Com alma e alegria

POR GERSON NOGUEIRA

A conquista do título estadual pelo Remo é incontestável. Foi o melhor do campeonato, disparadamente. Terminou oito pontos à frente do segundo colocado, marcando quatro vitórias seguidas sobre o maior rival. No triunfo de ontem à tarde, que também foi o confronto final, apesar do equilíbrio reinante e da prevalência da marcação sobre a técnica, o time de Givanildo Oliveira voltou a se sair melhor, principalmente pela objetividade que imprimiu ao jogo.

O tempo todo, na fase mais aguda da competição, o Remo mostrou-se mais consciente de seus limites e forças, usando isso para superar seus adversários. Ciente de que não tinha o elenco mais qualificado, em comparação com o do PSC, tratou de compensar isso com aplicação e um esforço por compactar suas linhas.

Em muitos momentos, o jogo dava a impressão de que o PSC tinha o controle de tudo, pois retinha mais a bola e girava bastante. O problema é que essas manobras, repetitivas e inócuas, permitiam que o bloqueio azulino se reorganizasse a tempo para anular as tentativas.

Ao contrário, o Remo era prático e sempre levava perigo nas chegadas à área alviceleste. Como aos 26 minutos, quando Adenilson lançou Felipe Marques e este foi derrubado pelo goleiro Marcão. O pênalti claro não gerou nem contestações. Isac cobrou no canto direito da trave, deslocando o arqueiro.

Com a vantagem de dois gols no placar agregado, o Remo ficou tranquilo, procurando sair apenas quando a situação permitia e economizando forças para o tempo final. A rigor, o único lance agudo do PSC foi no final da primeira etapa, quando Cassiano foi lançado e Bruno Maia aplicou o desarme em cima da linha, sem falta.

Um pouco antes, aos 37’, o árbitro Anderson Daronco incorreu em falha grave ao deixar de assinalar pênalti de Marcão sobre Elielton. O goleiro chegou novamente atrasado na disputa e acertou com o braço as pernas do atacante antes de tocar na bola.

Depois do intervalo, o PSC voltou revigorado. Dado substituiu Mateus por Moisés e William por Danilo Pires, usando mais ou menos a mesma estratégia vitoriosa contra o Bragantino na semifinal. Desta vez não deu certo porque Moisés até entrou bem, criou duas boas situações (chutando em cima de Vinícius e cabeceando com muito perigo depois), mas Pires foi outra vez peça apagada.

Nando Carandina se transformou em terceiro zagueiro e foi incansável no combate aos rápidos Felipe Marques e Elielton, depois substituídos por Jayme e Rodriguinho, mas o Papão precisava de força e talento na frente, virtudes que os atacantes ficaram devendo.

Apesar de sempre acompanhado por Bruno Maia, Walter foi o atacante mais desprendido do lado bicolor, chegando a perder uma boa chance nos instantes finais e distribuindo bons passes.

Do lado remista, Felipe Marques voltou a ser decisivo, pela velocidade e posicionamento no campo adversário. Isac se movimentou mais do que o habitual, ajudando a marcar nos momentos em que o PSC se lançou todo ao ataque. Dudu e Felipe Recife (depois substituído por Fernandes) faziam o trabalho de proteção para a atuação quase sem retoques de Mimica e Bruno Maia.

Além de toda a força e entrega na luta pela bola, o Remo teve em Vinícius segurança e arrojo quando a situação exigiu. Ao contrário de Marcão, novamente precipitado em algumas saídas, Vinícius brilhou pela economia de gestos. Não é um goleiro estabanado, mas da boa colocação sua principal virtude.

Dentre todos os responsáveis pela reconquista do título estadual, o Remo deve muito a Givanildo Oliveira. Quase setentão, o técnico chegou na hora certa, apagando incêndios e dando unidade a um grupo bastante heterogêneo.

Com Giva, o Remo passou a ter um time operário e funcional. Na entrevista pós-jogo, ele destacou a necessidade de ter jogadores dispostos a atuar com alegria. Acertou em cheio. Alegria é tudo, principalmente em futebol.

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Goleiro e atacante brilham no Leão; volante foi o melhor no Papão

Na equipe que levantou a taça estadual na tarde de ontem, perante mais de 28 mil espectadores, Vinícius foi um dos destaques, aparecendo muito bem em três grandes situações criadas pelo ataque do PSC. Felipe Marques sofreu o pênalti que decidiu a final e foi taticamente importante, ao prender a marcação enquanto teve pernas e fôlego.

Além deles, Mimica e Bruno Maia foram incansáveis, ganhando quase todas pelo alto e muito firmes nas jogadas de chão. Levy reapareceu com eficiência na direita, compensando as hesitações de Esquerdinha na esquerda. Adenilson teve boa atuação, mas perdeu gol feito, após passe perfeito de Marques. Jayme também perdeu outra oportunidade clara.

No Papão, apesar dos rasgados elogios de Dado Cavalcanti a todo o time pelas manobras em torno da área do Remo, faltou clareza para tentar as jogadas de habilidade e infiltração. A rigor, somente Moisés fez isso e descolou um chute cruzado que Vinícius defendeu.

Walter, pela falta de mobilidade, sofre com o bloqueio adversário, mas ainda assim foi o responsável pelas melhores investidas do time. Acima de todos, porém, esteve Nando Carandina, que voltava de uma lesão, mas foi o jogador que mais lutou, tanto na defesa quanto na tentativa de ajudar o ataque.

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Estrela Solitária brilha e renasce das cinzas

Quando ninguém esperava mais, o Fogão vitorioso deu o ar da graça, pelos  pés e mãos de dois gringos, como reza a rica tradição do clube. Joel Carli, o xerife argentino, marcou o gol. Gatito Fernandez, a muralha paraguaia, catou dois penais e garantiu a taça. Ave, Botafogo!

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 09)

17 comentários em “Com alma e alegria

  1. A imensa nação azulina meus parabéns pelo título conquistado e copiando o escriba, incontestável, foram quatro vitórias da objetividade daquele que melhor assimilou a realidade do Parazão.

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  2. Esse título azulino deve ser muito festejado, porque o Remo teve que vencer um rival qualificado por quatro vezes. Uma não dava, nem duas nem três.

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  3. Não contavam com astúcia do velho Givanildo! Esse soube tirar leite de pedra, conforme previu este escriba.

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  4. De nossa parte, bicolores, há muito o que lamentar, mas é nítido que a crônica do fiasco anunciado começou a ser escrita lá atrás, quando a direção do clube trocou seis por meia dúzia. Marquinhos Santos por Dado Cavalcanti.
    E o time continuou adotando um 4-3-3, onde os três atacantes ficam isolados na frente e os quatro defensores postados atrás da linha que divide o gramado, com um meio campista, ontem foi Pedro Carmona, isolado em uma faixa do gramado sem ter com quem jogar.
    Por isso, para o Paysandu, tudo parece mais sofrido: a subida dos laterais é tarefa pra Usain Bolt; a penetração na área adversária equivale-se aos 12 trabalhos de Hércules e a tarefa de defender-se lembra a perplexa armada naval estadunidense na hora do ataque japonês a base de Pearl Habor.
    Desarticulado, desorganizado e disperso deixou a impressão que estaria apto a perder mais quatro vezes pro Remo, caso fosse necessário. Sim, porque o Remo fez rigorosamente o mesmo nos quatro jogos, exceção do primeiro da finalíssima, ali muito mais pela ausência do Felipe pelo flanco esquerdo: compactou-se pra esperar a investida bicolor e sair contratacando a partir dos previsíveis erros do oponente
    Se com Moisés, Cassiano e Mike o 4-3-3 do Dado/Marquinhos já era vexatório, com Valter, Cassiano e Mike chegou as raias do patético, ensejando uma sucessão de tiros descalibrados de média distância a fim de disfarçar a incapacidade crônica de articular ataques e penetrações.
    A incompetência acabou confessa implicitamente quando qualquer faltinha no meio de campo ou intermediária transformou-se em chuveirinho obrigando os dois centrais a desempenhar o papel extra de ioiô.
    Enfim, tudo nos conformes para um time que teve um goleiro com impressionante regularidade- a entrega por imperícia de um gol por jogo; que emprestou três jogadores saídos da base- aparentemente pra ganhar experiência- mas justamente nas partidas onde mais havia ensinamentos a assimilar, eles são impedidos de participar e colocou pra fazer o papel que o CR7 desempenha no esquema do Real Madri que se quer copiar um jogador com mais de 20 quilos acima do peso, não há o que estranhar. Apenas lamentar o ocorrido e manifestar temor pelo futuro, enquanto esse cenário macabro persistir.

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  5. O amigo Jorge foi certeiro em seu comentário.
    Acrescento o seguinte, o Remo ganhou o título do Parazão a partir da contratação do Givanildo.
    Uma jogada muito feliz da diretoria azulina que apostou na experiência posta em prática do ultrapassado Giva.
    Realmente, quem foi ultrapassado foi Dado Cavalcanti que insiste na teoria tosca de que girar a bola na frente do adversário é domínio de jogo.
    Triste ilusão, foi justamente por ter um time desentrosado, lento e sem objetivo, que nas escapadas do rival viu este construir uma a uma as suas quatro vitórias neste ano.

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  6. Agora, para nós azulinos, é hora de reforçar o elenco visando o acesso, embora ontem até o Adenilson tenha jogado bem…Ave Giva!

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  7. Parabéns ao Remo. Eu falava no sábado em uma roda de bicolores que este seria o clássico com maior probabilidade de vitória do Remo. Pra ser sincero, até uma cagada do Marcão eu esperava. O Jorge fez um comentário perfeito. Dado não é bom técnico. O time não tem um padrão tático e muito menos variações que surtam algum efeito. Não temos volante com características de homem surpresa penetrando na defesa contrária. Não temos criatividade alguma, apenas um toque lento, repetitivo e previsível. Laterais absolutamente inofensivos, talvez inibidos por esse 4-3-3 horrível. Marcão nem um reserva em quem se possa confiar é. A primeira e urgente mudança é trocar o tecnico.
    Quanto ao Remo, Vinicius é um baita goleiro, sem fazer defesas plásticas, sempre tranquilo e bem posicionado.

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  8. Galera é claro que torcia para meu time de 💙, mais pé no chão. Futebol ⚽ é isso um ganha outro perde. Querer dizer que o Remo não mereceu o titulo é mentira, claro que mereceu e acho que mais do que os outros anos, ganharam e com louvor e raça de seus jogadores levantaram a taça… Parabéns aos torcedores azulinos.
    E ao grande Givanildo Oliveira que nos levou a seria A em 2001 e em 1 mês trouxe o titulo ao Remo.
    Podemos envelhecer, mas tai o ditado: o que agente leva dessa vida é o conhecimento.
    #SouPaysanduSempre
    #ParabensAosAzulinosMereceram

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  9. Vinicius saiu de um turbulento Vasco da Gama à época com fama de frangueiro. Andou por clubes de menor expressão do RJ até aportar por aqui. Pelo visto, com a alma leve e a cabeça tranquila. Preparou-se com afinco, recuperou a auto confiança e foi o mais eficiente jogador da competição. Acontece. Assim como acontece o inverso, com alguns aqui chegando precedidos de fama e viram frustração.

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  10. Parabéns ao Miguel, o Maurício, e outros que aqui reconheceram, a conquista do Remo, ao recente título. Torcedores assim, terão sempre meus elogios.

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  11. Acho que o time jogou com uma tranquilidade, com três jogadores em tarde inspiradíssima, Bruno Maia, Mimica e Vinícius. Isso se deu graças ao Givanildo, que soube utilizar as peças corretamente, fez o Remo jogar bem fechado, e o placar não foi mais elásticos pelo nervosismo e incompetência do Jayme e do Adenilson, que perderam gols inacreditáveis.

    Ao PSC, só uma falsa impressão de posse de bola, quando na verdade o Remo sempre jogou com calma e paciência pra esperar o adversário, inclusive, com isso sendo um crescente nesses 3 últimos jogos.

    Precisamos encaixar mais algumas peças nesse time para poder dar liga numa Série C, mas temos grandes chances a partir da disposição da galera pra apoiar também.

    Parabéns aos azulinos e aos bicolores, se achem menos, que vocês saberão se apresentar melhor num Re-Pa

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  12. Parabéns ao Clube do Remo e a todos os azulinos do blog.
    Remo fez um baita campeonato e mereceu ser Campeão Paraense de 2018.
    Agora é reforçar o time e ir em busca do acesso a série B, maior objetivo do Clube.

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  13. Obrigado! A todos os torcedores do rival, que reconheceram a supremacia da campanha do Mais Querido, fica aqui meus elogios pela educação e o modo civilizado, de como devemos torcer por nossos clubes. Parabéns! Filho da Glória e do Triunfo. Leão do meu coração.

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