Passeio bicolor em Santarém

POR GERSON NOGUEIRA

O confronto de ontem, em Santarém, expôs com clareza o fosso técnico existente entre o Papão, líder invicto e isolado, e o S. Francisco, dono de uma das piores campanhas do Parazão. Três jogadas aéreas deram ao Papão os gols necessários para se tranquilizar e tomar as rédeas da partida.

Não se pode nem dizer que a vitória se deveu a uma boa atuação, tamanha foi a quantidade de falhas exibidas pelo Leão tapajônico. Aliás, o passeio mencionado no título significa que a delegação passou um folguedo de fim de semana na bucólica e belíssima Santarém.

Com o time bem posicionado, arriscando pouco, o PSC teve tempo, vantagem no placar e espaço em campo para desenvolver um plano de jogo sem atropelos e determinar o ritmo das jogadas.

Nos minutos iniciais, o S. Francisco esboçou uma meia pressão, insistindo pelos lados, principalmente em cima do improvisado Fábio Alemão. Wendell, Boquinha e Alexandre apareceram bem, desferindo alguns chutes perigosos em direção à meta do goleiro Mota.

Acontece que as falhas primárias da defesa acabariam por sabotar o planejamento ofensivo do S. Francisco. Logo aos 15 minutos, Marcos Antonio levantou na área, Paulo Rangel tocou para o meio e Nicolas cabeceou para baixo, obrigando Labilá a fazer grande defesa. A bola foi no travessão e voltou para Vinícius Leite completar para as redes.

Não houve tempo nem para esboçar uma reação. Aos 23’, saiu o segundo gol, produto novamente da desarrumação da zaga santarena. Marcos Antonio bateu escanteio e encontrou Victor Oliveira livre de marcação. O zagueiro cabeceou forte, no meio do gol, fazendo 2 a 0.

Na tentativa de descontar, o S. Francisco adiantou as linhas e até desfrutou de domínio territorial, mas o esforço era inútil porque a troca de passes se revelava pouco objetiva, facilitando as ações de bloqueio do PSC.

Para a etapa final, Junior Amorim trocou Wendell por Jefferson Monte Alegre. O time se manteve no ataque, rondando a área com boa troca de passes, mas agredindo pouco. Sem referência na área, pois Rafael Paty era bem vigiado, as bolas aéreas acabavam controladas pela defesa.

Apesar de todo o esforço do S. Francisco, foi de Nicolas, aos 21 minutos, a primeira jogada mais aguda de ataque na etapa final. Pegou um rebote e disparou chute de fora da área. Labilá espalmou para escanteio.

João Brigatti trocou Paulo Rangel, pouco participativo, por Elielton. Depois, Leandro Lima substituiu Marcos Antonio. Junior Amorim botou Daniel Papa-Léguas no lugar de Paty, dando mais velocidade ao ataque.

A 15 minutos do fim, Brigatti substituiu Primão por William, alterando bastante a composição de meio-campo, mas sem alterar a postura estudada de ficar à espera de contra-ataques. Cruzamentos rasantes se repetiam na área do Papão, mas sem levar maior perigo.

Aos 34’, como não tinha muito trabalho lá atrás, Micael foi ao ataque e escorou de cabeça o escanteio cobrado por Leandro Lima, ampliando para 3 a 0. Foi mais uma chegada fulminante do PSC em bolas aéreas, sem marcação por parte da defesa azulina.

Daniel Papa-Léguas ainda disparou um chute cruzado aos 39’ na última tentativa de chegar ao gol. Atrás, porém, a defesa vivia momentos de desassossego, ameaçada nos contragolpes puxados por Elielton. O quarto gol só não saiu porque o PSC não forçou as jogadas.

Foi uma vitória tranquila do Papão, que praticamente sela a classificação às semifinais (embora sem posição definida). No jogo, Nicolas foi o melhor dos bicolores. No combalido S. Francisco, Alexandre foi a exceção.

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Independente avança e se consolida no grupo A2

A vitória sobre o Castanhal, obtida nos instantes finais do jogo, deu ao Independente boa vantagem na disputa pela classificação no grupo A2, a quatro pontos do Paragominas a três rodadas do fim desta fase.

Depois de atuações pouco destacadas pelo Galo, Tiago Mandií foi o herói da partida, assinalando os dois gols da vitória. O segundo foi um chute no ângulo direito da trave do Castanhal.

O Paragominas empatou em casa com o Bragantino, permitindo que o Galo ampliasse a vantagem na classificação. Terá que partir agora para um esforço de recuperação nas três partidas que restam.

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Preocupações com o futuro próximo

Baluarte do blog campeão, Miguel Ângelo Carvalho mandou comentário antes da rodada deste final de semana, chamando atenção para os perigos da Série C para a dupla Re-Pa, levando em conta o baixo nível técnico demonstrado no certame estadual.

“No único clássico disputado, o que vi não foi uma superioridade bicolor sobre o rival. O que não vi foi a presença do Clube do Remo em campo, fato este refletido no nervosismo explicável de seus atletas. Somados à falta de conjunto e à deficiência técnica de seus atletas, passaram ao torcedor do Paysandu uma falsa imagem de que o quadro alviceleste seja o bamba do Parazão, o que, na minha opinião, é um ledo engano”.
Sobre a Série C, Miguel mostra-se muito preocupado. “Acompanhando de perto os possíveis adversários dos paraenses no mata-mata da competição, isso projetando que pela camisa e tradição PSC e Remo se classifiquem para esta etapa, muito me preocupo com um adversário em particular: o Botafogo-PB, o Belo, que neste Nordestão não tem tomado conhecimento de seus mais tradicionais adversários”.
Miguel finaliza sugerindo que a Leão e Papão reforcem seus elencos, pois no cenário atual “fica difícil pensar em acesso à Série B em 2020”.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 11)

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