Engenheiro boliviano acusa Fifa de plágio na criação do VAR e quer R$ 433 milhões

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“A minha ideia foi instalar seis câmeras pelo campo. É o suficiente para cobrir ele todo. Era uma câmera atrás do gol, uma na linha lateral direita e outa na esquerda. E isso se repetia do outro lado do gramado. Além disso, o árbitro usaria um microfone e poderia ver as imagens quando necessário.”

Qualquer semelhança entre o “Projeto Piloto de Arbitragem Eletrônica”, desenvolvido pelo engenheiro civil boliviano Fernando Méndez Rivero, e o VAR (sigla em inglês para árbitro assistente de vídeo), utilizado na última Copa do Mundo e em boa parte dos principais campeonatos do planeta, não é mera coincidência.

Pelo menos é isso que alega o inventor de 63 anos. Segundo Méndez, a Fifa tinha total conhecimento do sistema que desenvolvido há 13 anos, copiou seu projeto e não pagou nada pelos direitos intelectuais. ”A ideia nasceu em 2004. Fui assistir a um jogo do Oriente Petrolero, meu time de coração, contra seu arquirrival, o Blooming. Perdemos a partida por causa de um pênalti que não existiu marcado a dois minutos do fim.

Voltei para casa bravo, sentei no computador e comecei a desenhar o projeto no qual trabalhei durante sete ou oito meses”. ”O VAR é exatamente o que era meu desenho. É 100% plágio. Depois que termine o projeto, registrei a patente no Senapi [Serviço Nacional de Propriedade Intelectual da Bolívia – é esse o documento que Méndez segura na foto acima] e o enviei para a Fifa e para todas as federações nacionais e regionais.” Segundo Méndez, ninguém da Fifa jamais respondeu ao seu contato.

O único dirigente importante que o procurou para conversar sobre a possível implantação do árbitro eletrônico foi o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira. “Ele me ligou e conversamos durante dois minutos. Ricardo Teixeira me parabenizou pelo projeto, disse que ia analisar a viabilidade dele e que apoiaria meu trabalho”, afirmou.

Jogador profissional na década de 1970, o engenheiro afirma ainda que atualizou seu projeto em 2012 e voltou a enviá-lo para Fifa. Mas, mais uma vez, não recebeu nenhuma resposta. Anos depois, começou a ver o VAR ser implantado em várias ligas nacionais e também no Mundial da Rússia-2018. “Todo mundo que trabalha é digno de um salário. Eu passei meses nesse projeto pensando em solucionar os problemas do futebol daquela época, do futebol de hoje e do futebol que está por vir. Mereço ser remunerado por isso.”

Por enquanto, Méndez ainda não acionou a Fifa na Justiça. O inventor está rodando a América do Sul em busca de aliados para um possível confronto com a entidade máxima do futebol mundial. Nos próximos dias, ele irá se encontrar com o presidente da Bolívia, Evo Morales, para discutir o tema. “Sou uma pulga em um duelo contra um elefante. Sozinho, não tenho forças para chegar à Fifa. Preciso de ajuda de gente que é maior que eu.”

O boliviano quer uma indenização de US$ 500 mil (R$ 2,1 milhões) por entidade que utilizar o VAR em alguma competição que organiza. Em seus cálculos, isso pode lhe render cerca de US$ 100 milhões (R$ 433 milhões). “Acho que esse é o valor justo por um trabalho que é tão magnífico. Mas não vou ficar com tudo para mim. Meu compromisso é doar metade para os pobres, para o serviço social e para obras de evangelização.”

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