Sequestro de Medina e outras peripécias de Angorá

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Do Tijolaço

Se fosse para ter intervenção no Estado, ela deveria ter ocorrido há mais ou menos 30 anos, quando Moreira Franco era o governador (…) porque um dos casos de maior repercussão do crime organizado do Rio foi o sequestro do publicitário Roberto Medina, foi urdido, tramado, gestado e nascido dentro do Palácio Guanabara”.

A afirmação é de Eucimar Oliveira, um dos jornalistas de mais bem sucedida carreira no Rio de Janeiro – não em ordem de importãncia, foi meu editor na Última Hora, modernizou o jornal O Dia e criou o Extra, do grupo Globo – em  uma entrevista imperdível à Rádio Trianon, de São Paulo, recolhida pelo Toda Palavra. Ele recorda o envolvimento de Nazareno Tavares, então personal trainer de Moreira Franco, condenado pelo crime e, depois, executado misteriosamente. Eucimar lembra também do encontro de Moreira com banqueiros do bicho, em pleno palácio e com a afetuosa troca de abraços com Carlinhos Maracanã, um dos chefes do jogo do bicho e Anísio Abraão David, registrado nesta foto do Jornal do Brasil de 6 de janeiro de 1991.

Leia o texto e, querendo, confira o áudio da entrevista:

Em entrevista à Rádio Trianon, de São Paulo (AM 740), o jornalista Eucimar Oliveira, um dos nomes mais respeitados da imprensa carioca, criticou a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, decretada por Michel Temer. Para ele, os verdadeiros motivos para uma intervenção existiram há 30 anos, quando o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, governava o Estado do Rio de Janeiro.

Naquela época, lembrou Eucimar, Moreira era visto em confraternizações com representantes da cúpula da contravenção, como os bicheiros Carlinhos Maracanã e Anízio Abraão David. O jornalista lembrou que o sequestro do empresário Roberto Medina, ocorrido em 1990, teria sido tramado dentro do Palácio Guanabara pelo personal trainer de Moreira, Nazareno Barbosa Tavares, um dos condenados pelo crime.

Nazareno – que foi líder do Comando Vermelho – chegou a ser nomeado por Moreira para o Tribunal de Contas. Quando foi detido pelo sequestro de Medina, seu advogado, Wilson Siston, tentou convocar Moreira Franco, o irmão e um ladrão de carros chamado José Carlos de Carvalho, o “Carlinhos Gordo”, para depor. A juíza Denise Rolins Faria indeferiu o pedido, alegando que se tratava de “pura especulação”. Segundo o Jornal do Brasil, Wilson sustentava que o depoimento de Carlinhos iria explicar “as ligações com Nazareno e mostrar que ambos frequentavam o Palácio Guanabara, tendo o ladrão de carros conseguido entrar na folha de pagamento do estado”. Nazareno estava em liberdade condicional quando foi executado com um tiro na nuca em 1997, em um posto de gasolina, depois de abordado por dois homens que estavam em uma moto. Pouco antes havia prometido, numa entrevista, escrever um livro sobre o envolvimento de políticos e empresários em negócios ilícitos. A polícia nunca encontrou os assassinos.(…)

Que beleza, não é?

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