfermidade no ano passado – situação que o afastou das atividades esportivas por mais de seis meses –, quando veio a pandemia e todos precisaram ficar isolados em casa.

Para a retomada, que deve ocorrer entre final de julho e começo de agosto, Carlos Alberto é uma das boas opções à disposição do técnico Mazola Jr. para ocupar espaço criativo no meio-campo. Além de jovem, é um jogador de grande capacidade ofensiva e boa finalização.

Quando ainda estava em plena forma, na Série C 2019, chegou a ser uma importante arma ofensiva, caindo pelo lado esquerdo do ataque e avançando em diagonal rumo à área. Fez boa parelha com Douglas Packer (que deixaria o time em meio à competição) e marcou gols importantes na fase invicta do Remo na competição.  

Carlos Alberto pode dar o toque de qualidade e velocidade na transição ofensiva que Robinho, por exemplo, não conseguiu ao longo de toda a primeira fase do Parazão. Ao mesmo tempo, funcionará como um bom parceiro para Eduardo Ramos ou Packer, contribuindo ainda para diminuir a média etária da equipe.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 27)

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