A Seleção que não se reinventa

POR GERSON NOGUEIRA

É curiosa a gestão de Tite à frente da Seleção Brasileira. Depois do início fulgurante nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, o time patinou nos campos da Rússia e se reabilitou parcialmente ao ganhar a Copa América aos trancos e barrancos. Uma gangorra que parece não levar a nada, tomando por base os maus resultados da atual temporada de amistosos – cinco tropeços seguidos.   

Na sexta-feira, o amistoso com a Argentina em Riad mostrou uma seleção sem proposta definida, distribuída de maneira absolutamente previsível. Sem Neymar, o time alinhou Artur, Militão, Danilo e Gabriel Jesus, que jogam na Europa, mas são reservas em seus times.

No meio-campo, Casemiro segue intocável, embora atravesse fase ruim no Real Madrid. Símbolo de renovação, Paquetá não é unanimidade na Itália. Coutinho é apenas mais um no Bayern. A rigor, o escrete não conta com nenhum protagonista de clube, o que é sempre um mau sinal.

Em campo, o jovem e realmente renovado time argentino de Scaloni encurralou um Brasil acomodado e sem alternativas de jogadas ofensivas. Tite concedeu espaço excessivo à transição rápida da Argentina, permitindo que a bola chegasse com facilidade a Lautaro e Messi.

O jogo começou de forma enganosa. Gabriel Jesus perdeu pênalti logo aos 9 minutos, chutando para fora. Gabriel, aliás, é um caso emblemático dos critérios usados na Seleção. O atacante não consegue barrar Aguero no Manchester City, mas é titular na Seleção porque integra o seleto grupo de jogadores “de confiança” de Tite.

Minutos depois, Messi foi atingido por Alex Sandro e bateu o pênalti. Alisson pegou parcialmente e La Pulga não desperdiçou o rebote.

Incomoda o fato de a Seleção não contar com recursos para reagir ante um resultado adverso, exatamente como ocorreu na derrota para a Bélgica na Copa. O time parece muitas vezes desligado, quase desinteressado. O discurso de Tite é até modernoso, mas sem amparo na realidade.

O retrospecto é constrangedor pela quantidade de tropeços contra forças inferiores. Empatou com a  Colômbia (2 a 2), perdeu para o Peru (1 a 0), empatou de novo com Senegal e Nigéria (1 a 1).

Tite vinha falando em reinvenção, prometendo mudanças, mas poucas vezes nos últimos anos o Brasil deu tanta liberdade para o maior rival, que poderia ter goleado. Chances preciosas foram desperdiçadas pelos atacantes ou defendidas por Alisson.

Até o sistema utilizado é envelhecido. Na recente Copa América, o Brasil já jogava no 4-3-3, com jogadores mal posicionados. Gabriel, símbolo da mesmice ofensiva, correndo na mesma faixa de Firmino. Willian deslocado para correr pela esquerda, ao contrário do que faz no Chelsea de Lampard.

O que preocupa não é a má performance nos amistosos. O incômodo vem da falta de ideias do comandante. Mais desalentador ainda é o falatório empolado que Tite usa para tentar explicar as atuações pífias.

Longa invencibilidade é trunfo para o jogo final

O triunfo na Arena Pantanal deu ao Papão condição excepcional para conquistar a Copa Verde, na próxima quarta-feira (20), no Mangueirão. O duelo de 180 minutos está no intervalo e os bicolores vencem por 1 a 0. Precisa basicamente não sofrer gols nos próximos 90 minutos.

A longa invencibilidade (24 jogos) é um dos trunfos do Papão, pela confiança que transmite a todos. O ponto alto do time é a defesa, que passou incólume no jogo de ida, mesmo sem brilhar.

Ao mesmo tempo, o Papão precisa que seu principal jogador, Nicolas, esteja em noite inspirada. Ponto de equilíbrio da equipe, o atacante costuma marcar sempre em confronto decisivos.

Foi dele o gol salvador que permitiu ao PSC levar o duelo com o Bragantino para a cobrança de penalidades. Marcou também contra o Remo na semifinal e agora, de novo, na primeira batalha da decisão.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso comanda o programa, que começa logo depois do jogo da NBA, na RBA TV. Valmir Rodrigues e este escriba de Baião participam dos debates. Em pauta, a Copa Verde e a Segundinha do Parazão.

Remo engole desaforo e negocia com técnico gaúcho

O orgulho foi deixado de lado e a diretoria do Remo encaminha a contratação de Rafael Jaques, técnico do São José, conhecido muito mais pelas juras de vingança feitas ao clube paraense na Série C e menos pelas suas conquistas como treinador.

Quando o nome de Jaques passou a ser cogitado logo vieram à baila as ameaças proferidas por ele, após o jogo Remo 2 x 1 São José, no Mangueirão, pela fase de classificação da Série C.

Naquela noite, chateado com a derrota e com o que considerou um desrespeito por parte de jogadores reservas do Remo, Jaques disse na entrevista coletiva: “Não tiveram uma postura bacana e isso pode custar caro no domingo que vem. Pode custar caro”.

A frase seria associada ao jogo de compadres da rodada final, entre os gaúchos Juventude e Ypiranga. Ao ameaçar os azulinos, Jaques parecia antever o que ocorreria em Caxias: com vitória em gol de pênalti suspeitíssimo, nos acréscimos, o Ypiranga se classificou alijando os remistas da briga pelo acesso.

É louvável que os dirigentes azulinos tenham passado por cima do episódio, relevando o desaforo de Jaques e demonstrando um nível de educação acima do demonstrado pelo então treinador do São José.

De qualquer forma, Jaques já sabe qual será a primeira pergunta a responder quando for anunciado como técnico do clube.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 17)

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