Leão leva baile e dá vexame

POR GERSON NOGUEIRA

Foi um passeio do Brusque. Em determinado momento, parecia uma disputa entre um time com 13 jogadores contra outro com 11. O Remo levou de 5 a 1, mas foi até pouco. O placar podia ser ainda mais dilatado. E não se pode falar do jogo sem observar o nível baixíssimo do futebol  paraense atual. A vexatória derrota dos azulinos foi contra um time que até o ano passado disputava a Série D do Campeonato Brasileiro.

Thiago Alagoano foi o grande destaque do jogo, com dois gols

A movimentação do Remo, ontem à noite, deixou claro desde o começo que a tarefa de superar o Busque era quase inatingível. Não pelo que o time catarinense apresentava, mas pelas fragilidades do Leão. Sem esquema, com erros primários de marcação e nenhuma inspiração, o time de Rafael Jaques mostrou-se pequeno ao longo dos dois tempos.

Erros pontuais tornaram o Remo um adversário fácil de ser batido. A falta de qualidade de boa parte da equipe foi amplificada pela desorganização tática. Não se sabe como o time joga, o que busca em campo e nem as alternativas possíveis contra um adversário solidamente estruturado.

Djalma, mesmo com uma perna só, não poderia ser reserva. Todo mundo que acompanha o Círio sabia disso, menos Jaques. Poderia ser lateral direito ou volante, no lugar de Xaves, novamente improdutivo e espantosamente mantido como titular.

O Remo levou um sufoco no primeiro tempo, sofreu um gol e Vinícius ainda defendeu um pênalti. No segundo tempo, porém, a porteira abriu de vez e o Brusque passeou em campo, sem que Jaques esboçasse reação. Era o confronto de um time organizado contra outro baratinado, sem qualquer noção de marcação e preenchimento de espaço.

Na etapa final, mesmo quando tentava sair jogando, o Remo se atrapalhava. Não encaixava um ataque mais elaborado. Aos 13’, Aírton bateu falta e fez 2 a 0. Giovane, que substituiu o nulo Xaves, diminuiu e passou a ideia de que era possível uma reação.

O adversário, porém, tinha mais consistência e logo ampliou, com dois gols em dois minutos, com participação do ex-remista Alex Sandro no gol de Edu. Tiago Alagoano passou a régua no final, fazendo 5 a 1. Vitória justa e representativa das facilidades que o Brusque teve em campo.

Choro rubro-negro não combina com projeto de grandeza

A discussão nacional, desde anteontem, foi a maneira polêmica com que o Flamengo empatou com o Independiente Del Valle (2 a 2), pelo primeiro jogo da Recopa Sul-Americana. Como virou rotina nos últimos tempos, a bronca com a arbitragem se tornou preponderante em relação ao que o time de Jorge Jesus produziu na partida.

Em primeiro plano, a explicação e as justificativas para a derrota. Depois, a análise técnica do embate. Desprezando o fato de que o jogo deve ser sempre o ponto mais importante da discussão, a imprensa esportiva se lançou a questionamentos sobe a postura da arbitragem.

Virou um aleijão. O país pentacampeão do mundo prefere sempre botar a culpa no árbitro a analisar as situações de uma partida. Nunca é responsabilidade de técnico ou jogadores. O problema maior sempre é a arbitragem, normalmente culpada pelos insucessos dos times brasileiros.

Fica cômodo para todos os envolvidos. De antemão, o vilão é sempre o árbitro. Quando o Corinthians deu vexame diante do Guaraní do Paraguai (na fase preliminar da Libertadores) foi porque o juiz meteu a mão. Aí, o Flamengo tropeça e a culpa, obviamwnte, é do árbitro.

O Independiente Del Valle comportou-se muito bem. Marcou com inteligência e método o rápido time rubro-negro. Não deu pancada, preferiu explorar as limitações da zaga brasileira e obteve um resultado justo. O lance do gol anulado de Bruno Henrique foi uma marcação acertada do árbitro, com base em norma da Fifa.

Longe de reconhece os méritos do Independiente, a maioria da crônica brasileira impregnou-se do conhecido espírito patrioteiro, que vê perseguição sempre que um time brasileiro está em cena contra adversário sul-americano. Ofensivo e destemido, o Independiente encarou o Flamengo como aro times brasileiros se arriscam a fazer hoje.

Além de reclamar da anulação do gol de Bruno Henrique, os rubro-negros criticam o pênalti assinalado para os equatorianos nos minutos finais do jogo. O jogador do Del Valle é tocado por Rafinha na área e a penalidade foi marcada. No ano passado, diante do Emelec, na Libertadores, o mesmo Rafinha foi beneficiado em lance muito parecido. Forçou o contato, foi ao chão e o árbitro Néstor Pitana deu o penal.

Em resumo: quem com teatro fere, com teatro será ferido.

A bronca do torcedor

“Escrevo para lembrar fatos que ocorreram e que podem ser constatados. Basta que vejam os lances novamente. Sou Paysandu, amo meu clube e, apesar dos erros de diretorias passadas e atual, não vou crucificá-las pelos insucessos ocorridos nos últimos anos. O PSC está onde está por seus erros e por molecagem, safadeza e roubalheira de árbitros que atuaram em nossos jogos. E o que mais me entristece é que algumas destas arbitragens ocorreram quando o sr. Antônio Carlos Nunes era o presidente da CBF e hoje ainda ocupa um cargo de relevância, pois é um dos vice-presidentes. Pois bem, no jogo Paysandu 1 x  5 Atlético (GO) na Curuzu, em 2018, o assistente desmarcou um gol legal. No jogo CRB x Figueirense, resultado de 2 x 1 para os alagoanos, os dois gols foram de total impedimento e não foram anulados. Com esse resultado, o CRB se manteve na Série B e nós fomos rebaixados. Não quero aqui falar em teoria da conspiração contra meu clube e nem contra o futebol paraense, mas é muita coincidência pro meu gosto. Anteontem, mais uma vez, formos garfados com um gol mal anulado e um penal inexistente, e mais uma vez o todo-poderoso CRB no nosso caminho – e quando falo todo-poderoso, não é que eu ache que eles sejam um grande clube do futebol brasileiro, mas tem aquilo que nos falta: força política. Eu não quero que o sr. Antônio Carlos peça para ajudarem o Paysandu e nem o Remo. Eu só queria que ele não deixasse que nos roubem, mas esse senhor, que é conselheiro do Paysandu e já foi diretor do clube, simplesmente não está nem aí pra nós”.

Lúcio Mauro Arguelles Motta 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 21)

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