Rafa Márquez e o exílio em plena Copa

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Por Thiago Madureira, no Superesportes

Rival do Brasil nas oitavas de final, o zagueiro mexicano Rafael Márquez, conhecido pelo seu passado no Barcelona, tem muito o que comemorar nesta Copa do Mundo, uma vez que alcançou recorde histórico de participações no torneio. Por outro lado, ele passa por momento delicado em sua vida pessoal, com reflexos na seleção, em função de uma acusado de envolvimento com o narcotráfico.

Experiente zagueiro de 39 anos, Rafa Márquez se tornou, ao lado do ex-goleiro mexicano Antonio Carbaval, do ex-meio-campista alemão Lothar Matthäus e do goleiro italiano Gianluigi Buffon, atleta com mais Mundiais disputados na história. Todos eles estiveram em cinco Copas do Mundo. Márquez atuou em 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018. Provavelmente, ele será reserva no duelo contra o Brasil. Tem sido opção do técnico Juan Carlos Osorio no banco. Os titulares no miolo da defesa são Moreno e Salcedo.

Apesar da marca história, Rafa Márquez tem sentido as acusações de ligação com narcotráfico feita pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que geraram efeitos na Copa do Mundo. Segundo o órgão do governo norte-americano, o jogador se envolveu com o narcotraficante Raúl Hernández Flores, procurado pela polícia dos EUA. Márquez teria ajudado carteis mexicanos na lavagem de dinheiro. O jogador nega as acusações.

Segundo reportagem do The New York Times, o nome do zagueiro está em uma lista do Departamento do Tesouro que proíbe que empresas do país façam negócios com ele. Em função disso, Márquez tem treinado com uniforme sem patrocinadores – a maioria dos apoiadores da Seleção Mexicana é norte-americana. A única marca no uniforme do zagueiro é a Adidas, empresa alemã.

Ainda segundo o jornal americano, Márquez não pode ser entrevistado com painel mostrando marcas de empresas norte-americanas, não pode voar em companhias do país, nem receber o prêmio de melhor em campo, da marca de cervejas Budweiser.

Quem acompanha a rotina da Seleção Mexicana percebe a diferença. Além do uniforme, até a água que ele bebe não pode ter rótulo ou fazer alusão à marca americana que patrocina o México. Ele tinha outros contratos de patrocínio, mas os perdeu em função da acusação do Tesouro dos Estados Unidos.

A Federação Mexicana de Futebol já se pronunciou sobre o caso Rafa Márquez: “consultamos especialistas e decidimos tomar ações que, a nosso conhecimento, não irão prejudicar ou incorrer em atos que possam prejudicar Rafael Márquez ou a Federação Mexicana de Futebol”.

A partida contra o Brasil pode ser a última do zagueiro em uma Copa do Mundo. Brasil e México se enfrentam na segunda-feira, às 11h, em Samara.

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