Lula e Mandela

3 de agosto de 2017 at 11:33 Deixe um comentário

POR ALDRIN MOURA DE FIGUEIREDO (*) – transcrito do Facebook

Essa tentativa de destruir lideranças políticas é antiga. O que tá acontecendo com Lula foi tentado nos quatro cantos do mundo, aqui e alhures, e em várias épocas. Impedi-lo de ser candidato em 2018 será a maior burrada, pois sempre haverá quem questione a legitimidade de uma eleição em que Lula seja impedido de ser candidato (especialmente num processo como este que até a Folha de São Paulo considera frágil e sem provas cabais). Impedido ou preso, Lula, sem nenhuma dúvida a maior referência internacional da esquerda no Brasil, poderá se transformar num Mandela, goste você dele ou não. E esse clima de divisão e hostilidade no país se arrastará por décadas! A imprensa internacional toda está descrente do processo que corre no Brasil. Até mesmo a imprensa nacional não sabe o que fazer pois seus antigos heróis estão na lama. Aguardemos as instâncias superiores da justiça brasileira.

O caso Moro-Lula, me fez lembrar de um episódio da história do Pará, quando nas guerras de independência, na década de 1820, o líder ativista cônego João Gonçalves Batista Campos (considerado por muitos como o mentor intelectual da cabanagem), foi posto na boca de um canhão, no Largo do Palácio dos Governadores do Pará, por ordem do enviado da Corte John Pascoe Grenfell, no dia 17 de outubro de 1823.

Batista Campos era famosíssimo no Pará, e até fora daqui, foi vice-presidente do Conselho do Governo da Província e fez parte da Junta Provisória do Governo, de agosto de 1823 a abril de 1824. Digamos, era amado e odiado no mesmo grau. Vendo aquela situação, o velho bispo do Pará, D. Romualdo de Sousa Coelho, que conhecia as ramificações do poder como poucos, chegou até o inglês e disse algo mais ou menos assim: A ralé, os escravos, os comuns, o povo, essa gente tá vendo esse homem ser colocado na boca do canhão.

Traduzindo: ou dê um julgamento justo a este homem ou uma hora dessas quem vai pra boca do canhão será o senhor. E assim, o padre foi retirado da boca do canhão, morrendo 11 anos depois de causa nada política. Quando a justiça é partidária, acabou a justiça.

PS. O bispo não tinha nenhuma simpatia por Batista Campos, mas de tanto ler tratados de direito romano e canônico, entendia bastante de justiça. A história não se repete, nem ensina, mas permite analogias e bons anacronismos. É muito cedo pra dizer que o povão está apático. Ano que vem, esperemos, teremos eleições. Esperemos, democráticas. Esperemos, com todas as forças políticas participando. Enquanto isso, todas as misérias políticas estão sendo vistas, ao vivo e on-line. O lado bom é que estamos vendo tudo, praticamente tudo.

(*) Professor da UFPA, doutor e mestre em História e História Social

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A sentença eterna Enquanto isso…

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