
POR GERSON NOGUEIRA
Marquinhos Santos não vai sair e, se depender da diretoria do PSC, ficará até o final do campeonato. Este foi o desfecho do ensaio de crise provocado por manifestação de um grupelho de torcedores, ontem cedo, na chegada da delegação a Belém. É claro que a nova derrota turbinou as críticas ao trabalho e deu gás ao protesto e a boatos insistentes, mas é óbvio também que o momento de clamar pela queda do técnico já passou.
É fato que o Papão cumpre campanha atormentada, com muitos ziguezagues e desacertos não causados inteiramente por Marquinhos Santos, que desembarcou aqui quando o trem alviceleste já se encontrava descarrilado.
Na verdade, os problemas que atravancam a vida do time na Série B têm mais a ver com planejamento para o futebol e política de contratações. Aliás, problema antigo, que causou danos em 2015 (em menor escala) e em 2016, quando a equipe correu sério risco de queda.
Por ora, a ameaça está parcialmente controlada, se é que se pode dizer isso de uma equipe que está a dois pontos do primeiro time posicionado no Z4. O dado que permite um mínimo de tranquilidade é que o Papão não depende de ninguém para se garantir na Série B.
Restam cinco jogos em casa – contra CRB, Criciúma, Vila Nova, Brasil e Santa Cruz – para definir a permanência. Caso vença quatro dessas partidas, a situação estará resolvida. Além dessas partidas em Belém, o time terá seis jogos como visitante, podendo ampliar sua pontuação.
Não foi bem sucedido no confronto contra o Juventude, na sexta-feira à noite, em Caxias do Sul, porque a estratégia não contou com a possibilidade real de um gol dos donos da casa.
Com problemas de contusão e suspensão, Marquinhos montou o Papão para não tomar gols. Botou oito jogadores na defesa, orientou Marcão para recuar sempre que fosse possível e ficou apenas com Bergson flutuando na frente. A tática deu certo até os 37 minutos do segundo tempo, quando uma jogada bem articulada pelo Juventude resultou no gol único do jogo.
A derrota, embora lamentada, deixa lição importante. É preciso ter alternativas para atacar, mesmo quando o objetivo é assumidamente o de apenas não perder. Nas seis partidas que terá como visitante até o fim da competição, o PSC não pode mais se dar ao luxo de jogar exclusivamente pensando no empate.
De certa maneira, a estratégia mais apropriada seria arriscar tudo nesses confrontos, visto que a pontuação mínima desejada pode ser obtida em casa. Caberia, com ousadia e criatividade, partir para surpreender os times mandantes com pressão alta ao longo dos primeiros minutos de confronto.
Só assim, exibindo um destemor até aqui ausente de seu trabalho, Marquinhos Santos poderá concluir a campanha cativando o respeito da torcida, cuja impaciência tem mais a ver com a postura medrosa e claudicante do time sempre que se apresenta longe de Belém.
A derrota para o Juventude teria sido melhor digerida se o time mostrasse bravura ofensiva e determinação para vencer.
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Remo sob o signo da indefinição
Sem qualquer providência prática por enquanto, o Remo luta para resolver as muitas pendências com os jogadores que terminaram a campanha na Série C e se prepara para decidir o futuro administrativo do clube. Relatório das contas do primeiro quadrimestre da gestão Manoel Ribeiro aponta problemas e furos graves. Uma reunião do Conselho Deliberativo, marcada para o dia 10, pode determinar até o afastamento do presidente.
Enquanto isso, o futebol permanece em banho-maria. Alguns jogadores estão acertados com o clube, mas ainda não assinaram a renovação. Casos de Flamel, Martony e Jayme, raros destaques do time na Terceirona.
Antes de fechar nomes para o elenco, a nova diretoria de futebol analisa o perfil do futuro técnico e de um executivo de futebol. Os planos são grandiosos, mas a realidade do clube não permite extravagâncias. Caso a contabilidade seja levada em conta, o mais provável é que um treinador local seja contratado e que o executivo fique para o segundo semestre.
Com o campeonato estadual antecipado para 17 de janeiro, sobra menos tempo e margem de manobra para que os dirigentes definam as escolhas.
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Um campeonato que ainda pode reservar surpresas
O Corinthians empatou de novo, permitiu que o Santos encurtasse distância – são agora oito pontos – e deu esperanças até ao Grêmio, que está a nove pontos. O jogo foi fora de casa, contra o entusiasmado Cruzeiro, mas o tropeço se insere na lista de maus resultados do líder no segundo turno do Brasileiro.
A novidade é que, há 15 rodadas, quase ninguém tinha dúvida de que a taça iria para o Corinthians, tal a vantagem do alvinegro paulista em relação aos demais. Neste momento, qualquer prognóstico já soa arriscado.
(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 02)
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