Banido pela Fifa por 90 dias, Del Nero manobra e emplaca sucessor na CBF

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A CBF já tem candidato único à sucessão do presidente Marco Polo Del Nero, banido do futebol por 90 dias acusado de corrupção pela Fifa. Trata-se de Rogerio Langanhe Cabloco, ex-diretor financeiro e atual diretor executivo de gestão da entidade. Seu nome foi escolhido por Del Nero e lançado de forma oficial nesta quinta-feira, 09. Cabloco será aclamado novo presidente da CBF pela maioria das 27 federações estaduais nas eleições previstas para 16 de abril.

Com grande chance de ser banido definitivamente do futebol em julgamento da Comissão de Ética da Fifa, Del Nero se apressou a escolher seu sucessor na CBF e, por tabela, continuar no poder mesmo sem atividade legal na entidade.

Seu trabalho para fazer de Cabloco presidente não foi muito difícil. Era só convencer pelo menos 2o dos 27 presidentes das federações estaduais a votar em Cabloco. Neste momento, Del Nero tem os cartolas nas mãos. Não por acaso montou um “trem da alegria” para levar à Copa do Mundo da Rússia os 27 dirigentes das federações e mais dez presidentes de clubes das Séries A e B do Brasileirão.

Por que Del Nero precisava do apoio de 2o federações para eleger seu sucessor?

Simples. De acordo com o estatuto da CBF um candidato à presidência precisa de ser respaldado no mínimo por 8 federações. Se fechar com 20 em torno do nome de Caboclo, Del Nero inviabiliza qualquer outra candidatura. Foi o que aconteceu com apoio dado a Rogerio Caboclo nesta quinta-feira (08/3) por pelo menos 20 federações.

Colégio eleitoral da CBF tem 27 federações com voto de peso 3, portanto 81 votos; 40 clubes das Séries A e B, sendo que os da A tem peso dois, portanto, 60 votos. Se as federações fecharem com um candidato ele já pode se considerar eleito. É o caso de Rogerio Cabloco.

Nessa estrutura, Del Nero nem precisaria de votos dos 40 clubes para fazer seu sucessor. Aliás, presidentes da maioria dos clubes não foram avisados das reuniões desta quinta e sexta-feira entre o comando da CBF e as federações.

Quem é Rogerio Caboclo, futuro novo presidente da CBF
Filho de Carlos Cabloco, conselheiro e ex-diretor do São Paulo nos anos de 1980 e 1990, Rogério começou no futebol também como conselheiro do São Paulo, passou pela Federação Paulista de Futebol, na função de diretor de marketing e financeiro na gestão de Marco Polo Del Nero, até ser levado para CBF pelo próprio Del Nero em 2015, primeiro como diretor financeiro e mais tarde diretor executivo de gestão da entidade.

“Está tendo um movimento na CBF, ouvi pela imprensa, que tem reunião amanhã (nesta quina-feira) na CBF para pegar assinatura (das federações e lançar um candidato). Se isso for verdade é um golpe baixo. Não pode ter nada sem os clubes, e os clubes não vão aceitar isso”, disse Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, após jogo do seu time contra o Mirassol nesta quarta-feira (08/3) à noite em Itaquera.

Andrés Sanches tinha pretensões a ser candidato a presidente da CBF. Romário também havia se manifestado neste sentido, mas trabalha para ser candidato a governador do Rio de Janeiro. Zico e Ronaldo Fenômeno se movimentaram na articulação de grupo de ex-jogadores na corrida eleitoral da CBF. Del Nero atropelou os clubes mais uma vez e, mesmo banido por 90 dias pela Fifa desde dezembro de 2017, e emplacou seu sucessor.

TREM DA ALEGRIA

A manobra política de Del Nero se intensificou na última semana quando veio a público a informação de que a CBF vai levar um “trem da alegria” para Rússia na primeira fase da Copa do Mundo. A entidade vai bancar todas as despesas de viagem e hospedagem dos 27 presidentes das federações estaduais e de mais dez clubes escolhidos por meio de um sorteio entre participantes das Séries A e B do Brasileirão. Os sorteados: Atlético-MG, Atlético-PR, Avaí, Bahia, Brasil de Pelotas (RS), Ceará, CRB, Guarani (SP), São Paulo e Paysandu.

A brincadeira vai custar aos cofres da CBF cerca de R$ 3 milhões.

Nota oficial da CBF a respeito do convite às federações e clubes para acompanhar a Copa na Rússia:

“A CBF entende que a presença das federações de futebol é algo natural e importante por se tratar do maior evento de futebol do mundo. Sendo que suas entidades são a espinha dorsal do futebol brasileiro e eles responsáveis por administrar competições regionais. Fundamental destacar que, conforme ofício expedido pela CBF, trata-se de um convite impessoal, intransferível e sem direito a acompanhante que contempla apenas os três jogos do Brasil na primeira fase da competição. Além dos jogos da Seleção Brasileira, está sendo preparada uma agenda de trabalho para os dirigentes com reuniões institucionais e atividades de acompanhamento da organização do evento. Em um convite enviado aos presidentes, a CBF salienta que é uma oportunidade para a continuidade do desenvolvimento do futebol brasileiro e tomarmos conhecimento dos mais modernos mecanismos de gestão de grandes eventos e competições”.

(Transcrito do Chuteira F.C.) 

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