
O grupo Badfinger irrompeu como um sopro de criatividade no fervilhante cenário britânico dos anos 60, apadrinhado pelos Beatles. Peter Ham, seu fundador, compôs vários sucessos, conquistou prestígio, flertou com a fama e morreu pobre em 1975, aos 27 anos, idade cabalística na história do rock – Hendrix, Janis, Brian Jones, Jim Morrison e Kurt Cobain estão na lista dos que partiram aos 27.
No final de 1968, o galês Ham, voz e guitarra base do Badfinger, enviou fitas demo para a Apple, recém-fundada gravadora dos Beatles e teve a sorte de chamar atenção de George Harrison, que gostou do material e recomendou a contratação imediata, com aval de Paul McCartney.
Até então, o grupo se chamava The Iveys. Depois do aplaudido primeiro disco, Maybe Tomorrow, Ham e seus companheiros de banda, Tom Evans Jr., Joey Molland e Mike Gibbins, trocaram o nome para Badfinger e despontaram como futuros astros da música pop. O sucesso, porém, não viria fácil como se imaginava, apesar dos elogios rasgados de todos que conheciam o seu trabalho.

Em 1970, lançou um clássico do pop, Without You, melodia romântica e melancólica, que estourou nas paradas com Harry Nilsson. Depois disso, com a falência da Apple, o Badfinger entrou em parafuso, golpeado em suas finanças por um empresário inescrupuloso, Stan Polley, que embolsou cerca de 4 milhões de dólares dos músicos.
Arruinados financeiramente, sem apoio da nova gravadora, Warner, Ham e Evans ainda tiveram que enfrentar pesados processos judiciais movidos pelo próprio selo musical. Em depressão, Ham cometeu suicídio, deixando um bilhete para a esposa grávida e praguejando contra o picareta Polley. Anos depois, ainda abalado, Evans repetiu o gesto trágico do amigo.
Uma belíssima história de talento pop manchada pela maldição do show business.