POR GERSON NOGUEIRA
Mais do que um marechal, o presidente do Remo se comporta como um monarca. Manoel Ribeiro adota um estilo de gestão que remete diretamente aos escaninhos do passado. Sob seu comando, o clube vive dias dignos da década de 1970, principalmente quanto às decisões centralizadoras e arcaicas, como a reinvenção da concessão de “bicho” aos jogadores e castigos bobos, como adiar pagamento para forçar o time a correr mais em campo.

O único ponto em que o Remo atual destoa das lembranças de 50 anos atrás é quanto ao êxito nos gramados. Aclamado pelos azulinos mais experientes como símbolo de conquistas e montagem de times até hoje marcantes na história do clube, Ribeiro ganhou a eleição no ano passado apresentando como credenciais feitos ocorridos há meio século. Por isso mesmo, quem o elegeu para exercer um quinto mandato é responsável pela situação atual.
Tudo o que foi dito da gestão anterior, de André Cavalcante, tem se repetido com sobras na atual. Na verdade, o Remo se tornou repetitivo quanto à má gestão e a pecados grosseiros na política de contratações. Muitas das pendências que se avolumam a cada fim de temporada estão diretamente vinculadas à autopredatória aquisição de jogadores.
Nesta temporada, o Remo chegou a quase quatro dezenas de “reforços”, todos absolutamente inúteis na busca infrutífera por títulos nas quatro competições disputadas. Com atletas regionais, o time fez campanha razoável no certame estadual, mas naufragou na Copa Verde – humilhado pelo Santos do Amapá – e na Copa do Brasil, desclassificado pelo Brusque.
Veio a Série C e os erros se avolumaram. Carta branca foi concedida ao treinador Josué Teixeira, que acumulou o papel de executivo – segundo o próprio Manoel Ribeiro – e saiu contratando a esmo, trazendo um time inteiro para o campeonato mais importante do ano. O esquadrão caseiro foi desfeito e os recém-chegados prontamente escalados, acarretando danos que perduraram até o desfecho, sábado, em Salgueiro (PE).
A chapa de Ribeiro assumiu o clube prometendo êxitos em campo e saneamento miraculoso das contas, além de pelo menos mais 13 propostas não cumpridas até hoje, incluindo a reconstrução do centenário estádio Evandro Almeida, destruído há quatro anos sob a presidência de Zeca Pirão, sem que nenhuma das instâncias do clube tenha reivindicado a reparação cabível pelos prejuízos causados.
Caótico em campo e atabalhoado no plano administrativo, o Remo é hoje uma nau sem rumo, com despesas futuras estimadas em R$ 2 milhões (incluindo salários de funcionários e atletas, velhos débitos, taxas do Profut e pendências trabalhistas), sem a contrapartida de receita para honrar os compromissos. É certo que a marca do atraso e da incompetência irá manchar a imagem institucional do clube, para sofrimento de sua imensa torcida, único patrimônio ainda não dilapidado.
Ante a ira da massa torcedora por outro ano perdido, Ribeiro, como um autêntico reizinho, diz que não renuncia. Os conselhos internos têm poder, mas não têm vontade política para tomar qualquer atitude. Na capitania hereditária em que foi transformado, entregue a caprichos dos donos de sempre, o Remo vai continuar refém dos desmandos, sobrevivendo não se sabe até quando.
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Problemas de uma classe muito desunida
Técnicos de futebol costumam reclamar da falta de normas que protejam o exercício da profissão. São demitidos a três por dois, sem direito a maiores satisfações e às vezes sem sequer saber os motivos do pé no traseiro. São queixas mais do que justificadas, mas cabe observar também que a classe não prima pela união. É corriqueira a substituição de técnicos por colegas que não se constrangem em negociar com os clubes sem o conhecimento do ocupante do cargo.
Ontem, Muricy Ramalho inventou uma novidade. Já afastado da profissão, o agora comentarista de TV resolveu se oferecer ao São Paulo para “ajudar” a tirar o time da ameaça de rebaixamento. Tudo muito bem, mas o Tricolor tem um técnico dirigindo a equipe. Dorival Junior é o encarregado de escalar os jogadores e elaborar as estratégias de campo. Mesmo que o oferecimento de Muricy não seja para o lugar de Dorival, não deixa de ser um gesto extremamente deselegante, que arranha a ética profissional.
Ao se prontificar, o ex-técnico deixa subentendido que Dorival não é capaz de resolver os problemas do time. Duvido, aliás, que o rabugento Muricy receberia numa boa qualquer proposta nesse sentido nos tempos em que treinava o São Paulo.
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Terceira Divisão reforça os bicolores
A diretoria do Papão não anunciou oficialmente, mas corre a notícia de que o atacante Dico, do Botafogo-PB, deve ser a próxima atração na lista de contratações do clube. Movimentou-se bem e fez gol contra o Remo na Série C, embora esta não deva ser a razão de sua vinda.
Caso se confirme o negócio, será o segundo reforço vindo da Terceirona. Anteontem, foi apresentado Guilherme Santos, ex-Fortaleza. Na falta de opções nas séries A e B, o jeito foi recorrer à C. Bem que podiam lançar um olhar sobre Leandro Kível (ASA) e Cássio Ortega (Salgueiro).
(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 13)
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