Vaidade sem controle

30 de outubro de 2017 at 23:49 4 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

No Bola na Torre do último domingo, foi exibida reportagem sobre o tratamento grosseiro dado ao empresário e pai do jogador Eduardo Ramos na sede social do Remo. Chamado para uma reunião com a diretoria, foi solenemente ignorado à entrada do prédio pelo próprio Manoel Ribeiro, que lhe virou as costas de maneira ostensiva. O constrangimento a que foi submetido o representante do atleta só não foi maior que o vexame perpetrado pela principal autoridade do clube.

De certo forma, o gesto simboliza a triste realidade azulina. Em nenhuma circunstância, o presidente poderia agir dessa forma, menosprezando um visitante, fosse quem fosse. O mais grave é que o incidente foi todo filmado, sendo que o dirigente percebeu isso e mesmo assim não se mostrou abalado, como se fosse habitual agir de maneira tão desrespeitosa.

Faz algum tempo que o Remo não tem dirigentes à altura de sua gloriosa história. Faz tempo também que o clube é dominado por figuras que estão ali para usufruto pessoal – seja de cunho político ou simplesmente de imagem – e não para se devotar verdadeiramente à causa da instituição, com as exceções conhecidas.

Tudo fica mais sério quando o próprio dirigente máximo procede de maneira tão deseducada, como se não representasse o clube. No caso específico do jogador Eduardo Ramos, o cenário é ainda mais surreal. O Remo deve – e muito – dinheiro ao atleta, em face de salários não pagos e acordos não honrados na Justiça do Trabalho.

É compreensível que não haja muita simpatia pelo próprio Ramos e seu preposto. Afinal, nesses três anos de parceria foram raros os bons momentos. Na verdade, prevalecem situações de desconforto e frustração, de parte a parte. A questão é que, como devedor, o Remo deve ao atleta um mínimo de respeito e atenção. Aliás, deve isso a qualquer interlocutor.

O despreparo flagrante dos que comandam a agremiação tem resultado em episódios bizarros, dignos de gozação pública, como no patético caso da reunião na CBF que a presidência do Remo ignorava e teve a pachorra de reclamar, chorosamente, por não ter sido convidada.

Há, ainda, a gravíssima falha da contratação massiva de jogadores no começo da temporada, depois que o técnico de plantão recebeu plenos poderes para trazer quem bem entendesse. A tosca decisão gerou prejuízos irrecuperáveis no campo técnico e perdas robustas no âmbito pecuniário. Pior foi a desculpa do presidente, alegando ignorar a própria lambança.

São tantos gestos denunciadores de negligência e maus tratos com o clube que as instâncias internas já deveriam ter assumido posição mais firme para estancar o caos estabelecido. No entanto, a apuração das denúncias de gestão temerária continua empacada, sujeita a adiamentos sucessivos.

A posse de Milton Campos e Miléo Jr. na diretoria de Futebol representa um sopro de renovação, abrindo boa perspectiva de avanços na gestão. Pena que a iniciativa corre o risco de ser sabotada a qualquer momento pelo destempero e a vaidade do mandatário.

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Escolhas começam pela sala de comando

O Papão parece caminhar para a manutenção de seus quadros executivos na próxima temporada, à frente Vandick Lima e André Mazzuco. Uma entrevista do executivo ao repórter Dinho Menezes, da Rádio Clube, sinaliza para a continuidade do atual grupo que coordena a política do futebol profissional no clube.

A antecipação de alguns planos para 2018 deixou claro que o executivo deverá permanecer na Curuzu, o que leva ao raciocínio óbvio de que o técnico Marquinhos Santos também será prestigiado, mesmo sob o duro questionamento da torcida.

Quanto ao executivo, chamou atenção a ideia manifesta de contratar 16 bons jogadores para formar o elenco do início de temporada, com a ressalva de que não é tão simples trazer atletas de qualidade para o futebol nortista. Nenhuma novidade quanto a isso, mas a premissa de que os melhores estão no Sul e Sudeste deveria ser revista.

Depois das muitas escolhas infelizes deste ano, seria sensato alargar o radar na hora de prospectar reforços. Ficar restrito às opções do interior gaúcho e paulista constitui, no mínimo, falta de originalidade. Nesse aspecto, espera-se que o baiano Vandick possa ser a voz decisiva e dissonante.

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Belém na rota da pancadaria e dos insultos?

Não há notícia de cancelamento da programação de UFC marcada para fevereiro próximo em Belém, mesmo depois da duríssima surra imposta a Lyoto Machida por Derek Brunson no último sábado e das agressivas falas de um presepeiro Colby Covington. Que Tio Sam deita e rola por aqui, ninguém tem dúvida, mas não precisava tripudiar.

Sob a passividade de organizadores e narradores da transmissão, o sujeito vociferou que o Brasil “é um chiqueiro; esses animais imundos (brasileiros) não prestam” – por ironia, o lugar onde o show de pancadaria mais ganhou espaço nos últimos anos, na contramão da decadência em sua pátria-mãe.

Por outro lado, fica a dúvida quanto ao verdadeiro motivo da escolha da capital paraense, visto que os lutadores regionais têm sido malsucedidos nos embates recentes. A crescente queda nos índices de audiência (e faturamento) talvez tenha levado os chefões do negócio a buscarem novos nichos.

Que desta vez poupem o público paraense da insolência de seus “ases” do octógono. Focinheiras podem ter boa serventia.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 31) 

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Palmeiras tropeça e perde chance de encostar no líder O passado é uma parada

4 Comentários Add your own

  • 1. Jorge Paz Amorim  |  31 de outubro de 2017 às 9:06

    Acho que há uma inexatidão a respeito dos reforços vindos este ano, tidos como predominantemente do eixo RS/SP.Douglas Mendes veio do MT, Diego Ivo do exterior, idem Rafael Dumas. Guilherme Santos veio do Fortaleza, Fábio Matos de Pernambuco e Juninho idem. Não sei a última parada de Marcão, mas sei que despontou no futebol goiano, portanto, não pertencendo ao eixo citado. Assim como Bergson, Magno e Wellington Jr., que ano passado defendia o CRB.
    Por isso, digo que a política de contratações que não surte o efeito desejado imediatamente é menos culpa da origem do contratado, mais do modelo troca de pneus com o carro em movimento, operado por aqui.
    Foi em razão disso que em determinado momento achamos que o Ricardo Capanema era o último biscoito do pacote, enquanto o finado Sérgio Manoel, que morreu no trágico acidente que vitimou quase todo o plantel da Chapecoense, era apenas mais um contratado equivocadamente pro elenco Bicolor. No entanto, SM era titular daquela saudosa equipe que representava o Brasil no Copa Sulamericana.

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  • 2. Gleydson  |  31 de outubro de 2017 às 14:41

    Em relação ao UFC, Gerson, eu até entendo sua antipatia pelo esporte, mas achar que o evento está em decadência? Se não teve um evento antes na capital paraense deve-se mais por aqui não ter antes um espaço á altura como agora temos o bom e novo Mangueirinho, que certamente, eu como praticante de arte marcial e milhares de outros fãs que lotam qualquer evento regional do gênero esperamos que seja o primeiro de outros que ainda virão para nossa terrinha. Independente do que o falastrão Covington falou ele não é o único esportista – não só do MMA mas todos os esportes tem o seu mal representante – a não servir de exemplo pra ninguém. Mike Tyson arrancou a orelha do seu adversário, O.J. Simpson matou a esposa e o amigo, Goleiro Bruno matou a amante e mãe de seu filho…. talvez se um dia você praticasse arte marcial entenderia que o respeito, a humildade, a perseverança, a disciplina são valores muito cultivados nos treinos ( as academias de Belém estão lotadas de homens e mulheres que adoram a pratica, será que é pela “pancadaria” ensinada?) E só quem sobe num ringue ou octógono entende de fato o que é estar lá dentro, e quem sobe já é um vencedor porque não é qualquer um que consegue.

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  • 3. Gleydson  |  31 de outubro de 2017 às 15:22

    * o paraense Deyveson Alcântara lutou nesta mesma noite em SP e venceu sua luta. Michel Trator também vai bem na sua divisão.

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  • 4. Nelio( o Maior campeão nacional de Norte, Nordeste a Centro Oeste  |  2 de novembro de 2017 às 14:47

    M Ribeiro já tinha fraqueza física justificada por causa de seus longos 78 anos e agora começa a dar sinais de fraqueza mental praticando esses atos que podem prejudicar mais o falido. Ramos, queiram ou não, hoje é quase um sócio azulino pelo valor que o clube deve a ele. Se ele for para a justiça, o falido vai ter de desembolsar uma grana incalculável. M Ribeiro já era para estar na redinha dele descansando, tranquilo e não esquentar mais a cabeça. Porém insiste no daqui não saio, daqui ninguém me tira. Se não É mesmo pura vaidade, parece que M Ribeiro ainda quer provar alguma coisa que ainda não provou em todo esse tempo. Isso tudo só prova que M Ribeiro tido bem antes ( década de 70) como o melhor dirigente de futebol no Pará em todos os tempos, na verdade teve foi muita sorte e vários fatores favoráveis na década para fazer sucesso com o HOJE falido . Alguns posso citar como: Fraqueza e semiamadorismo de Paysandu e Tuna na época. Força ou peso político( não vou nem citar o miro de apagar o misticismo de pagar refletores). Além de tudo isso, existia a questão dos mandos de jogos. A CBD, obrigava a Tuna e o Paysandu a mandarem seus jogos nacionais no estádio azulino, mesmo que o Paysandu tivesse seu estádio que comportava jogo de estadual com decisão de REXPA . Isto se transformava numa vantagem financeira estupenda na época para o falido, porque naquele tempo onde eles ganhavam muita grana mesmo sem jogar no Baena porque a Nação Bicolor lotava em qualquer j jogo do Paysandu lá, em qualquer competição porque o Papão não tinha grandes conquistas na época , exceto os 7×0 no vizinho e a vitória sobre e Penarol Aí era difícil faltar grana para o vizinho falido porque o estádio deles era uma grande fonte de renda por nos jogos deles, da Tuna e do Paysandu. A partir de 78 com o Mangueirão tudo começou a mudar e o falido perdeu enorme fonte de renda. Hoje o estádio não é mais fonte de renda nem mesmo para eles. Aí M Ribeiro quer voltar ao túnel do tempo mas isto é impossível. A minha tese é a seguinte: “PARECE QUE M RIBEIRO DORMIU POR CERCA DE 40 ANOS E VEIO SE ACORDAR NUMA ´EPOCA QUE JÁ NÃO É MAIS DELE.”

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