Itália é o Brasil amanhã

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Por Mauro Donato, no DCM

Entre as duas grandes guerras mundiais, o Brasil recebeu mais de um milhão e meio de imigrantes italianos. São Paulo é até hoje a maior cidade italiana fora da Itália. Não surpreende que haja tantas similaridades, mas não é muito fácil comparar Brasil e Itália.

A Bota é um país unificado há meros 147 anos. Sempre foi um aglomerado de pequenos estados independentes e que guerreavam entre si e com outros países invasores.

Ser uma nação ainda sem muita identidade, de características fracionadas é, portanto, algo intrínseco aos italianos e natural num país tão jovem.

Há, contudo, alguns aspectos a serem observados na história recente que podem transformar a Itália num bom laboratório, numa bola de cristal para o Brasil.

A criminalização da política através de um jornalismo tendencioso e de operações de duvidosa legitimidade como a Mãos Limpas propiciam o surgimento de salvadores da pátria. Foi assim que ascendeu ao palco Silvio Berlusconi.

Por aqui a mídia já deu à luz um Fernando Collor e a Lava Jato (aquela instituição purificadora comandada por magistrados que recebem auxílio-moradia) semeou o terreno para aventureiros colocarem as asas de fora.

O resultado da saga de Curitiba ainda estamos por ver, mas nomes bizarros já andam se movimentando.

A descrença na política causa o efeito paradoxal de pulverização de ideias – e consequentemente – de partidos. Hoje há 49 partidos na Itália, o que em nada ajudou no sentido de dar um ‘espírito de corpo’ ao país.

Se desde o fim da Segunda Guerra e promulgação da carta constituinte a situação política é instável (foram 67 governos em 70 anos, uma bagunça inacreditável) agora a coisa em nada parece ter melhorado.

Na recente eleição para Câmara e Senado deste final de semana os extremos ganharam, algo possível no imbróglio das leis eleitorais italianas.

Para o leitor menos íntimo ao tema, o resultado do pleito de domingo é algo como se por aqui um partido criado pelo indefinível Tiririca fosse o mais votado e – ao mesmo tempo – também uma coligação Jair Bolsonaro/Aécio Neves saísse vencedora.

Como tocar adiante um Frankenstein desses? Como opostos podem ter a incumbência de formar um governo?

O mais comum, infelizmente, é que um novato como o movimento 5 Estrelas passe a escalar um nome com postura menos ‘alternativa’ (como Luigi di Maio, de terno e gravata, cara de bom moço) e descarte o discurso mais radical.

Enfim, que se dobre ao sistema. O sistema na Italia é parlamentar, o mesmo que vira e mexe a direita tenta impor por essas bandas. E o parlamentarismo num ambiente como o italiano ou o brasileiro atual, pode tornar o cenário político num circo dramático.

A relação entre governos e saúde da economia também é didática se olharmos para a Italia (como em todo mundo). É curioso notar que governos de esquerda sejam responsabilizados, apedrejados e depostos quando a economia vai mal, mas isso normalmente não ocorre quando o mandatário da vez é de direita.

Normalmente a culpa recai sobre uma ‘crise mundial’ ou até mesmo sobre fenômenos da natureza e o barco é tocado sem enfrentar grandes tormentas.

Mesmo com história milenar, a população italiana aos poucos parece ter sido domesticada por uma televisão imbecilizante que tornou-a alienada e desvinculada do passado de lutas.

Os programas de auditório da TV são dignos de nota pela tacanhice. Não ficam devendo nada aos daqui, se não forem piores (passei boa parte do ano de 2015 na Itália, a trabalho. Somente naquele ano a Netflix estava aportando no país. Em 2015 ninguém lá sabia o que era o serviço por streaming).

Alienados, manipuláveis e vulneráveis a pregações de xenofobia e conservadorismo, os populares costumam enfiar países em aventuras fadadas ao fracasso e ao atrito tanto interno como externo.

Brasileiros deveriam informar-se melhor sobre o dia-a-dia de países com tanta participação na formação do nosso e observar as consequências – e diferenças – em sistemas e regimes como os atuais de Italia e Portugal.

Único governo de esquerda da Europa que realmente governa à esquerda, Portugal do presidente Marcelo Rebelo de Souza apresenta crescimento econômico, baixo desemprego e redução da dívida pública confrontando as políticas de austeridade impostas a pela União Europeia, Banco Central Europeu e o FMI.

A coligação de partidos de esquerda que tem governado o país ganhou o apelido de “Geringonça”. Uma geringonça que tem funcionado.

Há, contudo, alguns aspectos a serem observados na história recente que podem transformar a Itália num bom laboratório, numa bola de cristal para o Brasil.

A criminalização da política através de um jornalismo tendencioso e de operações de duvidosa legitimidade como a Mãos Limpas propiciam o surgimento de salvadores da pátria. Foi assim que ascendeu ao palco Silvio Berlusconi.

Por aqui a mídia já deu à luz um Fernando Collor e a Lava Jato (aquela instituição purificadora comandada por magistrados que recebem auxílio-moradia) semeou o terreno para aventureiros colocarem as asas de fora.

O resultado da saga de Curitiba ainda estamos por ver, mas nomes bizarros já andam se movimentando.

A descrença na política causa o efeito paradoxal de pulverização de ideias – e consequentemente – de partidos. Hoje há 49 partidos na Itália, o que em nada ajudou no sentido de dar um ‘espírito de corpo’ ao país.

Se desde o fim da Segunda Guerra e promulgação da carta constituinte a situação política é instável (foram 67 governos em 70 anos, uma bagunça inacreditável) agora a coisa em nada parece ter melhorado.

Na recente eleição para Câmara e Senado deste final de semana os extremos ganharam, algo possível no imbróglio das leis eleitorais italianas.

Para o leitor menos íntimo ao tema, o resultado do pleito de domingo é algo como se por aqui um partido criado pelo indefinível Tiririca fosse o mais votado e – ao mesmo tempo – também uma coligação Jair Bolsonaro/Aécio Neves saísse vencedora.

Como tocar adiante um Frankenstein desses? Como opostos podem ter a incumbência de formar um governo?

O mais comum, infelizmente, é que um novato como o movimento 5 Estrelas passe a escalar um nome com postura menos ‘alternativa’ (como Luigi di Maio, de terno e gravata, cara de bom moço) e descarte o discurso mais radical.

Enfim, que se dobre ao sistema. O sistema na Italia é parlamentar, o mesmo que vira e mexe a direita tenta impor por essas bandas. E o parlamentarismo num ambiente como o italiano ou o brasileiro atual, pode tornar o cenário político num circo dramático.

A relação entre governos e saúde da economia também é didática se olharmos para a Italia (como em todo mundo). É curioso notar que governos de esquerda sejam responsabilizados, apedrejados e depostos quando a economia vai mal, mas isso normalmente não ocorre quando o mandatário da vez é de direita.

Normalmente a culpa recai sobre uma ‘crise mundial’ ou até mesmo sobre fenômenos da natureza e o barco é tocado sem enfrentar grandes tormentas. Mesmo com história milenar, a população italiana aos poucos parece ter sido domesticada por uma televisão imbecilizante que tornou-a alienada e desvinculada do passado de lutas.

Os programas de auditório da TV são dignos de nota pela tacanhice. Não ficam devendo nada aos daqui, se não forem piores (passei boa parte do ano de 2015 na Itália, a trabalho. Somente naquele ano a Netflix estava aportando no país. Em 2015 ninguém lá sabia o que era o serviço por streaming).

Alienados, manipuláveis e vulneráveis a pregações de xenofobia e conservadorismo, os populares costumam enfiar países em aventuras fadadas ao fracasso e ao atrito tanto interno como externo.

Brasileiros deveriam informar-se melhor sobre o dia-a-dia de países com tanta participação na formação do nosso e observar as consequências – e diferenças – em sistemas e regimes como os atuais de Italia e Portugal.

Único governo de esquerda da Europa que realmente governa à esquerda, Portugal do presidente Marcelo Rebelo de Souza apresenta crescimento econômico, baixo desemprego e redução da dívida pública confrontando as políticas de austeridade impostas a pela União Europeia, Banco Central Europeu e o FMI.

A coligação de partidos de esquerda que tem governado o país ganhou o apelido de “Geringonça”. Uma geringonça que tem funcionado. 

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