
Por Milton Hatoum
Foi um vexame o primeiro discurso do novo presidente. Antes da fala, o eleito e seus assessores, orando de mãos dadas e olhos fechados, pareciam membros de uma seita religiosa fundamentalista, e não dirigentes políticos de um Estado laico.
O discurso, de uma vulgaridade gritante (na forma e no conteúdo), antecipa um estilo de governar.
Não menos vulgares são os assessores e bajuladores que cercam o capitão. Ao ver e ouvir as cenas patéticas da reza e da fala, me lembrei das frases de um conto de Tchekhov:
“Estou cercado de vulgaridades por todos os lados […] Gente enfadonha, vazia… Não há nada mais medonho, mais ultrajante, mais deprimente do que a vulgaridade. Fugir daqui, fugir hoje mesmo, senão vou ficar louco!”
Mas não é preciso fugir. Vou ficar aqui, lendo, escrevendo, dando palestras sobre literatura, questionando democraticamente essa figura sinistra e o que ela representa.
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Tchekhov: “O professor de letras” (In: “O assassinato e outras histórias”, trad. Rubens Figueiredo, ed. Cosac & Naify, 2002)
Pra quem não tem milhões de reais para torrar com marqueteiros que poderiam melhorar ou pelo menos suavizar o visual, as expressões corporais e estilistas, é tudo no improviso mesmo, até o discurso da vitória. É uma espécie de Ho Chi Minh da extrema direita usando táticas de guerrilha.
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Deixe de ingenuidade, meu amigo. GRANA, com letras maiúsculas, é o que nunca faltou na campanha bolsonariana. Fique tranquilo.
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Se foi caixa 2, escondeu muito bem a fonte então.
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E precisa esconder muito bem com a Justiça seletiva e acovardada que temos? Tudo dominado, aceito e tolerado desde que não seja pro lado progressista. Vide o escândalo do impulsionamento por whatsapp. Cada uma das 126 empresas que participaram gastou R$ 12 milhões – denúncia da Folha de S. Paulo. Isto é Caixa 2 escancarado, exposto e claro. A questão é: terão interesse em investigar? Duvido muito.
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