Sem direito a novos erros

POR GERSON NOGUEIRA

Nas últimas 72 horas já foi especulado que o Remo traria Paulo Bonamigo, técnico do Boa Vista, vice-campeão da Taça Guanabara. Falou-se também em Mazola Jr. e Silas. Outros nomes menos votados circulam por aí, mas o que importa é que a diretoria terá que apresentar um novo comandante nas próximas horas, tomando o cuidado para não queimar expectativas com apostas temerárias.

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O perfil buscado no mercado é de um treinado experiente, que conheça bem a Série C e que esteja familiarizado com os desafios de dirigir um time de grande torcida. Os dois últimos técnicos que passaram pelo clube, Eudes Pedro e Rafael Jaques, tinham no currículo pouquíssima rodagem.

Ambos tinham, em seu favor, o fato de representarem uma nova geração de treinadores. Contra, porém, havia a inexperiência. Prevaleceu no fim das contas a falta de habilidade para lidar com o dia a dia do Remo, sujeito a cobrança e pressão. Eudes durou 50 dias no cargo, Jaques ficou por 65.

O próximo ocupante do cargo terá que derrubar a desconfiança da torcida em relação aos técnicos e trabalhar muito para que o time funcione e desfaça a péssima imagem que a massa azulina tem do elenco atual. Será um trabalho hercúleo, indicado para profissionais cascudos.

Talvez o grau de dificuldade da função esteja influindo na demora para chegar a uma contratação. Os dirigentes sabem que não podem mais errar.

A conta doloroso de um pênalti perdido

Jackson Martinez, do Portimonense, bateu um pênalti ontem contra o Porto como quem joga futebol americano. Um negócio horroroso. A bola passou vários metros acima do travessão. Precisa treinar muito para errar a direção da trave daquele jeito.

A partida estava 0 a 0, no estádio do Dragão, e o Portimonense flerta com o rebaixamento, o que só agrava a barbeiragem do camisa 9. Martinez já defendeu grandes clubes europeus e jogou até no próprio FC Porto.

Quando os times desceram para os vestiários no intervalo fiquei com a impressão de que o técnico iria substituir Martinez, depois de uma boa esculhambação. Ele foi mantido até os 15 do 2º tempo, mas claramente não tinha clima para continuar.

O Portimonense ainda segurou bravamente o 0 a 0 até 43’, mas aí o brasileiro Alex Teles (ex-Juventude) acertou um disparo espetacular de fora da área, garantindo a vitória suada e a liderança do campeonato.

Um desfile de opiniões pertinentes

“Prezado, podia fazer um texto imenso explicando um monte de coisas. Mas, só morando fora por muitos anos pra entender alguns sentimentos. Vou resumir. O Pará foi muito afetado ao longo do tempo pelo descaso. A região Norte não existe no ‘Sudeste maravilha’. A opressão da parte mais abastada do país fez o paraense se acomodar e buscar um universo paralelo para viver. Por isso, a música do Estado tem o apelido de MPP. Você já ouviu falar em MPRJ, MPBA, MPPE, MPSP, MPSE, MPDF e por aí vai? O carinho relacionado à sigla é claramente uma autoexclusão. Nas prateleiras das lojas de música do Pará existe a parte da MPP e a parte da MPB. O futebol vai por aí, assim como o carnaval. Criou-se um universo paralelo sem nenhum profissionalismo, com famílias sem noção se apoderando dos clubes. Os torcedores do Pará não torcem por seus times, eles torcem pela derrota dos adversários. A alegria não está na vitória, mas na desgraça alheia. O profissionalismo no Pará é pequeno, em todas as áreas. Claro que existem as exceções. A autoestima é ínfima. Assista o filme do Paysandu que isso fica muito claro. Foi preciso cortar muito das respostas pois o impossível e o improvável davam o tom quase que em 100% delas. E quem faz alguma coisa? Os gols do Fantástico não passam os gols daí mas passam de Natal, Recife, Salvador, Fortaleza. E daí se o universo paralelo acomoda a sensação de pertencimento dos paraenses? Belém é uma das cidades mais querida do país por sua cultura, o que salva o Estado. É quase unanimidade nesse quesito. Todos aqui querem bem o Pará, menos os paraenses”. Marco André Oliveira, músico e cineasta, sobre decadência e isolamento

“Meu filho de 8 anos(Arthur, em homenagem ao atual técnico do Castanhal) me pergunta: ‘Pai, quando o Remo jogou a primeira divisão?’. Desde o declínio da Tuna, que sempre formou excelentes jogadores, dando chance para talentos regionais, os Gigantes Paraenses seguiram ladeira abaixo. Muitos craques da Tuna fizeram sucesso, na dupla Re-Pa, e até mundo afora. A Tuna tinha paciência com seus jogadores, algo que a dupla Re-Pa não tem, o imediatismo marca os dois. Graças às torcidas o futebol paraense ainda respira. Difícil fazer com que a geração atual não acompanhe e torça pelos Barcelonas, Real Madrid, Liverpool da vida…”. Valter Aragão comentando a carta de Jurgen Klopp

“Todo ano essa mesma ladainha. Remo contrata técnicos forasteiros que não conhecem o futebol local, indicam uma renca de jogadores inúteis, deixa no banco quem teria mais condições de jogo, montam um time sem nenhum plano ou estratégia de jogo, iludem os torcedores com vitórias magras e sofridas sobre os pífios times locais, e quando tomam sapatadas de qualquer time de fora, sem tradição, são sumariamente demitidos, atrapalhando todo um planejamento de início de temporada. Estou sem esperanças de um ano mais promissor pro Remo, infelizmente. Preocupado até mesmo com a permanência na Série C, porque nem o Estadual vamos levar porque tem times melhores disputando. Tristes tempos, Leão!”. Anselmo Gomes, sobre a prolongada crise leonina 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 24)

2 comentários em “Sem direito a novos erros

  1. De fato, Marco André deve morar, há décadas, fora do Estado. É o que deduzo quando ele se refere às prateleiras das lojas de música do Pará terem prateleiras específicas de MPP. Quais seriam essas lojas: Gramophone, Mesbla, Visão, etc. ?? Até nossos principais supermercados, que já tiveram essas prateleiras, as desativaram. Resta-nos a prateleira do vibrante guerreiro Ná Figueredo, que persiste em apoiar a música regional e nacional, e não optou pelo ilusório e deslumbrante exílio no sul-sudeste ex-maravilha !!

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  2. Por razões de trabalho e busca de oportunidades, Marco André mora no RJ há algum tempo, mas vem muito aqui, amigo George. Não é menos paraense da gema do que você e eu. O fato de ter saído daqui não diminui seu amor por essa terra, sou testemunha disso. Dirigiu o belo documentário sobre a história do Papão e costuma vir muita vezes visitar a família e só pra ver seu amado time jogar. O que ele manifesta, com indisfarçável tristeza, é uma crítica à falta de consciência e orgulho, mal que nos derruba há muitos anos.

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