POR GERSON NOGUEIRA

Notório ex-jogador em atividade, Neymar Jr. virou uma caricatura de si mesmo nos últimos meses. A obsessão em estar no palco maior do futebol – por puro egocentrismo – transformou todos os seus passos em encenações risíveis, só desmentidas quando ele resvala no mundo real e faz o que sempre foi acostumado a fazer – tolices de menino mimado. Contra o Coritiba, neste domingo, o banzé que aprontou por causa de um erro de substituição beirou o teatro mambembe (com todo respeito aos nobres artistas do palco).

O Brasil sempre soube tudo a respeito dele. Ninguém pode alegar desconhecimento ou enganação. Desde a fase juvenil no Santos, Neymar sempre foi seguido pela mídia e se viu cercado de gente disposta (ou paga) para servi-lo. Então, para início de conversa, não é justo criticá-lo só agora. Muita gente passou a prestar atenção nele quando chegou à Seleção Brasileira.

Muitos, incluindo este escriba, também o defenderam ardorosamente no escrete que disputou a Copa de 2010. Era merecedor. Jogava muito. Com Paulo Henrique Ganso como maestro, brilhou no Santos. Na Seleção quem mandava era Dunga, o capitão do mato, sempre implicante e pronto a sair chutando quem estivesse pela frente.

Contra tudo e contra todos, Dunga ignorou Neymar e Ganso no auge físico de suas carreiras. Depois de 2010, Neymar brilhou no Barcelona, alcançou o ponto mais alto de sua capacidade técnica, ao lado de Lionel Messi e Luizito Suárez. Depois foi só ladeira abaixo.

Pela Seleção, era a esperança em 2014, mas foi nocauteado criminosamente pelo colombiano Zuniga e ficou impedido de seguir na Copa. Quatro anos depois, na Rússia, virou meme vivo ao rolar pelos campos, simulando contusões. Surgia o craque imaginário, que permanece ludibriando incautos.

No Qatar, ainda sob o comando de Tite, teve um lampejo de genialidade diante da Croácia, marcando o gol que classificava o Brasil para as semifinais, mas o destino não colaborou. O caneleiro Fred perdeu uma bola no ataque e permitiu o empate dos croatas. Neymar, exímio batedor de pênaltis, amarelou e não quis iniciar a série de cobranças. Aspirava a glória final de sacramentar a série, mas deu errado de novo.

Menino Ney trocou o Barça pelos milhões árabes do PSG, abrindo mão do sonho de ser eleito melhor do mundo. Mergulhou em polêmicas, farras, cruzeiros, desfiles cafonas e tretas com Mbappé. Nem Messi aguentou; preferiu partir para a América.

Neymar passou um bom tempo tentando achar um clube de primeira linha, mas não encontrou acolhida. Teve que se contentar em se refugiar no futebol árabe. Eclipsou totalmente, a ponto de ser barrado por Jorge Jesus.

Voltou ao Santos no ano passado, a bordo de um projeto de controle do clube que foi berço de Pelé. Entre lágrimas de crocodilo na apresentação e aplausos sinceros da torcida, ele virou o reizinho da Vila Belmiro. Passou a determinar a escolha de técnicos, sempre sob seu domínio – e do pai, Neymar sênior.

Na saga lobista para ganhar um lugar no voo para a Copa, alguns escorregões feios. Partidas pífias contra times ruins, como o Deportivo Recoleta semiprofissional e clubes do interior paulista. Para azedar ainda mais o roteiro, distribuiu socos no menino Robinho Jr., que ousou dar uns riscas nele, coisa que ele cansou de fazer na juventude.

Por fim, no domingo todo planejado para ser a “consagração” na véspera da lista de Ancelotti, um show brega diante do Coritiba. O Santos levou uma peia de 3 a 0 e Neymar foi prima-dona às avessas de novo: saiu para cuidar de lesão na panturrilha e o 4º árbitro trocou o número na placa (ia sair Escobar, não ele). Ao tentar voltar na marra, disparou maribondos de fogo contra o árbitro distraído e os que estavam por perto, dando aquelas piruetas de praxe, tipo galinho garnizé aborrecido. Patético.

Sim, ele vai ser convocado. Há uma campanha em marcha, cativando principalmente a pachecada que só se importa com futebol em ano de Copa do Mundo. Ancelotti, montado no salário mensal de R$ 5 milhões, não quer brigas desnecessários com a mídia baba-ovo.

Vai levar o Menino Ney para servir de bibelô no banco de reservas ou para entrar contra seleções furrecas, tipo Zaire. Mas, ver o camisa 10 de novo em nível competitivo, esqueçam. Agora só em outra encarnação, o que é particularmente triste porque Neymar é um case clássico de desperdício. Jogou muita bola, tem um talento raro para dribles, mas não foi além disso.

Será chamado para o Mundial mais Série C da história (48 seleções), mas só servirá de anteparo conveniente para pernas de pau que também não mereciam estar lá, como o impressionante quinteto flamenguista – Léo Pereira, Alexsandro, Danilo, Léo Ortiz e Pedro. Esse grupo está sendo poupado de críticas porque Neymar é o alvo de todas as polêmicas.

Para passar a régua: o futebol não permite milagres.

Neymar não foi decisivo em nenhuma das Copas que participou. Não ganhou títulos relevantes no escrete quando vivia o apogeu. É o maior goleador com a camisa da Seleção, mas essa marca é triste – não vem junto com conquistas, nenhuma Copa pra chamar de sua, coisa que até Viola e Vampeta têm no currículo.

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~ Rogers Hornsby

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