Crônica da queda anunciada

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POR GERSON NOGUEIRA

Os 14 mil torcedores que lotaram a Curuzu no sábado à tarde estavam lá apostando na possibilidade de um milagre. Fé cega e esperança andam de braços dados no futebol desde sempre. A salvação poderia ter ocorrido. O Oeste, que precisava vencer, ficou no 0 a 0 com o lanterna Boa Esporte.

Faltou o Papão fazer sua parte, item sempre ressaltado antes do confronto decisivo diante do Atlético-GO. No geral, o discurso foi assimilado em público pelos jogadores e comissão técnica, mas na prática não houve em campo a aplicação necessária para superar um adversário tecnicamente superior.

Costuma-se repetir em ocasiões como esta, quase como um clichê, que rebaixamentos são construídos no decorrer de uma competição. Nada mais verdadeiro. Ocorre que, na situação específica do PSC nesta Série B, as circunstâncias da rodada final permitiam evitar o desastre.

Aos 15 minutos do 1º tempo, quando Mike abriu o placar (havia feito um gol, mas a arbitragem anulou incorretamente), a combinação de resultados era perfeita para os bicolores. Além de estar em vantagem na partida, CRB, Criciúma e Oeste empatavam seus jogos.

De repente, porém, tudo passou a conspirar contra os interesses alvicelestes. O time seguia atacando muito e finalizando mal como sempre. Hugo Almeida perdeu chances, Timbó e Diego Ivo também. No meio, a coleção de erros de Nando Carandina e Renato Augusto ajudaram no projeto de reação do Atlético.

Tranquilo, sem se lançar afoitamente à frente, o time goiano se concentrou em explorar a precipitação do time da casa na tentativa de chegar ao ataque da forma mais desastrada possível: esticando passes, insistindo em ligações diretas e entregando a posse de bola a todo instante.

O empate nasceu de maneira meio espírita, com um chute de Moraes que desviou em Maicon Silva, mas o gol da virada já resultou do melhor futebol da equipe visitante e da lerdeza do centro de zaga do PSC.

Nem bem a bola rolou no segundo tempo e o Atlético chegou ao terceiro gol, com João Paulo entrando de novo entre os zagueiros. Prova de que o visitante estava mais plugado. Lento e dispersivo, o PSC ainda descontou com Thomaz, mas o esforço ficou por aí.

O Atlético, sempre cadenciando quando era necessário e acelerando quando possível, marcou mais dois e liquidou a fatura com uma goleada categórica e indiscutível. A queda, desenhada lá atrás, se confirmou da forma mais vexatória. Caso tivesse se preparado para superar o adversário mais qualificado, talvez o PSC estivesse salvo a essa altura.

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Palmeiras decacampeão no velho modelo gaúcho de jogar

Vinte e dois anos depois, Felipão voltou a ser campeão dirigindo o Palmeiras. O título é o décimo da história do clube, o maior campeão brasileiro de todos os tempos. Além da importância natural, a conquista ajuda a resgatar também o técnico, que ainda carrega o peso do maior fiasco do futebol pentacampeão – a surra de 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa 2014.

Absoluto ao longo da competição, após um começo hesitante, o Palmeiras jogou como Felipão gosta. Defesa forte e rebatedora de bola, meio-campo brigador e ataque baseado no jogo aéreo. Um estilo pouco técnico, fiel à escola gaúcha, futebol feio e ainda muito eficiente para consumo interno.

O fato é que o Palmeiras sobrou, terminando com a marca de 22 partidas de invencibilidade. O título confirma também que, cada vez mais, as vitórias dependem de poderio econômico. Conseguiu montar dois bons times, permitindo a Felipão revezar para atender as necessidades de três competições simultâneas – Copa do Brasil, Libertadores e Série A.

Dudu se sobressai como principal peça do elenco palmeirense. Jogador esquentadinho, foi se acalmando com o tempo e cumpriu certamente sua melhor temporada, embora não seja propriamente um craque.

Ainda sobre o 7 a 1, Felipão vai continuar eternamente marcado pela tragédia do Mineirão. O que não significa que isso seja justo, mas, como se sabe, o futebol jamais foi regido por princípios de justiça. Aos 70 anos, recusa a pecha de ultrapassado, mas o modelo tático que adota é datado e só funciona no futebol paupérrimo praticado no Brasil.

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Pikachu: grande temporada e expulsões infantis

Com excelente participação na temporada, fazendo nove gols apesar da pífia campanha do Vasco na Série A, Pikachu tem exibido um lado surpreendentemente temperamental nos jogos. Isso resulta em advertências e expulsões, como ontem, em S. Januário. Irritadiço, lembra até o palmeirense Dudu dos velhos tempos no hábito de peitar árbitros.

Compreende-se a tensão que envolve os vascaínos ante o risco de rebaixamento, mas bancar o xerifão na hora errada gera prejuízos ainda maiores, como a falta que Pikachu fará ao time na última e decisiva partida, contra o Ceará, em Fortaleza.

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Ataque ao ônibus do Boca envergonha a Argentina

Há pouco a dizer sobre as cenas de violência que provocaram o adiamento da final da Libertadores entre River e Boca. Barras bravas argentinos são famosos pela truculência. Ficamos sabendo agora que a polícia de lá é tão fraca quanto a daqui na prevenção de conflitos. Se a Conmebol fosse séria, o Boca seria declarado campeão. Sem discussão.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 26)

4 comentários em “Crônica da queda anunciada

  1. Desde o encerramento da Copa Verde que juntamente com a Copa do Nordeste, carregam uma maldição, o rebaixamento dos seus campeões, com raras exceções; eu tenho criticado a direção bicolor.
    Acredito que a edição da série B deste ano, foi a mais equilibrada porém a de mais baixo nível técnico já visto durante a modalidade de pontos corridos.
    Rodada após rodada logo após o apagão que antes deste, deu a falsa impressão de que o acesso viria, foi notório a falta de qualidade técnica dos atletas bicores que disputaram esta temporada.
    Mais do que os 15 milhões perdidos, certeza de amargar anos difíceis pela frente.
    Projeto uns três ou quatro anos para uma possível volta a segunda divisão seja o time de Suíço ou seja o rival.
    Trevas sobre o futebol paraense, trevas para o futebol do Norte
    A série C, recheada de nordestinos que terão as maiores probabilidades de subir graças a a dificuldade de acesso a região Norte e por não ser vitrine, quem quer jogar num time de série C com aspecto de time sem divisão em seus setores?, Será que teremos Eduardos Ramos em 2019?, Olha é a visão do inferno.
    Hoje, em um análise fria e realista dos nossos dois titãs, com “t” minúsculo mesmo, chamá-los de times grandes é faltar com respeito aos Clubes Grandes do futebol brasileiro.
    Sem mi, mi, mi!
    Qualquer estado tem condições sim de montar uma equipe competitiva, vibrante e digna de suas torcidas basta por um fim nos atravessadores, nos empresários que só querem lucrar no despreparo, quero eu acreditar nisso, pois não creio em dolo, de se associarem a estes em detrimento do clube a servir.
    2019 está perto mas não tem o que festejar!

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  2. Todos os adjetivos que se possa pensar para traduzir o fiasco do Paysandú na temporada 2018, incluído o título da Copa Verde – ganha com suado empate, em Belém, sobre o desconhecido e amador Atlético Itapemirim/ES, se resume em falta de compromisso da Diretoria e, principalmente, jogadores de qualidade de Série D. A vergonhosa goleada sofrida ante o Atlético/GO, apesar de anunciada, reveste-se de elevado grau de suspeição, pois a omissão do time em campo era flagrante. Vendo um clube como uma empresa – que não atingindo suas metas em final de ano demite todos os “especialistas” e “consultores”, espera-se que a Diretoria do Paysandú se manifeste junto à sua torcida, imediatamente, e demita sumariamente todos os jogadores que fingiram estar em campo no último sábado.

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  3. Mestre Nogueira, incompetência por incompetência, a do nosso maior rival (rebaixado ontem) ganha de braçada, não é? Com a estrutura que eles tem, só com muita, mas muita incompetência pra fazer o que fizeram…
    Por acaso, já pediram o boné?

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