Para descentralizar a Cultura

Em carta publicada no Facebook, o jornalista e ativista cultural santareno Jota Ninos parabeniza a escolha de Úrsula Vidal para a Secretaria de Cultura e apresenta, a título de sugestão, uma proposta de descentralização das atividades do órgão:

Querida Úrsula Vidal,

Inicialmente lhe parabenizo pela escolha para assumir a condução da Cultura no Pará, embora tenha causado muita polêmica nos bastidores políticos por conta da filosofia de seu partido, o PSOL, de não aceitar sua postura considerada individualista e levando ao seu desligamento da legenda.

É bem verdade que a filosofia nos partidos de esquerda é a de priorizar o debate coletivo antes da decisão individual, e nesse sentido você pode ter pecado.

Mas como integrante da direção local do PCdoB, um partido de esquerda e que tem uma militância cultural reconhecida nacionalmente, e já tendo sido aliado dos camaradas do PSOL local, quero deixar esse debate de lado e acreditar que sua postura tenha sido por uma causa maior que você acredita, como bem salientou em seu primeiro pronunciamento em sua fanpage. A história dirá se foi um passo acertado ou não.

Por eu ser jornalista e militante das causas culturais aqui em Santarém, cidade pela qual você passou várias vezes nos últimos anos, seja como profissional da comunicação ou como política, quero aproveitar a oportunidade de apresentar-lhe uma proposta de trabalho em prol da cultura paraense regional.

É sabido que nos últimos anos de governo Tucano, a cultura foi relegada a uma política centralizada em grandes eventos que privilegiaram muito mais o público da capital. Para o interior, o investimento sempre foi pífio, como acontece, historicamente, em todos os departamentos e que já levou a população a se organizar para criar dois novos Estados no oeste e no sul do Pará: o Tapajós e o Carajás.

Se você quiser marcar sua gestão com uma política cultural que tenha um olhar mais sensível para a cultura que pulsa nos grotões, proponha ao governador Hélder Barbalho a efetivação de um processo maior de DESCENTRALIZAÇÃO da gestão, retomando a criação dos Núcleos Regionais da Secult, que existiam na década de 1980, quando o pai do atual governador era o mandatário.

À época, a Secult se chamava Secdet, porque abrangia também o desporto e o turismo, hoje desmembrados em secretarias diferentes. Em Santarém, o Núcleo Regional para o Oeste do Pará funcionava na Casa da Cultura Historiador João Santos, que inclusive recebeu grandes investimentos e foi reinaugurado já com esse nome, por ser o principal espaço de eventos culturais da região.

Hoje, a situação do espaço é a foto 3 x 4 dos investimentos em cultura na região, com um palco deteriorado e que pode transformar um belo evento numa vergonha lastimável, por conta de goteiras, problemas de iluminação e som, etc.

A descentralização da gestão da cultura, creio eu, facilitaria a interlocução com os agentes culturais em cidades com uma cultura tão rica quanto Santarém e os outros 20 municípios dessa região.

Aguardamos ansiosos por uma concepção mais abrangente no âmbito territorial do estado, por uma pessoa como você que sempre se mostrou sensível a isso.

O Pará cultural está nos quatro cantos do estado. Basta você conectá-los com uma gestão que privilegie a descentralização.

Abraços e boa sorte.

Jota Ninos, jornalista, dirigente do PCdoB e ativista cultural.

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