Governo militariza universidades federais

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Mais do que simplesmente o comando da Universidades Federais, o que não atinge a troca direta de reitorias, o governo Bolsonaro nomeou militares do exército e de outras forças para comandar a educação presencial e a distância superior no país. Ficarão, inclusive, responsáveis pelo financiamento estudantil e hospitais universitários.

A nomeação de militares para a educação visa militarizar as Universidades Federais como forma de manter o controle de verbas e o combate a movimentos estudantis. Pela mesma motivação, haverá alteração no conteúdo e revisão nos modelos históricos empregados pela academia, no ensino superior, principalmente, relativos o período militar e no estudo da sociologia marxista.

Como apurado, foram nomeados ao menos cinco militares paras as pastas que tratam de temas centrais da educação superior que ainda não foram publicados no Diário Oficial da União. São eles:

O coronel Robson Santos da Silva, especialista em ensino a distância e ex-diretor da Abed (Associação Brasileira de Ensino a Distância), foi nomeado assessor especial do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Ele é bacharel em ciências militares pela Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), onde também estudou o presidente Jair Bolsonaro.

O posto de diretor de política regulatória da Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior) ficará a cargo do tenente-coronel Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior, que também se formou na Aman.

Dentro da Seres, secretaria que coordena processos burocráticos de regulação do ensino superior, Oliveira Junior auxiliará na implementação de políticas públicas, no aprimoramento das leis que regulam a o ensino privado e na elaboração de referenciais de qualidade para a educação a distância.

Da aeronáutica, o coronel-aviador Ricardo Wagner Roquetti foi nomeado diretor de programa da secretaria-executiva. Uma fonte ouvida pelo UOL sob condição de anonimato afirmou que Roquetti é considerado um dos nomes mais fortes dentro do MEC e deve ter, com o cargo, poder similar ou até mais forte do que o ministro Vélez.

Roquetti, que foi pró-reitor adjunto do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), trabalhou na equipe de transição do governo. Ele teria indicado o nome do engenheiro Anderson Ribeiro Correia para a presidência da Capes, principal agência de fomento à pesquisa do país.

Correia, que não tem patente militar, era reitor do ITA até o início deste ano. Ele também foi o orientador da dissertação de mestrado defendida por Roquetti na Unifa (Universidade da Força Aérea) em 2010.

Ainda na secretaria-executiva do MEC, o oficial da reserva não remunerada da Marinha Eduardo Miranda Freire de Melo foi nomeado secretário-executivo adjunto. Em 2017, ele se tornou franqueado da Faculdade Inspirar em Brasília. Em seu currículo, Melo diz ainda ser diretor de um colégio particular de Curitiba.

Já o coronel da reserva remunerada dos bombeiros Luiz Tadeu Vilela Blumm foi nomeado diretor de gestão de fundos e benefícios do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Blumm, outro ex-integrante da equipe de transição do governo, irá coordenar o financiamento estudantil oferecido pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), que repassa recursos para as redes públicas de ensino municipais e estaduais.

Ainda há a expectativa pelas nomeações do coronel da reserva Sebastião Vitalino da Silva para a coordenação-geral de materiais didáticos da SEB (Secretaria de Educação Básica), principal cargo responsável pela seleção dos livros didáticos comprados e distribuídos pelo governo, e do general Oswaldo de Jesus Ferreira para a presidência da Ebserh, responsável pelo gerenciamento dos hospitais universitários federais de todo o país. (Do UOL)

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