Maio aprisionado

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Por Fernando Brito, no Tijolaço 

Durante muito tempo, a imagem-símbolo do 1° de Maio no  Brasil foram os comícios de Getúlio Vargas no estádio de São Januário, no Rio de Janeiro. Num deles, há exatos 75 anos, anunciou-se a CLT, ainda hoje e apesar dos ataques que sofre, a maior garantia do trabalhador.

Depois, desde 1978, a imagem do trabalho ficou sendo a de outro estádio, o de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, onde os metalúrgicos faziam uma greve por melhores salários, ainda em plena ditadura militar. À frente dela, um Lula de cabelos e barba ainda fartos e pretos, surgia na cena brasileira.

40 anos depois, o 1° de maio tem como símbolo uma prisão.

O país está transformado num estado policial, onde a política é feita por delatores, promotores e juízes.

Contra os dois símbolos da luta do povo brasileiro por sua afirmação e da elevação do trabalho a valor capaz de produzir esta identidade, esta camada dos controladores do Estado brasileiro levantou-se assim que pôde, com métodos fortemente assemelhados.

A República de Curitiba é o sucedãneo da República do Galeão: um centro de pressões e armações que visa, desde o início, a um objetivo, colocar Lula na cadeia.

Se a este objetivo alcançou, de outro está a cada dia mais distante: o de tirá-lo das mentes dos brasileiros.

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