Bem-vindos a uma cleptocracia que não se preocupa mais com aparências

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POR VLADIMIR SAFATLE

Há algo de instrutivo no ritual que o Congresso Nacional ofereceu ao país na última quarta-feira, quando um ocupante do cargo da Presidência, gravado em situação flagrante de prevaricação e corrupção passiva, formalmente denunciado pela Procuradoria Geral da União, foi poupado.

É difícil imaginar algum país no mundo que chegaria a um espetáculo tamanho de degradação comandado por uma casta de políticos dignos de filmes de gângsteres série B. Ao menos, depois dessa confissão de desprezo oligárquico pela opinião pública, quem sabe agora parem de falar que estamos em uma “democracia”.

Enquanto o país assiste a universidades públicas suspenderem as aulas por se encontrarem em situação falimentar, serviços públicos entrarem em deterioração, agências de pesquisa decretarem estado de calamidade e 3,6 milhões de pessoas saírem da classe média baixa em direção à pobreza, o ocupante do trono da Presidência, único presidente da história brasileira a ser denunciado pela Justiça no cargo, gastava milhões de reais em suborno explícito de deputados, uso de cargos públicos para aliciamento de votos e liberação de emendas escusas a fim de garantir sua sobrevida.

Ou seja, bem-vindos a uma cleptocracia que agora não faz nem sequer questão de conservar as aparências. Há algo de terminal quando até mesmo as aparências já não são mais conservadas. Tudo isso com o beneplácito daqueles que dizem que o país precisa, afinal, de “estabilidade”.

2 comentários em “Bem-vindos a uma cleptocracia que não se preocupa mais com aparências

  1. É uma visão marxista da atualidade, com a qual concordo, mas é difícil explicar ao cidadão desinteressado da política, vale dizer, alienado, que o país passa por um golpe que visa estabelecer uma ditadura que torna o fluxo da riqueza totalmente unidirecional, no sentido das oligarquias. O capitalismo para se afirmar como um mecanismo econômico tem uma única estratégia, que é desde sempre suicida, de tomar dos pobres e dar aos ricos, como se não fosse esgotar essa verdadeira riqueza vinda do trabalho nas mãos dos bon-vivants da república, ou marajás, como queiram. É sempre sobre isso, riqueza, poder, fortuna… que nunca é produzida por quem desfruta dela.

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