POR GERSON NOGUEIRA

A campanha é surpreendente, acima das expectativas de seu próprio torcedor. O Castanhal é um dos líderes do campeonato, tem 4 vitórias em cinco jogos disputados e aproveitamento de 80%. O estilo é agressivo, rápido e de busca incessante pelo gol. Falando assim parece até discurso de Rafael Jaques no Remo, mas é o que Artur Oliveira conseguiu tornar real no Japiim.
É juto reconhecer que, ao contrário da dupla Re-Pa, com quem divide a ponta da tabela, o Castanhal só ganhou uma partida em casa, no estádio Maximino Porpino, em cima do Carajás, por 3 a 0. As outras três foram obtidas em Cametá contra o Independente (3 a 2), em Belém diante do PSC (3 a 2) e em Santarém sobre o Tapajós (2 a 1).
Marcou 12 gols e sofreu sete. Tem o artilheiro (Pecel, 6 gols) e a principal revelação do Parazão, o meia Dioguinho. Além deles, Artur conseguiu extrair bom rendimento de um grupo que conta com João Leonardo, Léo Rosa, Santa Maria e Keoma.
Para uma competição de tiro curto como é o Estadual, a estratégia de partir sempre em direção ao gol, num esforço que só cessa quando soa o apito final, é uma prova da qualidade do trabalho de Artur Oliveira, que já demonstrou capacidade ao comandar e montar o Bragantino.
Teve breve passagem pelo Remo na Série C, em 2018, mas acabou prejudicado pelas escassas opções para estruturar a equipe. No Braga, foi mais feliz. Revelou Pecel e Keoma, que hoje contribuem para a caminhada do Castanhal, a equipe de melhor desempenho no atual campeonato.
A vitória sobre os bicolores na terceira rodada foi o ponto alto da campanha, respondendo pelo entusiasmo e confiança que a equipe exibe a cada rodada. O confronto de hoje com o Águia, em Castanhal, pode consolidar a arrancada pela classificação às semifinais. (Foto: Jivago Lemos/Ascom Castanhal)
Leão estreia Mazola e busca a reabilitação
O adversário não poderia ser melhor para o atual momento dos azulinos. O Carajás, lanterna do campeonato, surge como franco-atirador na manhã provavelmente ensolarada de domingo no estádio Evandro Almeida. Apesar do favoritismo, o Remo precisa ter em mente as dificuldades enfrentadas no jogo do ‘turno’, quando penou para vencer por 1 a 0.
Mazola Jr. estreia no comando e impõe mudanças importantes, algumas por questões técnicas, outras por necessidade. Talvez a mais significativa mexida seja a escalação de Charles, que assume a titularidade substituindo ao opaco Xaves, que foi titular absoluto com Jaques.
Lukinha, ausente nos últimos jogos, será o meia de ligação, dividindo a tarefa com Robinho, outro imexível sob o comando do ex-técnico. Djalma, velho conhecido do treinador, ganha um lugar em sua posição de origem.
No ataque, com a ausência de Gustavo Ermel, Mazola viu-se obrigado a escalar Jackson e Geovane. Tinha a alternativa de lançar Hélio Borges ou Wesley, mais velozes pelos lados. De toda sorte, parece uma formação mais coerente e equilibrada que as últimas escalações de Jaques.
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro comanda o programa a partir das 22h30, na RBATV, logo depois do jogo da NBA. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, gols e análises da 6ª rodada do Parazão.
Carniceiro implacável e com licença para matar
Há jogadores que se tornam famosos pelos dribles, lançamentos e capacidade de encantar plateias. Outros, ao contrário, entram para a história pela porta dos fundos, marcados pela violência desmedida e impune. É o casso de Fagner, lateral do Corinthians e da Seleção de Tite, cujo histórico de sarrafadas supera qualquer outro apontamento estatístico.
A última foi sobre o atacante Marlon, do Santo André, atingido brutalmente por trás. Fagner recebeu apenas um cartão amarelo. Já havia deixado um são-paulino arriado no clássico de uma semana atrás.
É espantoso que um jogador tão associado a práticas desleais seja alvo de tanta benevolência por parte de árbitros e da própria Justiça Desportiva. Nunca é demais lembrar que Fagner nocauteou Ederson (então no Flamengo) em 2016 com uma tesoura voadora de alta letalidade.
O atacante ficou praticamente impedido de continuar jogando em alto nível e acabou por antecipar a aposentadoria. Fagner, porém, continua com carta branca para distribuir coices e pontapés. Como um James Bond dos gramados, ele tem licença para matar.
Um boleiro daqueles tempos sem executivos
Alex Dias conta, no programa Resenha (ESPN), que o Remo surgiu na vida dele quando já pensava em desistir da profissão e jogador. Recebeu um convite de um amigo, Helenílton, e se mandou de João Brilhante (MS) até Belém, de ônibus, para se apresentar no Evandro Almeida. Chegou sem pompa, ficou treinando um mês e meio, passou pelos aspirantes e quando virou titular não saiu mais do time.
Caiu nas graças da torcida do Leão com dribles, gols de voleio e por cobertura, como dois golaços conta o PSC no Mangueirão. Humilde, recordou a goleada sofrida frente à Tuna do craque Giovane.
Em participação gravada, o técnico Hélio dos Anjos elogiou o futebol de Alex e contou que resolveu apostar calças da moda com ele quando comandava o time do Goiás. O acerto previa uma calça de presente a cada gol de voleio. Hélio diz que gastou uma boa grana pagando a aposta.
Alex foi um dos últimos jogadores importados que realmente funcionaram no futebol paraense. Veio jovem e aqui despontou. Era um tempo feliz, com olheiros voluntários e ainda sem executivos.
(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 01.03)
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