O clássico dos clássicos

Re-Pa

POR GERSON NOGUEIRA

O Re-Pa de verdade já está rolando há uma semana. Hoje acontece a formalização do duelo. O fato é que a torcida vive o clima do grande clássico desde a rodada do último fim de semana. Pelo meio do caminho, aconteceram os jogos da Copa Verde, mas o pensamento de todos já estava no choque-rei.

O cenário já garante naturalmente fortes emoções. Desde o encarniçado cruzamento na Copa Havelange, no começo deste século, os velhos rivais não se viam frente a frente em parada decisiva dentro de uma competição nacional.

Será o quarto confronto da temporada entre os velhos rivais. O PSC venceu dois e houve um empate. Na Série C, os bicolores venceram por 1 a 0. Os azulinos buscam, além de um resultado que garanta a classificação à etapa seguinte, a quebra da invencibilidade do rival nesse duelo particular.

Para projetar o que pode vir a ocorrer no confronto vale tomar o primeiro jogo como referência. Naquela partida, o PSC foi superior em planejamento tático e execução de jogadas. Tomou a iniciativa do jogo, pressionando pelos lados e com Tiago Luís como falso atacante.

Com postura mais agressiva desde os primeiros minutos, Hélio dos Anjos conseguiu ditar o ritmo do jogo até quase ao final. Não fez gol no primeiro tempo, mas conseguiu deixar o Remo excessivamente ocupado em marcar as chegadas dos laterais e preocupado com o posicionamento diferente de Tiago Primão, que atuou como um meia recuado, quase um volante.

Ao longo daquele jogo, o Remo teve chances fortuitas, mas em nenhum evidenciou força e capacidade de incomodar o adversário, nem mesmo quando se lançou ao ataque em desespero após sofrer o gol de Uchoa. Pode-se dizer, em retrospectiva, que o PSC teve vida mansa e ganhou sem maiores sustos.

É improvável que as facilidades propiciadas pelo Remo venham a se repetir hoje. Pelo menos, não daquele mesmo jeito. Há, principalmente, a certeza de que Márcio Fernandes vai encarar o jogo com outros olhos.

É preciso entender que, a quando do primeiro Re-Pa, a situação azulina era cômoda na tabela e o time mostrava estar mais arrumado. Desta vez, a tranquilidade está do lado bicolor, que joga por um empate simples para conquistar a vaga.

Tudo virou do avesso após a vitória bicolor por 1 a 0. O Remo não achou mais o jeito certo de jogar, emendou uma sequência de resultados ruins que só terminou com a vitória sobre o Atlético-AC, em Rio Branco. Ainda assim, o time voltaria a ter oscilações, como a terrível atuação diante do Tombense. Em sentido contrário, o PSC só evoluiu após o triunfo no clássico.

A batalha de hoje tem ingredientes que amplificam o nervosismo em comparação com o primeiro embate. Em caso de empate, o futuro dos dois times na competição dependerá de outros resultados. Caso haja um vitorioso, restará ao derrotado rezar para que o Juventude cumpra o seu dever, lá em Caxias do Sul.

Time por time, posição por posição, reina um notório equilíbrio técnico. Os maestros são conhecidos e atendem pelo nome completo – Tomas Bastos e Eduardo Ramos. Nos ataques, Higor x Neto Baiano. No gol, Mota x Vinícius. Restam dúvidas (Garré e o próprio Vinícius) do lado remista e isto pode afetar bastante a correlação de forças.

Por fim, deve-se prestar atenção nos heróis inesperados. Re-Pa tem dessas coisas. A saga histórica reserva espaço para jogadores pouco badalados e não cotados para brilhar no jogo. Questão de predestinação, beneficiando um garoto que sai do banco para incendiar o jogo nos minutos finais ou de um reserva que sai do nada para a glória de fazer o gol decisivo.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a análise do clássico Re-Pa e seus desdobramentos.

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O duro choque entre consciência política e alienação

Com longos três dias de atraso, depois que todo mundo havia se manifestado, Neymar finalmente se deu conta do desastre ambiental na Amazônia e postou na sexta-feira uma pouco afirmativa mensagem. Optou pelo tom neutro, em nota típica de assessoria, dizendo no Twitter que lamentava o fogaréu mas pegando leve com os desmandos ao dizer que as queimadas “ano a ano se repetem” na Amazônia.

Cristiano Ronaldo, Mbappé, Lewis Hamilton, Leonardo DiCaprio e até Madonna foram muito mais enfáticos nas declarações, condenando o descaso das autoridades com a ação criminosa na região. Todos os citados – nenhum brasileiro – demonstram consciência sobre a importância de um posicionamento.

Neymar age, outra vez, como personalidade desconectada da realidade, movido exclusivamente a superficialidades e interesses comerciais, tanto que na quinta-feira fazia postagens de uma marca de relógio enquanto os outros astros defendiam a Amazônia.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 25)

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