O desafio dos enjeitados

POR GERSON NOGUEIRA

Experiências mais ou menos recentes desaconselham a insistência com jogadores que não deixaram impressão marcante na primeira passagem pelos clubes locais. O Papão está desafiando esse preceito com a repatriação de Caion (foto), que passou por aqui em 2017 sem impressionar ninguém. Naquele ano, chegou a marcar gols, mas foi vítima da inconstância. Aparecia bem em determinados momentos e sumia na maior parte do tempo.

Quando seu nome foi anunciado, a torcida se dividiu, mas a maior parte mostra-se reticente quanto ao acerto da decisão tomada pela diretoria. Em favor da diretoria de futebol e da comissão técnica, há o fato inquestionável de que é cada vez mais difícil encontrar bons atacantes disponíveis no país.

A situação é mais complexa porque a Série C é hoje uma competição de baixa visibilidade em comparação com a Segunda Divisão, onde há a garantia de transmissão de todos os jogos. Até o momento a CBF não confirmou a venda dos direitos de transmissão a nenhum canal fechado ou aberto.

Caion é um jogador ainda jovem, com boa movimentação pelos lados e que aparece na área de vez em quando. Não costuma pisar na grande área, mas pode ser útil como escolta para um centroavante que se imponha na luta contra as zagas adversárias.

A outra missão de igual complexidade envolve Djalma, volante-ala-meia que surgiu no PSC e agora surge como um dos escolhidos por João Neto para integrar o elenco azulino que vai disputar o Campeonato Estadual. A aposta é pessoal de Netão e o contrato é de curto prazo.

Acontece que, depois de ser titular no Papão e atuar como parceiro de Pikachu pelo lado direito, Djalma resolveu buscar novos ares, mas não foi bem sucedido. Perambulou por clubes medianos, de pouca tradição e sem torcidas exigentes como as dos titãs de Belém. Não brilhou com nenhuma camisa e parecia até meio esquecido quando ganhou chance no Evandro Almeida.

Vai se agarrar à oportunidade como quem trava a última das batalhas e talvez essa seja a grande esperança do técnico azulino, embora, como ocorre com Caion do outro lado da avenida, a aposta desperte desconfianças na torcida remista.

Para o setor de campo onde Djalma atua, o Remo não tem nenhum nome mais imponente, embora tenha trazido Robson como aposta de titular. A boa notícia para o ex-bicolor é que poderá disputar posição também como ala ou até como meia, como ocorreu com Dedeco em boa parte da Série C 2018.

A má notícia fica por conta do provincianismo que rege as relações entre os dois maiores rivais paraenses e suas fanáticas torcidas. O nível de cobrança em relação a jogadores que atravessaram a Almirante Barroso é sempre mais intenso do que em relação a atletas vindos de outros clubes.

Djalma tem 28 anos, carrega uma história profissional associada ao maior rival azulino, mas ostenta uma imagem positiva quanto à qualidade técnica. Pela idade e determinação, pode ser bem sucedido na retomada de carreira, como ocorreu com Rogerinho Gameleira e Eduardo Ramos.

A conferir.

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Bola na Torre

Neste domingo, o programa começa excepcionalemnte mais cedo. Vai ao ar às 19h40, sob o comando de Guilherme Guerreiro, com participações de Saulo Zaire e deste escriba de Baião. Em pauta, a montagem dos times e os preparativos da dupla Re-Pa para a próxima temporada.

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Epopeia e brilho de um timaço de basquete

Com o brilho próprio dos gigantes, o craque Emanuel Ginóbili é a estrela fulgurante de um sensacional documentário exibido pela TV estatal argentina, narrando suas façanhas, dores e opiniões agudas, ao lado de coadjuvantes inspirados e acima da média, como Oberto, Gutierrez, Delfino, Fabri, Pepe Sanchez, Palladino e Luis Scola.

Depoimentos da turma toda desnuda os segredos da chamada geração de ouro da Argentina nas quadras. Ginóbili nasceu quase numa cesta de basquete, filho de um atleta talentoso e dedicado. Aprendeu os macetes com o pai e evoluiu na parceria diária com os irmãos.

Estendeu o clima familiar à seleção que, reunida por Ruben Magnano, que mostrou a que veio com o espetacular e improvável triunfo do Mundial 2002 sobre o Dream Team, formado exclusivamente por astros da NBA.

De um instante para outro, Manu Ginóbili e seus companheiros se tornaram astros de primeira grandeza. Avançando com firmeza sobre Alemanha e Iugoslávia, escolas mais tradicionais, o time alviceleste não levantou a taça, mas deixou claro que era um time de altíssimo calibre.

Manu e seus comparsas se dedicaram então ao desafio de assombrar o mundo nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Foram bem sucedidos e Magnano exibiu a frieza necessária para reger a orquestra de talentos e fazer da equipe a número um do mundo, compensando de certa forma a frustração de dois anos antes.

Vale a pena ver o filme por inteiro, mostrando a saga de uma seleção que nunca havia ido tão longe e que legou ao mundo um fora-de-série até hoje reverenciado pela torcida como o primeiro e único Obi-wan Ginóbili.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 23)

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