Poderes imperiais

13 de setembro de 2017 at 12:38 9 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

Mais do que um marechal, o presidente do Remo se comporta como um monarca. Manoel Ribeiro adota um estilo de gestão que remete diretamente aos escaninhos do passado. Sob seu comando, o clube vive dias dignos da década de 1970, principalmente quanto às decisões centralizadoras e arcaicas, como a reinvenção da concessão de “bicho” aos jogadores e castigos bobos, como adiar pagamento para forçar o time a correr mais em campo.

20-05-15_-_akira_onuma_-_manuel_ribeiro_1

O único ponto em que o Remo atual destoa das lembranças de 50 anos atrás é quanto ao êxito nos gramados. Aclamado pelos azulinos mais experientes como símbolo de conquistas e montagem de times até hoje marcantes na história do clube, Ribeiro ganhou a eleição no ano passado apresentando como credenciais feitos ocorridos há meio século. Por isso mesmo, quem o elegeu para exercer um quinto mandato é responsável pela situação atual.

Tudo o que foi dito da gestão anterior, de André Cavalcante, tem se repetido com sobras na atual. Na verdade, o Remo se tornou repetitivo quanto à má gestão e a pecados grosseiros na política de contratações. Muitas das pendências que se avolumam a cada fim de temporada estão diretamente vinculadas à autopredatória aquisição de jogadores.

Nesta temporada, o Remo chegou a quase quatro dezenas de “reforços”, todos absolutamente inúteis na busca infrutífera por títulos nas quatro competições disputadas. Com atletas regionais, o time fez campanha razoável no certame estadual, mas naufragou na Copa Verde – humilhado pelo Santos do Amapá – e na Copa do Brasil, desclassificado pelo Brusque.

Veio a Série C e os erros se avolumaram. Carta branca foi concedida ao treinador Josué Teixeira, que acumulou o papel de executivo – segundo o próprio Manoel Ribeiro – e saiu contratando a esmo, trazendo um time inteiro para o campeonato mais importante do ano. O esquadrão caseiro foi desfeito e os recém-chegados prontamente escalados, acarretando danos que perduraram até o desfecho, sábado, em Salgueiro (PE).

A chapa de Ribeiro assumiu o clube prometendo êxitos em campo e saneamento miraculoso das contas, além de pelo menos mais 13 propostas não cumpridas até hoje, incluindo a reconstrução do centenário estádio Evandro Almeida, destruído há quatro anos sob a presidência de Zeca Pirão, sem que nenhuma das instâncias do clube tenha reivindicado a reparação cabível pelos prejuízos causados.

Caótico em campo e atabalhoado no plano administrativo, o Remo é hoje uma nau sem rumo, com despesas futuras estimadas em R$ 2 milhões (incluindo salários de funcionários e atletas, velhos débitos, taxas do Profut e pendências trabalhistas), sem a contrapartida de receita para honrar os compromissos. É certo que a marca do atraso e da incompetência irá manchar a imagem institucional do clube, para sofrimento de sua imensa torcida, único patrimônio ainda não dilapidado.

Ante a ira da massa torcedora por outro ano perdido, Ribeiro, como um autêntico reizinho, diz que não renuncia. Os conselhos internos têm poder, mas não têm vontade política para tomar qualquer atitude. Na capitania hereditária em que foi transformado, entregue a caprichos dos donos de sempre, o Remo vai continuar refém dos desmandos, sobrevivendo não se sabe até quando.

———————————————————————————-

Problemas de uma classe muito desunida

Técnicos de futebol costumam reclamar da falta de normas que protejam o exercício da profissão. São demitidos a três por dois, sem direito a maiores satisfações e às vezes sem sequer saber os motivos do pé no traseiro. São queixas mais do que justificadas, mas cabe observar também que a classe não prima pela união. É corriqueira a substituição de técnicos por colegas que não se constrangem em negociar com os clubes sem o conhecimento do ocupante do cargo.

Ontem, Muricy Ramalho inventou uma novidade. Já afastado da profissão, o agora comentarista de TV resolveu se oferecer ao São Paulo para “ajudar” a tirar o time da ameaça de rebaixamento. Tudo muito bem, mas o Tricolor tem um técnico dirigindo a equipe. Dorival Junior é o encarregado de escalar os jogadores e elaborar as estratégias de campo. Mesmo que o oferecimento de Muricy não seja para o lugar de Dorival, não deixa de ser um gesto extremamente deselegante, que arranha a ética profissional.

Ao se prontificar, o ex-técnico deixa subentendido que Dorival não é capaz de resolver os problemas do time. Duvido, aliás, que o rabugento Muricy receberia numa boa qualquer proposta nesse sentido nos tempos em que treinava o São Paulo.

————————————————————————————

Terceira Divisão reforça os bicolores

A diretoria do Papão não anunciou oficialmente, mas corre a notícia de que o atacante Dico, do Botafogo-PB, deve ser a próxima atração na lista de contratações do clube. Movimentou-se bem e fez gol contra o Remo na Série C, embora esta não deva ser a razão de sua vinda.

Caso se confirme o negócio, será o segundo reforço vindo da Terceirona. Anteontem, foi apresentado Guilherme Santos, ex-Fortaleza. Na falta de opções nas séries A e B, o jeito foi recorrer à C. Bem que podiam lançar um olhar sobre Leandro Kível (ASA) e Cássio Ortega (Salgueiro).

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 13)

Entry filed under: Uncategorized.

Ziggy recebe pockets, shows e lançamento de festival MPF recomenda fiscalização de denúncias de aumentos abusivos da Celpa

9 Comentários Add your own

  • 1. Acácio F B Elleres - Campeão dos Campeões  |  13 de setembro de 2017 às 13:12

    Desculpem me meter na vida do rival, mas acho que a solução seria a opção por um elenco oriundo da base, mesclado com alguns valores locais nas próximas duas temporadas.Os resultados viriam naturalmente e a torcida comparecendo, ajudaria o clube no saneamento de suas contas.

    Tão fundamental quanto, seria também a conclusão das reformas no estádio. Se o dinheiro for curto para construir algo no local das antigas cativas, apenas limpem, pavimentem, criem espaços de alimentação, ergam outdoors e vendam. Se não der para colocar refletores, joguem à tarde durante a semana, mas o clube precisa voltar para a sua casa.

    Por fim, nada disso surtirá efeito se a mentalidade não mudar. É preciso que o presidente do CR seja presidente do CR e não de suas vaidades.

    Curtir

  • 2. Antonio Valentim  |  13 de setembro de 2017 às 13:19

    Não precisa se desculpar.
    É por aí.

    Lendo o livro de M. Tavernard, vejo que o referido senhor pagava compromissos com o cheque da esposa, entre outras atitudes temerárias e amadoras. Talvez ele pense que os tempos não mudaram.

    Que pena!

    Curtir

  • 3. Luis Felipe  |  13 de setembro de 2017 às 13:55

    Acácio está corretíssimo.
    Remo tem que montar elenco com jogadores novos, que tenham vontade de jogar pelo clube.
    Não adianta ter jogadores mais experientes que não têm vontade, não honram a camisa. Exemplo: Edgar tem muito mais bola que o Jaime, porém muito menos vontade. Quem rendeu mais na série C? Jaime, com certeza. Garoto da base, ainda sem mercado no mundo da bola, por isso deixa sua alma em campo.
    Edgar ajudou até quando teve vontade de ajudar.

    Curtir

  • 4. Antonio Oliveira  |  13 de setembro de 2017 às 14:23

    No geral, minha opinião coincide com o texto da Coluna. Aliás, de há muito que sustento de modo pontual muito dos aspectos que foram ali reunidos.

    Mas, há um que nada obstante seja até lógico de esperar que ocorra, a experiência mostra que não funciona, pelo menos no Remo: a renúncia.

    As alternativas são iguais ou piores. Pelo menos estas que estão lá indo e vindo na direção do Clube.

    Curtir

  • 5. jackson  |  13 de setembro de 2017 às 15:03

    ótimo comentário do amigo Acácio, humildade não faz mal a ninguém.

    Porém como bicolor, torço para que o modelo de gestão do marechal da vitória fique pelas bandas de lá por mais 100 anos ( acho que fecha as portas antes)

    Curtir

  • 6. Antonio Valentim  |  14 de setembro de 2017 às 7:26

    No entanto, o conselho (sugestão) do bicolor também pode servir para o Psc, conforme bem comentou Edyr A. Proença no Face.

    Curtir

  • 7. Acácio F B Elleres - Campeão dos Campeões  |  14 de setembro de 2017 às 11:48

    Acabo por me arrepender em comentar o assunto e fico agora com a esperança do companheiro Jackson, de que o Marechal da Vitória se eternize no poder.

    Curtir

  • 8. Víctor Palheta (@victorpalheta)  |  14 de setembro de 2017 às 12:13

    Acácio, seu comentário está perfeito. Hoje em dia, de qualquer base, o aspecto econômico é o mais relevante. Foi-se o tempo que o futebol conseguia se manter através apenas de promessa. Vimos nessa Série C que vários times (praticamente todos do grupo A) estavam com problemas financeiros, porém o que se viu em campo foi uma postura completamente diferente do que se viu no Remo, e isso se deve à falta de credibilidade da gestão azulina, pois prometia e não cumpria. Além da pura incompetência técnica em montar um time competitivo.

    Tenho a certeza que se o time que disputou o campeonato paraense tivesse cotinuado na Série C, teríamos melhor sorte, pois era muito mais barato e compacto. Apenas a contratação pontual de peças de reposição (não tínhamos elenco) e não uma carrada de 11 jogadores pra entrar como titulares em menos de 1 semana. Acreditava no Josué até o primeiro jogo, pois tudo que ele tinha construído, destruiu nesse dia.

    Baenão é sem dúvida fator primordial pras finanças, pois se pode ganhar dinheiro para além da bilheteria, além de reduzir os custos consideralvemente. Então qualquer investimento feito ali não é gasto, tem se o retorno garantido além do fator motivação, pois a pressão é muito maior, com 15mil pessoas, do que em um mangueirão com a torcida distante e dispersa.

    Remo hoje é retrato de uma Belém que parou no tempo em termos de gestão, tanto do poder público quanto do privado. Praticamente não se existe novidade nem com pessoas nem com políticas.

    Este provincianismo azulino só acabará quando a massa azulina assumir o poder lá dentro. Chega dos mesmos e velhos nomes, tomara que esse grupo que está fazendo a reforma (que é muito mais organizado do que a gestão oficial) perceba que é possível mudar e assumir o timão da nau azulina, pois o Remo é hoje uma torcida gigante que quer ter um time, porém não tem um clube.

    Curtido por 1 pessoa

  • 9. Acácio F B Elleres - Campeão dos Campeões  |  14 de setembro de 2017 às 12:17

    Perfeito.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


CONTAGEM DE ACESSOS

  • 7,318,641 visitantes

Tópicos recentes

gersonnogueira@gmail.com

Junte-se a 12.813 outros seguidores

VITRINE DE COMENTÁRIOS

Jorge Paz Amorim em Neymar exige que diretoria do…
Mauricio Carneiro em Neymar exige que diretoria do…
Edson do Leão - meu… em Sampaio vence fora e encaminha…
Joseney Basílio em Neymar exige que diretoria do…
Mauricio Carneiro em Após polêmica do gol de Jô, CB…

ARQUIVOS DO BLOG

FOLHINHA

setembro 2017
S T Q Q S S D
« ago    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

NO TWITTER

GENTE DA CASA

POSTS QUE EU CURTO


%d blogueiros gostam disto: