Futebol ao Quadrado

POR GERSON NOGUEIRA

Quem estava na expectativa da estreia do PSC no campeonato, acabou aplaudindo a atuação do arisco Quadrado, jovem atacante do Itupiranga que fez um gol e teve outro desmarcado erroneamente, aplicou vários dribles e terminou como o destaque da noite na Curuzu.

A estreia do PSC foi satisfatória quanto ao resultado – vitória por 3 a 1 –, mas menos tranquila do que faz supor o placar. Com insegurança na linha de defesa e desentrosamento no meio, o time teve que superar algumas dificuldades para construir a vantagem.

O primeiro gol nasceu de manobra individual de Alex Maranhão, logo aos 8 minutos. O meia-armador apanhou uma bola na intermediária, girou na frente do marcador e mandou um chute forte no canto esquerdo. O goleiro Redson estava bem posicionado, mas a bola passou.

Quadrado era o mais agudo do Itupiranga, em escapadas pelo lado direito. Aos 10’, pegou bola esticada à frente da área, avançou e quase na linha de fundo entortou o zagueiro Perema com finta curta, antes de chutar sem chance de defesa para Gabriel Leite. Foi o gol mais bonito da noite.

Estava claro que o confronto estava ganhando um personagem improvável. Mesmo sem ter com quem tramar lances mais elaborados e dependendo de raros lançamentos, Quadrado sempre levava a melhor quando ficava frente a frente com os defensores do Papão.

O problema do Itupiranga é que o goleiro Redson estava pouco inspirado e voltou a falhar aos 11’, espalmando mal uma cobrança de escanteio. A bola caiu nos pés do volante Caíque, que bateu firme para desempatar. Elielton e Nicolas tiveram boas chances para ampliar, mas erraram o alvo.

Ainda no 1º tempo, mesmo com um a menos (Tárcio foi expulso), o Itupiranga incomodou em dois lances. Aos 27’, um cabeceio de Gustavo no ângulo direito da trave do PSC foi bem defendido pelo goleiro Gabriel Leite. Aos 43’, Quadrado foi ao fundo e cruzou para a entrada da pequena área. Kaíque finalizou e a zaga salvou em cima da linha.

O Papão voltou para o 2º tempo animado com a vantagem no placar e empurrado pelos 11 mil torcedores presentes à Curuzu. O Itupiranga perdia o jogo, mas se recusava a ficar apenas se resguardando. Gustavo, Hatos, Tairon e Quadrado seguiam atacando e buscando o empate. Atrás, porém, o time sofria com erros seguidos na saída de bola.  

A movimentação de Vinícius Leite, Collaço, Nicolas e Elielton criava constantes problemas para a última linha do Itupiranga. Nicolas, mesmo sem brilhar, contribuía na troca de passes junto à área, ajudando Alex Maranhão na elaboração as jogadas.

Aos 9 minutos, Quadrado se livra da marcação e dispara em direção ao gol, obrigando o goleiro do PSC a defender em dois tempos. Aos 16’, um erro da arbitragem propiciou o terceiro gol. Caíque, adiantado, aproveitou bola cruzada por Bruno Collaço e desviou para as redes.

O PSC vencia folgadamente, mas a partida continuava nervosa, em função dos muitos erros de passe dos dois lados. Aos 22’, Tairon bateu falta no canto direito. Em boa intervenção, Gabriel Leite espalmou e afastou o perigo. Elielton saiu para a entrada do estreante Deivid.

Quadrado continuava plugado. Aos 28’, foi parado com falta dura por Perema, que levou amarelo. Na sequência, foi lançado entre os zagueiros, ele driblou o goleiro e tocou rasteiro. A bola entrou, mas o gol não valeu. O bandeirinha viu impedimento, embora a posição do atacante fosse legal.  

Aos 33’, Quadrado apareceu de novo. Driblou dois e tocou para Serafim, que bateu no canto. Gabriel fez boa defesa. O PSC já não pressionava como antes e o Itupiranga insistia em busca do 2º gol, que só não veio porque Tairon perdeu aos 46’ um pênalti que ele mesmo cavou. Gabriel defendeu e a galera explodiu em festa com a estreia vitoriosa. (Fotos: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Volante reabilitado e um azarão que não foge à luta

Os erros de arbitragem quase estragaram o jogo, mas a aplicação dos times e a busca incessante pelo gol tornaram o confronto bastante interessante. Mesmo ainda se ressentindo de maior entrosamento, o Papão jogou de um jeito que agrada o torcedor. Atacou insistentemente e foi objetivo no aproveitamento das chances e acabou recompensado com a vitória.  

O Itupiranga, visto como azarão, superou as limitações defensivas e construiu várias situações incômodas para os donos da casa. O posicionamento sempre ofensivo da equipe do técnico Vando surpreendeu positivamente,

Do lado do Papão, o volante Caíque Oliveira, marcado pela cobrança gaiata daquele pênalti na decisão da Copa Verde, saiu como herói e artilheiro da noite. Marcou duas vezes, apoiou o ataque e participou bem das ações defensivas. Foi aplaudido merecidamente quando deixou o campo, lesionado, na metade do 2º tempo.

Quadrado brilhou intensamente, dando pinta de que pode vir a ser a principal revelação do Parazão. Tairon, Kaíque e Raimundo apareceram bem no Itupiranga, que teve como destaque negativo o goleiro Redson, que falhou em dois lances capitais.

No Papão, Caíque, pelos motivos citados, saiu engrandecido. Gabriel Leite, Bruno Collaço, Elielton e Alex Maranhão tiveram bons momentos. Serginho não apareceu tanto e Deivid Souza passou em branco. O ponto negativo ficou por conta da dupla Micael e Perema, excessivamente nervosa com os avanços do impetuoso Quadrado.

A arbitragem teve atuação correta no aspecto disciplinar, mas os auxiliares vacilaram nos lances de impedimento.  

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 21)

5 comentários em “Futebol ao Quadrado

  1. Não vi o jogo inteiro. Tudo conspirava a favor do Paysandu. Jogo em casa, torcida a favor, jogadores tecnicamente mais preparados, nervosismo do visitante estreante e arbitragem sempre pronta a ajudar os grandes. Quem não se importou muito com isso foi um personagem chamado Quadrado, nome inspirado provavelmente no do craque colombiano. Fez um golaço, entortando o experiente Perema. Em todas as suas participações mostrou intimidade com a Bola e uma maneira de jogar agressiva. Olho nele.

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  2. Acho que para uma estreia, com pouco tempo de pré-temporada, foi uma boa partida do Paysandu. Foi legal ver o Itupiranga jogar também. Vale lembrar que eles foram campeões invictos da segundinha.

    Do lado bicolor, destaque claro para o Caíque Oliveira (que cornetei noutro comentário), mas gostei também dos novatos Alex Maranhão e do Gabriel Leite. Pelo Itupiranga, gostei do Raimundo, bastante combativo, e do Quadrado. Fiquei com a impressão que o Perema não foi ‘valendo’ em cima do Quadrado e aí acabou levando aquele corte seco que resultou no gol.

    Destaque negativo fica para os bandeirinhas (aliás, uma delas entrou para o quadro Fifa um dia desses) que erraram nos gols do Caíque e do Quadrado. Porém, a expulsão do Tárcio foi correta. Fica um gostinho amargo pelo Paysandu ter sido beneficiado assim, mas enfim. Enquanto o VAR não for onipresente no Brasil, um dia vamos ser ajudados e noutros prejudicados (e.g. na Garfada dos Aflitos).

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  3. Por falar em VAR, não entendo a posição de certos analistas de futebol que vivem cornetando a novidade. Outro dia, em um jogo da Premier League, a torcida de um dos times em campo desfraldava faixas contrárias ao VAR. Bobagem, bem utilizada, a tecnologia é benéfica e acaba com muitos erros cometidos, geralmente contra os times de menor expressão.

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