Para matar as saudades

Untitled-1

POR GERSON NOGUEIRA

Estamos às portas de mais um clássico dos clássicos, maior glória do futebol nortista, o mais disputado no mundo entre rivais históricos. São alguns dos superlativos que emolduram o Re-Pa, grande derby amazônico, que leva multidões à catarse mesmo quando não vale muita coisa, como desta vez.

É claro que o torcedor não há de chegar ao estádio Jornalista Edgar Proença com a pretensão de ver um grande espetáculo, como aqueles que tinham João Tavares, Bené, Amoroso, Rubilota, Ércio, Alcino, Mesquita, Roberto Diabo Louro, Roberto Bacuri, Aderson, Bira, Dadinho, Cacaio e Belterra como protagonistas.

Não, isso é coisa do passado.

O Re-Pa há muito tempo deixou de ser tecnicamente atraente. Os últimos grandes confrontos ocorreram há mais de 20 anos.

Nos dias de hoje o torcedor já sai no lucro se conseguir ver um jogo rico em luta, marcação, transpiração e gols, é claro – nada mais tedioso do que um clássico que não sai do 0 a 0.

O grande chamariz do confronto desta tarde é a saudade. A torcida não vê o Re-Pa há um ano. Por sorte – ou azar – terá muitas oportunidades de matar a saudade. No Estadual, há outro jogo confirmado para o returno. É provável ainda que os dois times se cruzem nas semifinais e na final.

Por enquanto, com base no que ambos mostraram na temporada, a previsão é de uma partida equilibrada e presa aos esquemas de cautela e respeito.

O Remo de João Neto vinha melhor, invicto no campeonato e sem sofrer gols, mas o revés na Copa do Brasil representou um duro golpe, que talvez tenha reflexo no gramado do Mangueirão.

Já o Papão de João Brigatti só jogou bem na estreia, quando goleou o fraco São Francisco na Curuzu. A partir de então, o rendimento coletivo caiu e o individual continuou nulo.

O melhor a fazer é esperar que as duas equipes façam um jogo de muita luta, mas sem violência, que agrade a massa e compense a longa espera.

——————————————————————————————-

Afinal, quem foi o melhor na era pós-Pelé?

A revista Placar saiu nesta semana com uma capa provocadora glorificando os 10 anos de carreira de Neymar e apontando-o como o melhor jogador brasileiro depois da era Pelé. A jogada editorial é compreensível em tempos bicudos para o jornalismo impresso e, notadamente, para o segmento de revistas.

O tema, porém, é interessante e suscita um bom debate. Quase ninguém se detém em análises sobre os sucessores do Rei Pelé, talvez até pela intimidação causada por supercraques surgidos lá fora.

De minha parte, considero uma heresia posicionar Neymar como o melhor desde que o Rei se aposentou. Está atrás de vários grandes craques. É inferior, por exemplo, a Ronaldo Fenômeno, Romário, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Zico.

Com muita boa vontade, o camisa 10 do PSG pode ser elencado no mesmo patamar de Kaká, Bebeto, Sócrates, Geovani e Roberto Carlos, entre outros menos votados.

Não se considera aqui os títulos amealhados pelos que estão à sua frente, todos campeões do mundo e ganhadores da Bola de Ouro. O que salta aos olhos é a técnica refinada, a regularidade e a importância para a Seleção e os clubes que defenderam ao longo da carreira.

Neymar tem a possibilidade de ir longe, talvez até muito mais que alguns dos que o superam hoje, mas por enquanto isso não passa de expectativa. Pelo que se viu até hoje, pelos muitos passos em falso, os próximos 10 anos de carreira dificilmente reservarão as glórias que o jogador e seu pai julgam ser possível de atingir.

Ah, antes que pareça omissão deliberada, meu voto sobre o melhor craque brasileiro depois de Pelé vai para Ronaldo Nazário.

——————————————————————————————-

Bola na Torre

O programa deste domingo dedica todas as atenções à cobertura do primeiro Re-Pa do ano. Guerreiro apresenta, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense, a partir das 21h, na RBATV. O torcedor interage com perguntas e comentários, com direito a sorteio de prêmios.

——————————————————————————————

Dupla Re-Pa ganha novo patrocinador

Minutos antes do clássico deste domingo, no estádio Jornalista Edgar Proença, a diretoria da empresa VeganNation celebra oficialmente acordo de patrocínio com Leão e Papão, representando o futebol paraense, e Iranduba e Nacional, pelo futebol do Amazonas.

A VeganNation já patrocina clubes de futebol de outros Estados e decidiu partir para a parceria com clubes do Norte, mirando principalmente a dupla Re-Pa e suas fantásticas torcidas. No caso do Iranduba, o patrocínio destina-se ao futebol feminino.

O evento terá as presenças dos presidentes Fábio Bentes (CR), Ricardo Gluck Paul (PSC), Amarildo Dutra (Iranduba) e Nazareno Melo (Naça), além do diretor executivo e fundador da VeganNation, Isaac Thomas. Será servido um lanche vegano aos presentes.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 17)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s