Tragédia anunciada

4 de dezembro de 2017 at 15:33 3 comentários

POR PEDRO CHILINGUE, no blog Preto no Branco

A tragédia já era anunciada. O fim aterrorizante de campeonato do Botafogo já era esperada por muitos. O time que começou o ano merecendo ganhar o mundo encerrou a temporada sem a capacidade de ir à esquina. As noites de sonho tornaram-se dias de pesadelo para uma torcida que vê seu time estagnado no tempo.

Em meio a atuações revoltantes e declarações patéticas, o Alvinegro voltou a amarelar na reta final – como tem feito há muitos e muitos anos. Já são 22 temporadas de fila, que prometem se estender por muitas mais. Ao apito final neste domingo, encerrou-se 2018 com o gosto amargo de que alguma coisa aconteceu e não sabemos – e que nos impediu, como sempre, de concluir uma temporada de maneira decente.

Ao olhar para os lados, vi rostos tristes e lágrimas que não simbolizam a decepção por mais um vexame, mas sim o desespero por notar que o Botafogo parece não ter mais salvação. No fim das contas, ainda somos responsabilizados por diretorias incompetentes, falastronas e amadoras, que jogam seus insucessos em nossas costas. Nós fazemos até muito perto do que o clube tem merecido nas últimas décadas.

Sem a Libertadores, voltamos à realidade: orçamento curto, dirigentes sem capacidade de minimizar o abismo financeiro criado pelas cotas de TV e jogadores mais preocupados com seus bolsos cheios do que em levantar taças. Poucos são os que compreendem a grandeza e a importância de vestir nossa camisa e lutar por ela; quase nenhum entendeu o momento que vivemos e a missão devolver a Estrela às glórias.

Não há clube que resista à tamanha falta de ambição – essa frase estampou a mais verdadeira e sincera faixa de protesto em nosso estádio. Dirigentes mais preocupados em alfinetar o rival e seus adversários políticos – e não estou aqui fazendo lobby pela oposição, pelo contrário. Aliás, a política é um dos cânceres que assolam o clube; fechado e retrógrado, nosso ínfimo núcleo de possibilidades insiste em atrasar o Botafogo em relação aos outros.

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Hoje, entramos de férias. O que era pra ser um prazer acaba tornando-se um fardo. Mais um ano se vai sem ver o Glorioso voltar a ser quem é; mais 12 meses vendo rivais debochando, adversários levantando taças e nossa torcida, cada vez mais envelhecida, ficando sem referências para atrair os mais jovens. A urgência de uma taça é do mesmo tamanho da faxina que precisamos fazer em General Severiano.

Registro aqui os meus parabéns à Chapecoense. Após a tragédia que os acometeu em 2016, viraram a página, suaram sangue e deram a volta por cima. Em momento algum usaram o acidente como muleta. Por lá, ninguém falou em “escalar o Everest”. Foram lá e fizeram. Vocês merecem a classificação.

Como eu disse no texto anterior: dane-se a Libertadores. Só queremos o nosso Botafogo de volta. Queremos profissionalismo, trabalho sério, jogadores dignos e títulos. Descanse, botafoguense. Porque você, eu e todos nós precisaremos, novamente, reconstruir o Alvinegro.

Bruno Silva, Guilherme, Roger e outras merdas passam; o Botafogo somos nós. Precisamos lutar e exigir, diariamente, nada menos que o nosso Alvinegro de volta. Que a faxina comece amanhã pela manhã. Não há mais tempo a perder.

Notas

Gatito Fernández: 6
Sem culpa nos gols e sem participações destacáveis durante o jogo.

Arnaldo: 6,5
Apesar da falta de qualidade técnica, correu muito e foi um dos menos piores em campo.

Joel Carli: 6
A segurança de sempre, mesmo contra o veloz ataque do Cruzeiro. Fez um jogo na média.

Igor Rabello: 6
Na mesma que seu companheiro. Se caprichar mais nas cabeçadas ofensivas, pode tornar-se um zagueiro com muitos gols.

Victor Luis: 4
Encerrou sua passagem de forma melancólica, perdendo a bola no lance do gol de empate do Cruzeiro e outros erros infantis.

Dudu Cearense: 4
Não tem mais condições de ser jogador profissional. Não consegue acompanhar o ritmo dos demais. Fica muito bem no YouTube falando “Aca No” e nada mais; no máximo, uma vaga no time de showbol.

Rodrigo Lindoso: 4,5
Frouxo na marcação, mal nas subidas ao ataque e um gol de presente para o adversário, em tabelinha trágica com Dudu dentro da pequena área.

Matheus Fernandes: 5
Não conseguiu repetir suas boas atuações e esteve mal, tanto na marcação quanto no apoio. Pode jogar muito mais.

Leo Valencia: 7,5
Correu, caiu pelos lados, jogou centralizado, deu assistência, finalizou, cruzou, bateu falta e escanteio e deu a vida em campo – entre erros e acertos. É o mínimo que esperamos. É ativo do clube e esperamos que cresça depois de uma pré-temporada bem feita.

Guilherme: 3
Passeou em campo e fez o que sabe de melhor: irritou. Perna de pau, que não era titular nem na base do Grêmio, só veio para tirar a vaga de um dos nossos juniores – e agora volta pro Sul valorizado sem ganharmos nada por isso. Parabéns à diretoria por essa contratação.

Brenner: 7
Não é dos melhores tecnicamente, peca na velocidade, mas foi útil e participativo. Um gol e uma assistência justificam sua nota.

Ezequiel: 7
Entrou com muita fome, correu bastante e fez um lindo gol. É de peças assim que precisamos: ativos do clube, que conhecem nossa historia e darão retorno técnico e financeiro.

Marcos Vinicius: 5
Entrou e sequer testou o goleiro com sua melhor arma, o chute de média-longa distância. Tem todas as chances, mas não engrena.

Vinicius Tanque: 4
Errou todos os domínios e tentativas de pivô. Espero que seja emprestado pra Sibéria.

Jair Ventura: 3
Suas declarações minaram o grupo. Que suba o Everest de sunga.

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Ranking digital de clubes – dezembro Fuga planejada

3 Comentários Add your own

  • 1. Antonio Oliveira  |  4 de dezembro de 2017 às 20:18

    A leitura atenta deste texto onde o autor diz que p Botafogo foi vítima de uma tragédia anunciada, traz à lembrança uma recente manifestação do Mauro Cezar Pereira também postada aqui no Blog, onde, num Programa da ESPN ovacionou o Botafogo.

    Comparando um com o outro temos que são completamente opostos. Neste o autor solta os cachorros nos dirigentes, na maioria dos jogadores e na campanha do Clube. Naquele o Mauro Cezar Pereira enaltece a não mais poder os jogadores, a campanha, e, por via de consequência, a propria diretoria. Chega até a execrar parte da torcida, a quem chamou de gatos pingados que fazem motim contra o Clube. Outro aspecto distinto é o momento do Clube. Quando o Mauro se manifestou o Botafogo vinha bem na tabela. Agora, quando a dita “tragédia anunciada” vem a público, o Bota não conseguiu a vaga na libertadores.

    Sob meu ponto de vista, trata-se de dois exageros típico de torcedores: um frustrado pelo melancólico resultado na parte final da competição; outro deslumbrado pela campanha promissora que o time apresentava.

    No final, quando o Botafogo alcançou plenamente o objetivo para o qual tinha se proposto no início da competição ( manter-se na série “a”), fica a dúvida: será que o autor do texto de hoje é um daqueles gatos pingados deplorados pelo Mauro? E este, ao contrário do que diz, será torcedor do Botafogo? E se não for, o que explica o entusiasmo da “ovação”, num procedimento tão díspare daquele carrancudo e insatisfeito com tudo que costuma adotar?

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  • 2. Nelio(maior campeão nacional de Norte, Nordeste a Centro Oeste)  |  4 de dezembro de 2017 às 21:38

    Eu, enquanto torcedor do Paysandu, entendo essa revolta do botafoguense autor da coluna, porque já sofri duramente isso na pele em 2003. Eu não temo em afirmar que nesta temporada o Botafogo foi cópia perfeita do Paysandu na Libertadores e serie A de 2003. Lembro que há poucos meses o Clube da Estrela Solitária encantava com uma grande campanha na Libertadores e na série A. Ia aniquilando um a um de seus adversários mais poderosos e a torcida alvi negra delirava. Quase nenhum botafoguense duvidava que seu time chegaria nas seminais, isto na pior das hipóteses.
    Na série A o Botafogo fazia grande campanha, fazendo crer que outra vaga na Libertadores e Sul Americana 2018 eram questão de tempo. Mas veio o mata mata, fase mais cruel da Libertadores, o Botafogo sucumbiu. Pior, após conseguir passar nas oitavas pelo poderoso Nacional do Uruguai, fraquejou diante do outro poderoso Grêmio, o qual mais tarde foi campeão. No mata mata o Botafogo sentiu o peso da competição mais cobiçada das Américas e sua falta de experiência na competição, pois apesar da grandeza e tradição, é um clube que tem dificuldade para conseguir vaga na Libertadores. Certa vez passou 17 anos sem conseguir. Após a dura eliminação a torcida botafoguense ficou ressabiada, os dirigentes, os atletas, . comissão técnica ficaram ressabiados( pasmados sem entender a eliminação) . Isto soou como ducha de água fria no ego do alvi negros, e o time começou a fraquejar também na serie A, porque o sonho de conquista de Libertadores era o encanto, mas depois virou desencanto. O Botafogo perdeu a vaga na Libertadores deste ano, na de 2018 e na Sul Americana. Foi muito semelhante o que ocorreu com o Paysandu em 2003. Lembro bem que no encanto da grande campanha que fazia na Libertadores, o Paysandu na serie A não era diferente e ia aplicando 5 no São Paulo, 6 no Bugre, 4 no Bahia e Atletico MG, 3 no Cruzeiro, peia no Santos de Robinho e Diego, Peia no Inter, quase garantindo vaga na Sul Americana, com chances de vaga na Libertadores. Porém depois da eliminação tudo desandou, o time não ganhou mais de ninguém, tiraram pontos do Papão no tapetão, e o bicolor so escapou por milagre do rebaixamento. Coisas do futebol.

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  • 3. Miguel Silva  |  5 de dezembro de 2017 às 1:17

    Corinthians, Palmeiras e Santos, nessa ordem, são os cabeças da Série A 2017. Mostra a força econômica, política e de organização do futebol paulista frente ao das demais regiões. A cada ano esse abismo entre os times de São Paulo e os outros se alarga, consequência da insana e injusta distribuição de cotas imposta pela Globo com anuência e conivência da CBF. Os 4 grandes de São Paulo mais o Flamengo abocanham anualmente a maior parte do dinheiro gerado pelo campeonato brasileiro e outras competições controladas pela Globo. O time do Rio só não ganha campeonatos a rodo porque, ao contrário dos paulistas, é desorganizado e pedante. Gasta mal a dinheirama recebida, contratando jogadores de grife, mas que acabam jogando um futebol pífio. Times de outros estados, com exceção de Inter, Grêmio, Atlético-MG e Cruzeiro, que de vez em quando beliscam uma taça, vão viver sempre na pindaíba se nada for feito para mudar essa relação promíscua entre CBF e Globo. Quanto ao Botafogo, vítima da relação mencionada, não pode haver desculpa pelas lambanças cometidas pela sua direção. Entre elas estão as contrações e dispensas desastrosas de jogadores. Como exemplo disso, houve a contratação do caro e bichado Montilo e a transferência de Camilo para Inter-RS. Antes já havia aportado em General Severiano uma barca de estrangeiros pernas de pau como Lizio, Salgueiro, Gervasio Nunes e Canales. Um era e o outro seria o cérebro do time, que passou a jogar sem esse órgão vital após a perda de ambos. Os dirigentes também foram inábeis na formalização de contratos com os jogadores, a maioria de curta duração. Medrosos, não acreditavam no potencial de quem estavam contratando, como no caso de Roger e Bruno Silva. Com o sucesso relativo do time na Libertadores, esses jogadores foram se valorizando e sendo assediados por outros clubes ao mesmo tempo em que venciam seus contratos com o Botafogo. Ora, a cabeça deles na reta final do Brasileirão estava no futuro, no destino a seguir, e não mais na disputa em questão. Não há como cobrar profissionalismo do jogador se os dirigentes são desprovidos dessa virtude. O jogador é um trabalhador, deve ser pago por seu serviço, vai para onde é melhor remunerado e também tem medo de ficar desempregado. Já vai longe o tempo de amor à camisa. Beijinhos no escudo é pura pantomima. Parece pouco, mas para quem não tem nada é muito: o Botafogo tem de levar a sério o Campeonato Carioca e a Copa Sulamericana e, depois, pensar em voos mais altos como Brasileirão e Copa do Brasil. Um degrau de cada vez não vai fazer mal, desde que seja com seriedade e convicção.

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