O novo Nobel de Economia tem uma coisa importante pra te ensinar

13 de outubro de 2017 at 9:43 1 comentário

POR ANDRÉ FORASTIERI, no Linkedin

A Economia não é uma ciência. Os economistas sérios sabem disso. Por mais que a economia moderna seja recheada de matemática, segue fazendo parte das Humanas, e nunca será parte das Exatas.

Porque as decisões que definem a Economia (e sua irmã gêmea, a Política) são tomadas o tempo todo por nós, que somos humanos. Animais racionais. Mas animais mesmo assim, movidos tanto pela razão quanto pela emoção, pela lógica e o impulso, princípios e instinto.

O novo prêmio Nobel de Economia, Richard Thaler, fez desse estudo conjunto da economia e da psicologia o centro de sua obra. É uma área chamada “Behavioral Economy”. É bem inovadora, mas não tem nada de underground. O principal centro da Behavioral Economy é a ultra-conservadora Universidade de Chicago, berço do monetarismo.

A polêmica premissa da obra de Thaler: seres humanos não tomam decisões sobre dinheiro usando exclusivamente a razão, e isso determina o que acontece com os mercados. Parece piada: pois Sigmund Freud já não escrevia sobre Id, Ego e SuperEgo mais de um século atrás?

Pois é. E mesmo assim só agora a Economia começa a aceitar o que a Psicanálise previu há cem anos, e a Biologia já estuda em profundidade há pelo menos cinquenta. Para você ter uma idéia de como os Economistas estão atrasados.

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Dito isso, alguns têm grandes sacadas. Thaler escreveu anos atrás um livro “Nudge: Como melhorar decisões sobre saúde, riqueza e felicidade”. Ele é desses economistas pop, que escrevem livros para seres humanos normais (e até apareceu em um filme sobre a crise financeira de 2008, ao lado da estrela pop Selena Gomez! É “A Grande Aposta”, e recomendo muito, especialmente para quem acredita que Wall Street segue a lei e a lógica).

Dá para traduzir “Nudge” por “empurrãozinho”. A tese do livro é que a gente deve sempre dar um empurrãozinho para fazer a coisa certa. Tornar fácil acertar. E quanto menos decisões precisarmos tomar para fazer a coisa certa, melhor.

Se você quer perder uns quilos, não encha a geladeira de sorvete e o armário de batatinha chips. Ter esse monte de tentação dando sopa, e ter que tomar a decisão de resistir à tentação, é trabalho demais para nós, seres humanos.

Vale também para políticas públicas. Se a doação de órgãos valer para todos automaticamente, e quem não quiser doar tiver que entrar em um site para determinar isso, a maioria das pessoas vai doar órgãos. Agora, se a regra for o contrário, a doação só for possível para quem decidir doar, e você tiver que entrar em um site para autorizar, pouca gente vai doar órgãos.

Thaler dá muitos outros exemplos do gênero – na Previdência, no Meio-Ambiente, nos negócios e por aí vai. Chama essa abordagem de “Paternalismo Libertário”. Acho que não é nem paternalista, e nem libertário, mas já acredito no poder do empurrãozinho faz muito tempo.

Defendo sempre a maneira mais simples e eficiente de fazer as coisas. Quanto mais fácil melhor. Sempre tento dar um empurrãozinho na direção certa, e ter uma vida profisional mais produtiva, e uma vida pessoal mais relaxada.

Facilito a concentração, dificulto a interrupção. Tirei todos os aplicativos que me distraem do celular, porque se eles estiverem lá, não resisto a dar uma espiadinha, e quando viu gastei um tempão.

Toda manhã escrevo em um papel uma lista dos meus afazeres daquele dia. Sempre começo pelo mais chato. Se eu não atacar primeiro o mais mala, sei que vou empurrando até o final do dia, quando arrumo uma desculpa para deixar para o dia seguinte.

Adoro amendoim, amêndoas, castanha de caju e do Pará. E acho que elas combinam perfeitamente com whisky. Como não quero encher a cara toda noite, jamais compro essas gostosuras.

Me conheço… o que, aliás, Thaler não recomenda explicitamente, mas os gregos antigos já defendiam como a base de toda sabedoria. Estava lá no Templo de Apolo em Delfos: “conhece a ti mesmo”.

Você se conhece, meu camarada, minha cara amiga. Tire uns minutinhos e se pergunte: que atividades são duras para mim? O que eu poderia fazer para torná-las mais fáceis? Que decisões difíceis eu posso evitar ter que tomar, automatizando alguns comportamentos cotidianos?

Selecione três, aja para facilitar o resultado que você deseja, e vai ter mudado sua vida um pouquinho, hoje mesmo. Essa é uma lição de Thaler muito prática para nossas vidas.

Somos todos humanos. Tomaremos decisões irracionais com muita frequência, inclusive sobre coisas importantíssimas. Precisamos aceitar o fato de que não somos robôs e planejar de acordo. Sabendo que nossa natureza animal não pode ser anulada. Pode ser no máximo administrada. E nem sempre.

Richard Thaler ganhou um milhão de dólares de prêmio, do comitê do Nobel. Perguntado como vai usar o dinheiro, ele respondeu: “da maneira mais irracional possível”. Como se vê, nem o próprio Thaler sempre faz o que prega! Por quê? Porque ele, como você e eu, é só um ser humano…

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Adriano, Eduardo Galeano e uma imprensa que não olha o próprio rabo Enquanto isso…

1 Comentário Add your own

  • 1. lopesjunior  |  13 de outubro de 2017 às 23:25

    Interessante, mas muito individualista. Liberal demais…

    Curtir

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