Um tombo inesperado

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POR GERSON NOGUEIRA

Os primeiros movimentos deixaram claro que o Remo teria muitas dificuldades. Nervoso, errando quase todas as saídas de bola, o time evidenciava intranquilidade nos momentos cruciais do jogo, como se estivesse fora de casa. Depois de um início razoável, com duas chances de gol no 1º tempo, a segunda etapa trouxe péssimas notícias para os azulinos. Bem aprumado, o Tombense soube explorar os espaços na intermediária e conseguiu fazer 2 a 0 até com certa facilidade.

Na prática, o Remo foi superior apenas por 20 minutos. Tomou a iniciativa nos primeiros momentos, teve chances com Emerson Carioca e Ramires, levou perigo com chegadas fortes à área adversária, mas ficou nisso. Aos poucos, o ímpeto inicial foi arrefecendo e o time pareceu se acomodar, vendo o tempo passar sem tomar atitudes em campo.

No visitante, chamava atenção a boa articulação com Everton Galdino e Íbson e as pontadas com Judivan e Adeilson. A zaga azulina se apavorava sempre quando o Tombense direcionava o ataque pela esquerda, em cima de Yuri e Djalma, tensos e afobados.

Aos 18 minutos, Márcio Fernandes viu-se forçado a fazer uma primeira substituição. Guilherme Garré se lesionou ao escorregar no campo encharcado. Uma perda que seria muito sentida, principalmente no 2º tempo. Alex Sandro entrou, mas sem jamais executar as mesmas funções, de conduzir o jogo e buscar os avanços pelos lados.

Falhas se repetiam e não havia sinal de correção de rumos. Djalma seguiu errando passes curtos e levando uma canseira de Adeilson. Yuri não acertava o combate aos atacantes. Bem vigiado por Marquinhos, Eduardo Ramos pouco aparecia para construir jogadas.

Quase ao final, aos 41’, Eduardo Ramos fez um lançamento perfeito para Emerson, que bateu da entrada da área acertando o lado externo das redes do Tombense. Na saída de campo, os jogadores sentiram na reação da torcida que a atuação não agradava.

O que se esboçava nos primeiros 45 minutos acabou por confirmar, em cores vivas, a segunda derrota do Remo em casa nesta Série C. Logo aos 3 minutos, Everton Galdino acertou o pé, abrindo o placar, após nova falha de cobertura. O Tombense revelava ali que tinha reformulado seu planejamento, voltando para o 2º período disposto a vencer. O Remo foi um duro golpe para os azulinos, que acusaram o golpe.

Assustado com a desvantagem, o time se lançou à frente, mas corria a esmo, sem objetivo claro. Não havia compactação e nem ligação entre meio e ataque. O Tombense posicionava acertadamente seus homens de meio, Augusto Recife à frente, para dificultar a troca de passes.

Neto Baiano entrou no lugar de Gustavo, mas os erros se repetiam. As únicas chances de gol vieram em chute de Ramires, arriscando de fora da área, e em investida de Emerson pela esquerda.

Para complicar, o time não conseguiu trabalhar a bola aérea, tão necessária com a presença de Neto Baiano. Quanto mais insistia, mais o Remo cometia deslizes. Aos 33’, o castigo definitivo: William Rocha escorou rebote de Vinícius e marcou o segundo, sacramentando a vitória mineira.

Até havia tempo para reagir, mas o Remo não distribuía o jogo e nem tinha fôlego para enfrentar a eficiente marcação do Tombense. Adeilson e Everton ainda desperdiçaram oportunidades claras para ampliar.

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Avaliações do técnico não explicam a má jornada

Na entrevista pós-jogo, Márcio Fernandes reconheceu que o Remo atuou muito mal, sem esboçar ligação entre os setores. Atribuiu a má jornada à falta de Garré explorando o lado esquerdo do ataque. Em parte, tem razão. Mas a saída de Garré não explica tudo. O time vem em queda técnica desde o Re-Pa, demonstrando extrema dificuldade em produzir jogo ofensivo.

O certo é que as falhas do Remo foram evidenciadas pela afinação do Tombense. Acrescente-se a isso um comportamento pouco vibrante quando era necessário ter arrojo. A torcida – mais de 20 mil pessoas presentes – reclamou, com razão, da lentidão e do excesso de passes improdutivos.

Resultado justo, que premiou o time mais ajustado e com nervos no lugar. No Remo, Ronaell e Ramires foram os mais produtivos. A zaga, sempre elogiada, não atuou bem e expressou a insegurança dos demais setores.

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RBA vai exibir jogo do Papão contra São José

A RBATV transmite sábado, 3, a partir das 17h, o jogo entre São José e PSC, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série C. A partida é válida pelo grupo B da competição.

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Esses goleiros famosos e suas frases imortais

Goleiros sempre foram considerados seres especiais no universo da bola. Alguns, ao longo da história, eram vistos até como meio fora de órbita. Esse espírito meio atormentado, sempre sujeito a julgamentos e vaias, desemboca em atitudes inusitadas.

Diego Alves, anteontem, após pegar um pênalti e ser aplaudido pela torcida do Flamengo no Maracanã, pareceu lamentar a própria razão de existir:

“A torcida tem um carinho por mim especial e eu por eles. Eles são soberanos, têm que mostrar a insatisfação deles, mas entramos no campo sem querer errar. Infelizmente somos humanos, mas futebol é isso”.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 02)

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