Dura realidade

Por Daniel Malcher – especial para o blog
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Ironias e sarcasmos à parte, mas não me impressiona a considerável popularidade eleitoral de um ser tão abjeto, ignorante, cretino, boçal, violento, paranóico e contraditório como Bolsonaro. Numa conjuntura onde grassam lado a lado o cinismo, a hipocrisia e a desesperança, é preciso haver “esperança”, mesmo que seja a torpe esperança, uma vez que ela possa sorrateiramente também caminhar de braços dados com a desfaçatez devidamente escondida sob o manto daqueles que pugnam pelas falsas virtudes.
O candidato neo-fascista – aqui observado numa tentativa de exercício rápido de compreensão de certas “cabecinhas” – é a projeção coletiva de um  id-ego embebido em escrotisses e sordidez reprimidos por um super-ego que media esse embate através de, digamos, “regras” de boa convivência minimamente consensuais e parâmetros civilizacionais. Essa emergência egóica coletiva naturaliza a barbárie e aponta seus instintos e pendores contra quem os amarra. Será que isso pode explicar a luta titânica, no plano discursivo, dos bolsonaristas contra o “politicamente correto”? Alô super-ego!?
Nesse sentido, as “virtudes” autoatribuidas dessa horda bolsonaresca consistem então e um sintoma dos conflitos entre os entes de suas “cabecinhas” – e não uma causa de suas não-causas – cujo resultado podem ser a contradição e o contraste alucinado entre o que se auto-proclama e o que se faz ou o que se é. Pra aplacar sabe? Talvez uma espécie de “desencargo de consciência”, com o perdão do trocadilho. Assim, “ser cristão” e venerar torturadores; dizer “defender a família tradicional e os bons costumes” e ao mesmo tempo dizer “eu comia gente”; “ser contra a corrupção” e receber propina; dizer ser “um cidadão de bem” e ridicularizar mulheres e banalizar o estupro ou dizer “não tenho preconceito contra negros” e renegar a escravidão são posicionamentos naturalizados e fincados no solo onde cinismo e hipocrisia estão espraiados – e também naturalizados. Junte-se a isso paranóias conspiracionistas (olha ela aí) de “dominação esquerdista global” e inimigos anacronicamente  imaginários como item de um discurso unificador que demoniza o outro – o diferente, que na lógica bolsonarista é o “não virtuoso” – e pronto, tem-se então um caldo de intolerância e brutalidade discursiva e política que aponta para a “verdade” (ou será pós-verdade?), tão ao gosto de seguimentos punitivistas, vingativos (contra o quê?), ressentidos, apavorados e com uma preferência peculiar pelo absurdo.
Bolsonaro e seu séquito são isso: o inominável absurdo. “Ah mas ele diz o que pensa!” é uma flecha costumeiramente usada contra o “politicamente correto” superegóico. Não importa, está provado que o que ele pensa é estupidamente absurdo. Mas sabe… nem Freud explica esse cara. Aliás, esses caras.

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