Liderança do Parazão em jogo

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo deste domingo, no estádio da Curuzu, deve definir o novo líder do campeonato. O Paragominas, com saldo de gols acima dos demais, é o primeiro colocado, à frente de três adversários com a mesma pontuação (9). O Papão tenta manter viva a chama da vitória sobre o rival para superar o adversário interiorano.

O vencedor abrirá importante vantagem na ponta da tabela, dependendo dos resultados de Tapajós x Castanhal (2º colocado) e Águia x Remo (4º). Sob a direção de Rogerinho Gameleira, que foi jogador e auxiliar técnico do PSC, o Paragominas cumpre a sua melhor participação em estaduais.

O time, completamente renovado, baseia sua força na velocidade, explorando o contra-ataque. Os zagueiros Welison e Yan (ex-Remo) são destaques, juntamente com Maracanã, Biro e Marley no meio-campo e Raykard e Buiú no ataque.  

Até agora, porém, o Paragominas não encarou o teste de duelar com um dos grandes da capital. Pois a hora finalmente chegou. A partida de hoje será uma prova de fogo para as reais possibilidades da equipe no Parazão.  

Ciente do grau de dificuldade que o PFC oferece, o técnico Hélio dos Anjos trabalha com a hipótese de reforçar o setor de criação. Testou PH por ali, mas o novato Luiz Felipe pode aparecer como titular pela primeira vez, visto que Alex Maranhão teve queda de rendimento e perdeu espaço.   

As ausências de Perema e Bruno Collaço serão supridas por Wesley e Diego Matos. Tony volta à lateral-direita, mas Caíque Oliveira, que também já cumpriu suspensão, não deve entrar jogando.

O trio ofensivo Uilliam-Nicolas-Vinícius Leite parece cada vez mais afinado, sem abrir brecha para variações. Elielton segue como segunda opção no banco de reservas – Deivid Souza é o primeiro suplente.

Pelo que tem exibido ao longo da competição, o PSC tentará se impor envolvendo o adversário com ações pelos lados e com o jogo aéreo tradicional dos times treinados por Hélio dos Anjos. O fator campo, com torcida apoiando, também pode ser decisivo.

Classificado na Copa do Brasil e em clima de felicidade com a Fiel após o triunfo no Re-Pa, o PSC tem hoje a excelente oportunidade de deslanchar no Parazão. Pode, pela primeira vez, abrir vantagem em relação aos concorrentes diretos, incluindo o rival, que jogou no sábado.

Quando os bombeiros entram em cena

O Brasil esportivo acompanhou nesta semana uma bem-sucedida operação “abafa”. O Corinthians, eliminado bisonhamente pela quarta vez da Copa Libertadores por adversário inexpressivo (Guaraní do Paraguai desta vez), foi devidamente blindado pelos programas esportivos da TV, sites, portais e jornais. Uma reação ampla e unânime de defesa do time de Tiago Nunes.

Deu gosto acompanhar as ponderações de críticos quase sempre raivosos e implacáveis do desempenho da maioria dos times. Pacientes, enxergaram qualidades num Corinthians técnica e emocionalmente falho, atrapalhado e sem rumo depois que teve um jogador (Pedrinho) expulso infantilmente.

Não faltaram críticas ao rigor do argentino Néstor Pitana, que apitou final da Copa da Rússia, que amarelou três corintianos antes dos 20 minutos. Coisa inimaginável no Brasil, onde nenhum árbitro tem aquilo roxo para advertir jogadores do Corinthians na Arena Itaquera ainda no 1º tempo.

Como todo mundo sabe, vivemos a era dos árbitros pragmáticos – leia-se: frouxos. Aliviar na marcação de faltas de atletas dos grandes clubes é quase que um mantra, provavelmente originado nas oficinas e workshops da comissão de arbitragem da CBF.

Até o normalmente arrogante Tiago Nunes, discípulo de Jorge Jesus, Luxemburgo e Fábio Carille nesse quesito, baixou a bola. Em tom afável, saiu-se com desculpas de pé-quebrado. Ora, quem faz 2 a 0 no primeiro tempo, em casa, precisa ser minimamente competente e aplicado para levar a melhor sobre um adversário mais limitado.

Nada disso, porém, foi levado em consideração. Nem a nova falha do goleiro-ídolo Cássio, que foi na bola com mão de alface. A prioridade era virar a página, levantar a bola, esquecer a notícia ruim. Astral lá no alto, para não deixar a crise brotar nos arraiais corintianos.

Na verdade, o nível de aceitação das lorotas aplicadas por técnicos nacionais pela mídia dita especializada ajuda a explicar porque os times ficaram entregues à mesmice. Foi preciso aparecer o Flamengo de Jorge Jesus para escancarar a farsa e mostrar que é possível fazer diferente.

Incensar clubes populares virou lei. No Rio, de 1950 e 1980, havia um grupo de veículos apelidados de “Fla-press”, dedicado a valorizar feitos rubro-negros e reduzir o impacto de seus insucessos. O exemplo se estende a S. Paulo, onde o Corinthians raramente é criticado. O vexame frente ao Guaraní é apenas o episódio mais recente – certamente não será o último.  

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, que vai ao ar às 22h, na RBATV. Em pauta, a quinta rodada do Campeonato Estadual. Na bancada de debates, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.

Fraude que puniu City seria ignorada no Brasil

A decisão anunciada na sexta-feira pela Uefa deixou o mundo do futebol de cabelo em pé. O gigante Manchester City quebrou regras do Fair Play Financeiro da entidade e será punido com rigor. Serão dois anos longe da Liga dos Campeões. O clube é acusado de ter fraudado números de seu balanço anual de verbas de patrocínio.

Além de excluído de competições da Uefa (2020/21 e 2021/22), pagará multa de € 30 milhões. No Brasil de regras seletivas, adequadas ao nível de poder do infrator, clubes endividados sonegam impostos, devem salários e continuam contratando. Punição, nem pensar.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 16)

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